O que o Mercado Livre (MELI34) quer no segmento de farmácias?
Mercado Livre quer atuar no segmento por meio do seu marketplace, o que hoje é proibido pela legislação brasileira

A entrada do Mercado Livre (MELI34) no segmento farmacêutico segue dando o que falar. Em meio às dúvidas sobre a intenção da gigante do e-commerce e posição contrária da Associação Brasileira de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), o CEO Fernando Yunes esclareceu, em coletiva de imprensa na última semana, a estratégia que quer adotar após aquisição de uma farmácia da Memed.
A pretensão da companhia é de atuar via marketplace, o que atualmente é proibido pela regulação brasileira. O MeLi está em diálogo com autoridades para discutir uma possível revisão dessa restrição.
Analistas do Bradesco BBI destacam que, caso não ocorra mudança regulatória, duas alternativas estão no radar da companhia: competir diretamente com redes de farmácias por meio de uma estrutura própria ou abandonar o segmento.
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Enquanto isso, a companhia dará início às operações diretas (1P) dentro da plataforma atual, sem separação de site.
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou sem restrições a aquisição, no entanto, a Abrafarma pontuou ao órgão que o Mercado Livre não concedeu todas as informações relacionadas à transação e também sobre parcerias futuras, o que poderia ser um “incidente de enganosidade”.
“Embora a coletiva tenha sido motivada por acusações da Abrafarma junto ao Cade, que podem levar à revisão do negócio, vemos o anúncio como neutro a levemente positivo para as redes de farmácias, especialmente para a RD Saúde (RADL3)”, dizem os analistas Marcio Osako, do BBI, e Larissa Monte, da Ágora Investimentos.
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O BBI pondera que a intenção declarada do Mercado Livre de operar como marketplace reduz o risco de competição direta no curto prazo, e que não há precedentes bem-sucedidos de atuação nesse modelo no varejo farmacêutico global.
“Além disso, o baixo lucro por pedido e os custos logísticos elevados tornam o setor desafiador para novos entrantes. Mantemos visão construtiva para as líderes do setor, que já enfrentam forte concorrência online e se beneficiam de vantagens operacionais como retirada em loja”, diz o BBI.
BBA vê estratégia de transição
Mesmo com a ênfase do Mercado Livre de que o plano é trazer as farmácias para o marketplace (3P) e não abrir uma rede própria, o Itaú BBA avalia que o valor da opção 1P (estoque próprio) permanece intacto, tratando-se apenas de um faseamento estratégico. Na visão da casa, focar exclusivamente no 3P faz um sentido estratégico limitado.
Os analistas estimam um mercado endereçável de US$ 25-30 bilhões para produtos farmacêuticos, ante um GMV (volume bruto de mercadorias) do Mercado Livre no Brasil de US$ 27 bilhões.
“Uma abordagem puramente 3P (marketplace) adicionaria apenas uma contribuição modesta ao GMV ao longo do tempo. Embora aumentar a frequência de compra e a fidelização do cliente seja um ângulo válido, acreditamos que o MeLi acabará por migrar para o 1P (estoque próprio)”, diz o BBA.
Na visão dos analistas, o foco inicial no 3P também é tático, uma forma de, eventualmente, reduzir a resistência de associações e varejistas do setor enquanto a companhia aprende sobre a categoria e os fluxos regulatórios.
“Estrategicamente, pensamos que faria sentido para o Mercado Livre evoluir para um 1P seletivo ao longo do tempo, especialmente em produtos de consumo rápido (OTC) e bem-estar, onde inventário centralizado, consistência de serviço e velocidade podem aprofundar a vantagem competitiva e a monetização”, dizem os analistas.
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