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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

MADE IN BRAZIL

BYD atrasa abertura de fábrica brasileira, mas diz que quer transformar a Bahia no “Vale do Silício da América Latina”

Chinesa fabricante de carros elétricos apresentou sua estrutura de produção no local onde um dia operou a Ford; montadora aguarda licenças para dar pontapé inicial

Camille Lima
Camille Lima
1 de julho de 2025
17:53
Imagem: Divulgação/BYD

A Bahia se tornará o Vale do Silício da América Latina. Esta foi a promessa feita pela vice-presidente global da BYD, Stella Li, nesta terça-feira (1º), durante evento de apresentação da fábrica da montadora chinesa em Camaçari (BA), onde um dia operou a Ford.

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“Estamos construindo uma das maiores fábricas dedicadas a veículos de nova energia. Nosso objetivo é fazer com que o Estado da Bahia seja o Vale do Silício da América do Sul”, disse a executiva.

Ainda não se trata, porém, da esperada inauguração da unidade de Camaçari. Isso porque a BYD ainda aguarda aprovações regulatórias para oficialmente dar início às operações, como licença ambiental e alvará do corpo de bombeiros.

“Esse processo dos últimos 15 meses tem sido tão difícil. Temos encontrado muitos obstáculos, então viemos trabalhando a confiança das autoridades”, afirmou Stella Li. A produção no Brasil foi anunciada em julho de 2023, prevendo um investimento de R$ 3 bilhões no país.

De todas as formas, a “pré-inauguração” da unidade em Camaçari acontece em uma corrida contra o tempo para bater a rival chinesa GWM, que também anunciou fábrica no Brasil e deve começar a produção em Iracemápolis, em São Paulo, já neste mês de julho.

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100% brasileiro, só que não

O evento da BYD realizado nesta terça-feira marcou a apresentação do primeiro carro elétrico da montadora chinesa totalmente montado no Brasil: um BYD Dolphin Mini “100% brasileiro”. 

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As partes desse veículo vieram prontas da China e só algumas etapas de sua montagem foram feitas aqui no país, num sistema conhecido na indústria automotiva como SKD (semi knocked down). Além disso, o modelo não está liberado para venda comercial; trata-se de um automóvel de teste, que antecede o começo da linha de produção.

O modelo escolhido, o Dolphin Mini, é atualmente o mais barato da BYD no país (cerca de R$ 119 mil), atrás apenas do concorrente Renault Kwid E-Tech (R$ 99.990). Lançado no Brasil em fevereiro de 2024, o menor modelo da fabricante chinesa conquistou o posto de elétrico mais vendido do país, com quase 35 mil unidades comercializadas desde então.

Quando a produção estiver liberada, as máquinas presentes na unidade de Camaçari devem finalizar também outros dois modelos, só que híbridos: o Song Pro e o King

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Futuramente, a BYD espera lançar por aqui também um modelo com motor híbrido flex, desenvolvido para rodar com a tecnologia elétrica, mas também com gasolina e o etanol brasileiro. No entanto, ainda não há previsão de lançamento.

Plano é nacionalizar a produção gradualmente

A expectativa é que a licença para produção em série saia nos próximos dias ou semanas, segundo Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD no Brasil.

“A velha indústria não está inquieta à toa. Ela perceberá hoje que não viemos aqui só para a montagem de carros. É produção nacional e desenvolvimento no Brasil, com cadeia produtiva em conjunto com fornecedores locais”, disse o executivo.

Como parte do contrato fechado com os governos estadual e federal, a BYD deverá nacionalizar a produção gradualmente. “Todo o complexo será usado para a prospecção de fornecedores”, disse Baldy.

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A planta de Camaçari deve evoluir gradualmente para produção nacional completa, incluindo estampagem, soldagem, pintura e aumento do conteúdo local, segundo a montadora chinesa.

“O regime de transição para esse processo de montagem contratualmente estabelece o prazo de 12 meses. Portanto, nós teremos 12 meses no regime de montagem SKD para atender a nossa produção local. Passado esse período, queremos em 2026 já nacionalizar essa produção”, afirmou Baldy.

De acordo com o executivo, a projeção da BYD é encerrar o ano com 50 mil carros produzidos em Camaçari, atingindo a marca de 150 mil até 2026, e quadruplicar essa produção ao longo de cinco anos.

Segundo a BYD, o investimento na planta de Camaçari será superior a R$ 5,5 bilhões, e o objetivo é contratar 3 mil novos funcionários até o fim deste ano. 

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Vale destacar que a inauguração da fábrica de Camaçari está sendo realizada em etapas. Assim que o faseamento estiver concluído, a expectativa da BYD é gerar até 20 mil empregos diretos e indiretos.

A expectativa é que, nos próximos 15 meses, a fábrica supere a marca de 4,6 milhões de metros quadrados, consagrando-a como a maior fábrica de veículos elétricos da América do Sul. Essa será também a maior unidade produtiva da BYD fora da Ásia.

*A jornalista viajou a convite da BYD.

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