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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

MUDANÇAS À FRENTE?

Nelson Tanure cogita vender participação na Alliança (ALLR3) em meio a processo sancionador da CVM; ações disparam na B3

Empresa de saúde contratou assessor financeiro para estudar reorganização e possíveis mudanças no controle; o que está em discussão?

Camille Lima
Camille Lima
23 de dezembro de 2025
11:58 - atualizado às 14:27
O empresário Nelson Tanure
O empresário Nelson Tanure - Imagem: Divulgação

O controle da Alliança (ALLR3ex-Alliar) pode mudar de mãos outra vez. A empresa de medicina diagnóstica anunciou que avalia mudanças profundas em sua estrutura societária — e o empresário Nelson Tanure não descarta a possibilidade de vender sua participação no negócio. 

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A sinalização veio nesta terça-feira (23), quando a Alliança anunciou a contratação do BTG Pactual como assessor financeiro para avaliar alternativas de reorganização societária. 

A notícia faz as ações da Alliança dispararem no pregão de hoje na B3. Por volta das 11h38, os papéis ALLR3 negociavam em alta de 6,05%, a R$ 4,56. 

Vale destacar que o anúncio ocorre em um momento sensível para a empresa e para seu controlador.  

Isso porque a movimentação acontece poucos dias após a abertura de um processo administrativo sancionador na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) envolvendo a oferta que consolidou o empresário como acionista majoritário. 

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A reestruturação da Alliança Saúde (AALR3) 

Segundo o comunicado divulgado pela Alliança, o leque de possibilidades em discussão é amplo. 

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Ele inclui desde incorporação de ações, aumento de capital e capitalização de ativos até a venda de parte ou da totalidade das ações dos controladores, além da eventual formação de uma joint venture.  

De acordo com o jornal O Globo, Tanure estaria disposto a negociar a companhia por cerca de R$ 4 bilhões. A empresa hoje é avaliada em R$ 654 milhões na B3, com uma desvalorização acumulada de 46% das ações em 2025. 

A empresa também deixou a porta aberta para “outras formas de reorganização societária e a prospecção e negociação com potenciais interessados”. 

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Por ora, porém, não existe nada concreto para sair do papel, segundo a empresa. A Alliança afirmou que não há negociações em curso nem uma decisão sobre o formato de uma eventual reorganização societária.  

“Inexiste, até o presente momento, qualquer garantia de que alguma das alternativas eventualmente avaliadas venha a ser implementada, tampouco visibilidade sobre seus impactos na estrutura de controle”, escreveu a companhia. 

CVM investiga OPA de Nelson Tanure na Alliança 

O momento da reorganização interna na Alliança (AALR3) chama atenção do mercado.  

Isso porque, há cerca de uma semana, a CVM citou Tanure em um processo administrativo sancionador para investigar a condução da oferta pública de aquisição (OPA) que levou o empresário a consolidar o controle da Alliança. 

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No centro da investigação estão o Fonte de Saúde FIP Multiestratégia, fundo ligado a Tanure e administrado pela Trustee DTVM, e a MAM Asset Management, gestora pertencente ao grupo do Banco Master.  

Atualmente, o FIP Fonte de Saúde detém 20,62% da companhia. Já o fundo Lormont Participações, também controlado por Tanure, possui 46,19% do capital da Alliança.  

O processo sancionador foi instaurado em 26 de novembro, mais de dois anos após a conclusão da OPA. Mas a medida é parte de uma investigação mais ampla da autarquia, que se estende desde 2022, segundo documentos aos quais o Seu Dinheiro teve acesso. 

De acordo com o processo, a CVM quer apurar se os fundos envolvidos realizaram a oferta “em prazo muito além daquele ordinariamente previsto” pela regulamentação.  

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Pelas regras da época, a troca de controle exige a realização de uma OPA para garantir aos minoritários o direito de saída nas mesmas condições negociadas com o controlador — e o protocolo da oferta deveria ocorrer até 30 dias após a mudança de controlador. 

Na avaliação da CVM, esse prazo não teria sido respeitado. Foi em 2021 que Tanure entrou na então Alliar, ao adquirir 25% da participação que pertencia ao Pátria. A partir daí, o empresário passou a aumentar gradualmente sua fatia até ultrapassar os 50% do capital, assumindo oficialmente o controle em abril de 2022. 

Por mais de um ano, Tanure tentou evitar a realização da OPA, mas enfrentou resistência dos acionistas minoritários e acabou não conseguindo escapar da obrigação.  

A oferta só veio em agosto de 2023, com um desembolso de R$ 891 milhões, que elevou sua participação para 93,3% das ações da companhia. 

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Procurado pelo Seu Dinheiro, o empresário Nelson Tanure não se pronunciou sobre o tema. 

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