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TOUROS E URSOS #248

O futuro da Petrobras (PETR4): Margem Equatorial, dividendos e um dilema bilionário

Adriano Pires, sócio-fundador do CBIE e um dos maiores especialistas em energia do país, foi o convidado desta semana do Touros e Ursos para falar de Petrobras

Adriano Pires, sócio-fundador do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) e um dos maiores especialistas em energia do país
Adriano Pires, sócio-fundador do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) e um dos maiores especialistas em energia do país. - Imagem: Seu Dinheiro

O novo plano de investimentos da Petrobras (PETR4) será apresentado na próxima semana e causa expectativa entre investidores. A empresa estatal irá focar em investimentos em novos negócios ou priorizar o pagamento de dividendos aos acionistas. 

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Para responder a esta e a outras perguntas, o podcast Touros e Ursos desta semana ouviu Adriano Pires, sócio fundador do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) e um dos maiores especialistas em energia do país. 

Para ele, se a petroleira investir em gás natural e fertilizantes, os dividendos no curto prazo devem diminuir. Não são áreas em que a companhia deveria se dedicar.

Entretanto, Pires avalia que a liberação da Margem Equatorial é uma boa notícia.

“A exploração na Margem Equatorial, se bem feita, pode beneficiar muito a população local. A gente está falando de uma área em que quase 100% das cidades não têm saneamento. Agora, imagine usar parte do retorno das participações especiais para melhorar o saneamento dessas cidades”, disse o especialista. 

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Margem Equatorial e mais investimentos 

A autorização do Ibama para perfuração de um primeiro poço da Margem Equatorial foi, segundo Pires, “a boa notícia” do momento. O especialista destaca que a licença levou 12 anos para sair — tempo suficiente para as concorrentes internacionais BP e TotalEnergies abandonarem o projeto. Todo o dinheiro ficou na mesa e a responsabilidade, nas mãos da Petrobras. 

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Porém, Pires acredita que o potencial dessa exploração é gigantesco. A Margem Equatorial pode gerar entre 10 e 12 bilhões de barris de petróleo. Um volume comparável ao do pré-sal, cuja produção começa a declinar por volta de 2030. 

O especialista afirma que a Petrobras tem capacidade técnica de sobra para esse projeto. “Ela é campeã em exploração em águas profundas. O pré-sal é um êxito total”, disse. 

O fundador da CBIE também defende que esse seja o foco dos investimentos da companhia nos próximos anos. Questões como gás natural, fertilizantes e energia sustentável são secundários e prejudiciais para os negócios da petroleira. 

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“Não faz sentido nenhum para a empresa investir nesses negócios. É andar para trás outra vez. Fazer um plano de investimento olhando para o retrovisor,  não para o para-brisa”, diz. 

Dividendos da Petrobras em risco — hora de privatizar 

Para Pires, o debate sobre dividendos e privatização é, na prática, o mesmo tema: influência política sobre a Petrobras

Ele acredita que os pagamentos aos acionistas tendem a diminuir no próximo ano, não só pela expectativa de um barril de petróleo mais barato em 2026 — na faixa de US$ 50 a US$ 60 — mas principalmente por decisões guiadas por interesses eleitorais. 

Para ele, o problema não é de gestão conjuntural, mas estrutural. O modelo de capital misto permite intervenções recorrentes do governo federal, afetando o valor de mercado. “Se a Petrobras fosse privada, a ação valeria o dobro”, disse no podcast.

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Apesar de ser uma das grandes produtoras do mundo, com potencial para figurar entre as cinco maiores, a estatal carrega esse risco que outras petroleiras não enfrentam. “Você pode dormir e acordar com uma canetada do governo e a ação da Petrobras cai 10%.”

Para Pires, a privatização já não é um tabu geracional como antes e deveria ser prioridade do próximo governo. 

Touros e Ursos da semana

No quadro Touros e Ursos — em que os “touros” são os destaques positivos e os “ursos” são os negativos —, o maior destaque de urso ficou para o Banco Master

O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição financeira e, agora, investidores se veem na situação de precisar recorrer ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para reaver seus investimentos. 

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Outro urso nesta semana, citado por Pires, foi a COP30. O especialista afirmou que a conferência virou “mais uma festa do que uma verdadeira conferência do clima”. Ele critica a defesa de um fim rígido dos combustíveis fósseis, afirmando que isso prejudica populações de baixa renda e os países mais pobres.

Já entre os touros, a Alphabet ganhou destaque após a Berkshire Hathaway, de Warren Buffett, anunciar um investimento de US$ 4,3 bilhões na companhia. E o Banco Central também foi reconhecido pela postura no caso Master.  

Veja detalhes dos Touros e Ursos e da análise sobre Petrobras no episódio completo:

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