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Enquanto o banco suíço muda a indicação para o papel, gigante de Wall Street ainda vê oportunidade nos ativos da companhia na carteira; entenda as diferenças nas recomendações
As ações da Raízen (RAIZ4) lideram a ponta negativa do Ibovespa nesta segunda-feira (9) na esteira da nova recomendação do UBS BB para os próximos 12 meses. O banco suíço rebaixou o papel de compra para neutro e fez um corte significativo no preço-alvo do ativo.
Para o banco, a companhia está indo na direção certa, mas ainda há um longo caminho a ser percorrido — o entendimento é de que a reestruturação e a redução da dívida da Raízen, embora positivas, levarão mais tempo para se concretizar em retornos para os acionistas.
Por isso, além da recomendação neutra, o preço-alvo caiu de R$ 3,90 para R$ 2,30 — o que representa um potencial de valorização de 16,2% com relação ao último fechamento.
“Após anos de expansão que trouxeram complexidade e um salto na alavancagem, com ventos contrários de juros mais altos e desafios na cana-de-açúcar, a Raízen está em um novo ciclo, que foca na eficiência e redução de custos, o que deve levar à redução da dívida. No entanto, essa tendência de redução da dívida deve ganhar tração em dois ou três anos, e existem riscos”, dizem os analistas Matheus Enfeldt, Tasso Vasconcellos e Victor Modanese em relatório.
Por volta de 12h45, as ações da Raízen operavam com queda de 3,03%, cotadas a R$ 1,93. Os papéis chegaram a cair mais de 4% na manhã desta segunda-feira (9), liderando as perdas do Ibovespa. No ano, as ações acumulam queda de 11%.
No mesmo horário, o Ibovespa recuava 0,60%, aos 135.257,47 pontos.
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Apesar da liderança renovada e de uma direção estratégica sólida, os riscos macroeconômicos e a lentidão esperada no processo de desalavancagem justificam a cautela do UBS BB.
A dívida líquida expandida da Raízen atingiu 4,6x o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) no final de 2024/25 e as altas taxas de juros impactam a capacidade da empresa de gerar caixa.
Segundo cálculos do UBS BB, a Raízen continuará consumindo caixa em 2025/26 — cerca de R$ 1 bilhão negativos, mesmo com liberação de capital de giro — e provavelmente também em 2026/27, antes de começar a reduzir a dívida nos anos seguintes.
Com isso, a redução da dívida deve começar em 24 a 36 meses, dependendo de certas premissas: taxas de juros caindo abaixo de 12% até o final de 2026 e preços do petróleo se mantendo entre US$ 62 e US$ 70 o barril.
O UBS espera que a dívida expandida líquida da Raízen atinja aproximadamente 3x o Ebitda apenas em 2029/30.
“A preocupação até lá é que os custos de refinanciamento possam aumentar materialmente devido à pressão na alavancagem, embora o forte apoio da Shell e Cosan — donas de 88% da Raízen — possa limitar isso”, dizem os analistas.
A Raízen iniciou um novo ciclo estratégico sob nova liderança do CEO Nelson Gomes e do CFO Rafael Bergman, que assumiram os cargos em novembro de 2024.
O ciclo anterior da companhia foi marcado pelo crescimento acelerado e pela diversificação, impulsionado pelo IPO em 2021 e por aquisições — o que, segundo os analistas do UBS BB, trouxe complexidade, distração e aumento de custos e dívidas, amplificado pela rápida elevação das taxas de juros.
“O novo ciclo visa simplificar, buscar eficiência operacional e focar na execução, além de revisar e redefinir o portfólio. O objetivo final é gerar valor em seu negócio principal — distribuição de combustíveis, açúcar, etanol e energia — e traduzir isso em retornos para os acionistas”, dizem os analistas.
Assim como o UBS BB, o Citi também cortou o preço-alvo das ações da Raízen. O banco norte-americano, no entanto, seguiu recomendando a compra dos papéis da companhia.
O preço-alvo de RAIZ4 saiu de R$ 3,00 para R$ 2,50 — o que representa um potencial de valorização de 26,3% em relação ao último fechamento.
Embora o Citi concorde que a nova administração da Raízen estão seguindo a estratégia correta para desalavancar a empresa, o banco diz que a companhia precisa lidar com a alavancagem em seu balanço e ajustar a estrutura de capital atual para se tornar uma gestora de fluxo de caixa livre (FCF) novamente — o que poderia ser proveniente de fusões e aquisições e/ou um potencial aumento de capital, como vinha sendo noticiado no início do ano.
“Até lá, esperamos que a falta de geração de fluxo de caixa livre pese sobre as ações no curto prazo, com a potencial queda nas taxas de juros sendo um catalisador positivo”, disseram os analistas Gabriel Barra e Pedro Gama.
O Citi projeta que Raízen moa 73,5 milhões de toneladas durante esta temporada — em linha com a faixa intermediária da projeção da empresa, porém abaixo dos cerca de 78 milhões de toneladas da safra 2024/25.
Essa redução se dará, principalmente, devido ao desinvestimento na cana-de-açúcar — como a venda da usina de Leme —, enquanto a Raízen deve maximizar a produção de açúcar, atingindo cerca de 53% (ante 50% em 2024/25), já que os preços do açúcar ainda estão acima dos preços do etanol.
“Acreditamos que a Raízen pode melhorar seus resultados nesta temporada, principalmente devido à melhora da operação de açúcar e etanol, com aumento do mix de produção de açúcar, maiores volumes na operação de mobilidade, ganhos de eficiência do Ebitda e menores efeitos não recorrentes, uma vez que a empresa redefiniu o escopo das operações de trading”, dizem os analistas do Citi.
Vale lembrar que a Raízen está avaliando alguns desinvestimentos. “Mesmo com os números mais altos à frente e potenciais fusões e aquisições, não esperamos que a Raízen registre um fluxo de caixa livre positivo no curto e médio prazo, principalmente devido às despesas financeiras relevantes e ao capex a serem desembolsados durante o período”, afirmam os analistas.
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