BYD atrasa abertura de fábrica brasileira, mas diz que quer transformar a Bahia no “Vale do Silício da América Latina”
Chinesa fabricante de carros elétricos apresentou sua estrutura de produção no local onde um dia operou a Ford; montadora aguarda licenças para dar pontapé inicial

A Bahia se tornará o Vale do Silício da América Latina. Esta foi a promessa feita pela vice-presidente global da BYD, Stella Li, nesta terça-feira (1º), durante evento de apresentação da fábrica da montadora chinesa em Camaçari (BA), onde um dia operou a Ford.
“Estamos construindo uma das maiores fábricas dedicadas a veículos de nova energia. Nosso objetivo é fazer com que o Estado da Bahia seja o Vale do Silício da América do Sul”, disse a executiva.
Ainda não se trata, porém, da esperada inauguração da unidade de Camaçari. Isso porque a BYD ainda aguarda aprovações regulatórias para oficialmente dar início às operações, como licença ambiental e alvará do corpo de bombeiros.
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“Esse processo dos últimos 15 meses tem sido tão difícil. Temos encontrado muitos obstáculos, então viemos trabalhando a confiança das autoridades”, afirmou Stella Li. A produção no Brasil foi anunciada em julho de 2023, prevendo um investimento de R$ 3 bilhões no país.
De todas as formas, a “pré-inauguração” da unidade em Camaçari acontece em uma corrida contra o tempo para bater a rival chinesa GWM, que também anunciou fábrica no Brasil e deve começar a produção em Iracemápolis, em São Paulo, já neste mês de julho.
100% brasileiro, só que não
O evento da BYD realizado nesta terça-feira marcou a apresentação do primeiro carro elétrico da montadora chinesa totalmente montado no Brasil: um BYD Dolphin Mini “100% brasileiro”.
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As partes desse veículo vieram prontas da China e só algumas etapas de sua montagem foram feitas aqui no país, num sistema conhecido na indústria automotiva como SKD (semi knocked down). Além disso, o modelo não está liberado para venda comercial; trata-se de um automóvel de teste, que antecede o começo da linha de produção.
O modelo escolhido, o Dolphin Mini, é atualmente o mais barato da BYD no país (cerca de R$ 119 mil), atrás apenas do concorrente Renault Kwid E-Tech (R$ 99.990). Lançado no Brasil em fevereiro de 2024, o menor modelo da fabricante chinesa conquistou o posto de elétrico mais vendido do país, com quase 35 mil unidades comercializadas desde então.
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Quando a produção estiver liberada, as máquinas presentes na unidade de Camaçari devem finalizar também outros dois modelos, só que híbridos: o Song Pro e o King.
Futuramente, a BYD espera lançar por aqui também um modelo com motor híbrido flex, desenvolvido para rodar com a tecnologia elétrica, mas também com gasolina e o etanol brasileiro. No entanto, ainda não há previsão de lançamento.
Plano é nacionalizar a produção gradualmente
A expectativa é que a licença para produção em série saia nos próximos dias ou semanas, segundo Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD no Brasil.
“A velha indústria não está inquieta à toa. Ela perceberá hoje que não viemos aqui só para a montagem de carros. É produção nacional e desenvolvimento no Brasil, com cadeia produtiva em conjunto com fornecedores locais”, disse o executivo.
Como parte do contrato fechado com os governos estadual e federal, a BYD deverá nacionalizar a produção gradualmente. “Todo o complexo será usado para a prospecção de fornecedores”, disse Baldy.
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A planta de Camaçari deve evoluir gradualmente para produção nacional completa, incluindo estampagem, soldagem, pintura e aumento do conteúdo local, segundo a montadora chinesa.
“O regime de transição para esse processo de montagem contratualmente estabelece o prazo de 12 meses. Portanto, nós teremos 12 meses no regime de montagem SKD para atender a nossa produção local. Passado esse período, queremos em 2026 já nacionalizar essa produção”, afirmou Baldy.
De acordo com o executivo, a projeção da BYD é encerrar o ano com 50 mil carros produzidos em Camaçari, atingindo a marca de 150 mil até 2026, e quadruplicar essa produção ao longo de cinco anos.
Segundo a BYD, o investimento na planta de Camaçari será superior a R$ 5,5 bilhões, e o objetivo é contratar 3 mil novos funcionários até o fim deste ano.
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Vale destacar que a inauguração da fábrica de Camaçari está sendo realizada em etapas. Assim que o faseamento estiver concluído, a expectativa da BYD é gerar até 20 mil empregos diretos e indiretos.
A expectativa é que, nos próximos 15 meses, a fábrica supere a marca de 4,6 milhões de metros quadrados, consagrando-a como a maior fábrica de veículos elétricos da América do Sul. Essa será também a maior unidade produtiva da BYD fora da Ásia.
*A jornalista viajou a convite da BYD.
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