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Bruna Charifker Vogel

Bruna Charifker Vogel

Bacharel em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo/USP e mestre em Estudos Latino Americanos e Caribenhos pela New York University/NYU, é redatora do Seu Dinheiro. Com mais de 15 anos de experiência em análise, fortalecimento e desenvolvimento de políticas públicas no Brasil e nos Estados Unidos, fez transição de carreira para o mercado financeiro, atuando nas áreas de comunicação interna, DEI, T&D, employer branding e cultura organizacional.

LUXO REINVENTADO

Jogada de marketing: lendária empresa aérea Pan Am volta a cruzar os céus em um tour especial de R$ 330 mil

Após falir e virar companhia de licenciamento de marca, aérea recria experiência de luxo que marcou uma geração

Bruna Charifker Vogel
Bruna Charifker Vogel
20 de junho de 2025
17:28
Voo charter com a marca Pan Am volta a cruzar os céus - Imagem: iStock/Fortgens Photography -

Um luxo acessível a poucos, como antigamente. Assim foi o retorno do avião da Pan Am aos céus esta semana, praticamente um déjà vu para quem tem mais de 30 anos.

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A emblemática companhia aérea dos EUA, que entrou com pedido de falência nos anos 90, voltou a operar esta semana. Na verdade, a marca voltou a cruzar oceanos.

A agência Beyond Capricorn, que diz reviver o glamour da era dourada das viagens, licenciou a marca Pan American Airways LLC — uma empresa que atualmente vende produtos como bolsas, jogos, camisetas para marcas variadas, relógios da marca Breitling e bonecas, como a Barbie aeromoça Pan Am.

Na terça-feira (17), um voo charter de um Boeing 757 com as cores da lendária Pan Am saiu do aeroporto JFK, em Nova York, com 50 passageiros a bordo, assentos totalmente reclináveis e serviço de primeira classe. 

O tour "Tracing the Transatlantic", que marcou o retorno das viagens da marca Pan Am, custou de US$ 60 mil a US$ 65,6 mil (algo entre R$ 330 mil e R$ 360 mil) e a viagem esgotou rapidamente.

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Até o dia 28 de junho, percorrerá o trajeto entre Nova York e Bermudas e cruzará o Atlântico para chegar a Lisboa, Marselha, Londres e Shannon, na Irlanda, antes de retornar a Nova York.

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A ideia era fazer o percurso original, que partia de Washington e ia também aos Açores. Hotéis de primeira linha em cada uma dessas cidades estão incluídos no pacote.

As comissárias vestidas, penteadas e maquiadas impecavelmente, com direito a luvas brancas e a bolsas com o logo Pan Am causaram comoção num JFK com passageiros de outras companhias usando moletom e chinelos.

Nas redes sociais da empresa, seguidores aplaudiam a iniciativa, apesar de alguns dizerem que o design parecia barato e inconsistente, longe dos tempos áureos da companhia aérea.

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Os pacotes turísticos Pan Am são operados pela empresa especializada em tours privativos Bartelings.

As próximas ofertas já estão no ar. O "Pan Am Tracing the Transpacific" pode ser adquirido por a partir de US$ 94,5 mil (cerca de R$ 520 mil) e está programado para sair em abril do ano que vem.

Já o "Pan Am Centenary Circumnavigation 2027" irá de São Francisco ao Taiti, passando por Sidney, Bancoc, Nova Déli, Cairo e Casablanca, antes de voltar a Miami. Está aceitando inscrições, mas sem informações detalhadas de preços.

A história da Pan Am

A icônica Pan American World Airways nasceu em 1927 como correio aéreo entre Key West, na Flórida, e Cuba. Cresceu rapidamente graças a campanhas de marketing e pioneirismo em rotas e serviços. 

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Durante a proibição de venda de bebidas alcoólicas nos EUA, por exemplo, anúncios com a Bacardi chamavam os americanos para beber rum e aproveitar o sol cubano.

Em uma época em que os passageiros não precisavam tirar os sapatos e nem passar malas de mão pelo raio-X, as refeições nos voos da Pan Am eram preparadas por chefs do Maxim's, então um dos mais requintados de Paris.

As comissárias fatiavam as carnes durante os voos, com facas de verdade. Em seu auge, em 1970, a companhia transportou 11 milhões de passageiros, para 86 países.

Porém, nos anos seguintes, a Pan Am foi atingida por problemas de gestão e uma sucessão de reveses, que começaram com a crise do petróleo, em 1973, e a desregulamentação do transporte aéreo nos EUA, poucos anos depois, que permitiu a entrada de concorrentes e companhias de baixo custo.

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O golpe fatal aconteceu com um ataque terrorista, em 1988, quando um voo de Londres a Nova York explodiu, com 270 pessoas a bordo. Além de manchar a reputação da companhia, o atentado resultou em processos milionários, que acabaram no pedido de falência, em 1991.

*Com informações do Estadão Conteúdo

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