O futuro da Petrobras (PETR4): Margem Equatorial, dividendos e um dilema bilionário
Adriano Pires, sócio-fundador do CBIE e um dos maiores especialistas em energia do país, foi o convidado desta semana do Touros e Ursos para falar de Petrobras
O novo plano de investimentos da Petrobras (PETR4) será apresentado na próxima semana e causa expectativa entre investidores. A empresa estatal irá focar em investimentos em novos negócios ou priorizar o pagamento de dividendos aos acionistas.
Para responder a esta e a outras perguntas, o podcast Touros e Ursos desta semana ouviu Adriano Pires, sócio fundador do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) e um dos maiores especialistas em energia do país.
Para ele, se a petroleira investir em gás natural e fertilizantes, os dividendos no curto prazo devem diminuir. Não são áreas em que a companhia deveria se dedicar.
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Entretanto, Pires avalia que a liberação da Margem Equatorial é uma boa notícia.
“A exploração na Margem Equatorial, se bem feita, pode beneficiar muito a população local. A gente está falando de uma área em que quase 100% das cidades não têm saneamento. Agora, imagine usar parte do retorno das participações especiais para melhorar o saneamento dessas cidades”, disse o especialista.
Margem Equatorial e mais investimentos
A autorização do Ibama para perfuração de um primeiro poço da Margem Equatorial foi, segundo Pires, “a boa notícia” do momento. O especialista destaca que a licença levou 12 anos para sair — tempo suficiente para as concorrentes internacionais BP e TotalEnergies abandonarem o projeto. Todo o dinheiro ficou na mesa e a responsabilidade, nas mãos da Petrobras.
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Porém, Pires acredita que o potencial dessa exploração é gigantesco. A Margem Equatorial pode gerar entre 10 e 12 bilhões de barris de petróleo. Um volume comparável ao do pré-sal, cuja produção começa a declinar por volta de 2030.
O especialista afirma que a Petrobras tem capacidade técnica de sobra para esse projeto. “Ela é campeã em exploração em águas profundas. O pré-sal é um êxito total”, disse.
O fundador da CBIE também defende que esse seja o foco dos investimentos da companhia nos próximos anos. Questões como gás natural, fertilizantes e energia sustentável são secundários e prejudiciais para os negócios da petroleira.
“Não faz sentido nenhum para a empresa investir nesses negócios. É andar para trás outra vez. Fazer um plano de investimento olhando para o retrovisor, não para o para-brisa”, diz.
Dividendos da Petrobras em risco — hora de privatizar
Para Pires, o debate sobre dividendos e privatização é, na prática, o mesmo tema: influência política sobre a Petrobras.
Ele acredita que os pagamentos aos acionistas tendem a diminuir no próximo ano, não só pela expectativa de um barril de petróleo mais barato em 2026 — na faixa de US$ 50 a US$ 60 — mas principalmente por decisões guiadas por interesses eleitorais.
Para ele, o problema não é de gestão conjuntural, mas estrutural. O modelo de capital misto permite intervenções recorrentes do governo federal, afetando o valor de mercado. “Se a Petrobras fosse privada, a ação valeria o dobro”, disse no podcast.
Apesar de ser uma das grandes produtoras do mundo, com potencial para figurar entre as cinco maiores, a estatal carrega esse risco que outras petroleiras não enfrentam. “Você pode dormir e acordar com uma canetada do governo e a ação da Petrobras cai 10%.”
Para Pires, a privatização já não é um tabu geracional como antes e deveria ser prioridade do próximo governo.
Touros e Ursos da semana
No quadro Touros e Ursos — em que os “touros” são os destaques positivos e os “ursos” são os negativos —, o maior destaque de urso ficou para o Banco Master.
O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição financeira e, agora, investidores se veem na situação de precisar recorrer ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para reaver seus investimentos.
Outro urso nesta semana, citado por Pires, foi a COP30. O especialista afirmou que a conferência virou “mais uma festa do que uma verdadeira conferência do clima”. Ele critica a defesa de um fim rígido dos combustíveis fósseis, afirmando que isso prejudica populações de baixa renda e os países mais pobres.
Já entre os touros, a Alphabet ganhou destaque após a Berkshire Hathaway, de Warren Buffett, anunciar um investimento de US$ 4,3 bilhões na companhia. E o Banco Central também foi reconhecido pela postura no caso Master.
Veja detalhes dos Touros e Ursos e da análise sobre Petrobras no episódio completo:
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