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A Azul fará uma oferta bilionária que troca dívidas por ações, na tentativa de limpar o balanço e sair do Chapter 11 nos EUA

O primeiro dia de negociação das ações da Azul com o novo ticker, AZUL54, não foi dos melhores. Os papéis da aérea encerraram o pregão com queda de 58,02%, cotados a R$ 3.400,00 por lote.
Números tão altos podem causar estranheza num primeiro momento, mas fazem parte de uma reestruturação bilionária que visa tirar a Azul da proteção contra falência nos EUA (o Chapter 11) e limpar o balanço patrimonial da companhia.
A mudança do tradicional AZUL4 para o AZUL54 trouxe mais do que um novo código de negociação; alterou a dinâmica operacional dos papéis. As ações preferenciais da aérea agora são negociadas em lotes padrão de 10 mil ações.
A alteração aconteceu por uma necessidade técnica: como o preço unitário da ação está muito baixo, na casa de centavos, os sistemas da B3 não processam. Assim, o preço de "tela" (R$ 3.400,00 no fechamento de terça-feira) representa o valor de 10 mil papéis agrupados.
Na prática, cada ação individual da Azul estava valendo cerca de R$ 0,34 ao final do pregão.
Por trás da queda acentuada das ações e da troca de tickers, a Azul está executando uma transformação na estrutura de capital da companhia. A aérea anunciou uma oferta bilionária de ações, que deve movimentar em torno de R$ 7,44 bilhões.
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Apesar do volume expressivo, a oferta não tem como objetivo principal levantar “dinheiro novo” para financiar a operação do dia a dia. O foco está em algo mais estrutural: limpar o balanço.
A companhia converterá senior notes emitidas no exterior em participação acionária, conforme aprovado em seu plano de recuperação judicial. Com isso, a Azul transforma dívida em capital e acaba com suas ações preferenciais antigas (AZUL4).
Ao transformar credores em acionistas, a aérea reduz significativamente seu endividamento em dólar, melhora seus indicadores financeiros e cria condições mais sustentáveis para continuar a operação após a conclusão do Chapter 11.
O atual acionista controlador da companhia se comprometeu a não exercer o direito de prioridade na oferta. Com isso, após a conclusão da operação, a Azul deixará de ter um acionista controlador ou grupo de controle definido.
A companhia passará a ser uma corporation, com capital pulverizado e controle disperso no mercado.
Embora o plano busque a sustentabilidade da operação a longo prazo, o custo para o acionista atual é alto.
Para viabilizar essa troca, a Azul prevê a emissão de um volume massivo de novos papéis. De acordo com o fato relevante, a emissão será de 723,8 bilhões de ações ordinárias, ao preço de R$ 0,00013527 cada, e outros 723,8 bilhões de ações preferenciais, ao preço de R$ 0,01014509 por papel.
No caso das ações ordinárias, que começarão a ser negociadas em janeiro de 2026 e terão o código AZUL53, o lote padrão é ainda maior, de 1 milhão de ações.
O Bradesco BBI aponta que, dado o preço definido para conversão, a diluição de patrimônio para os acionistas já existentes será grande. A casa tem recomendação de Venda para a companhia aérea e preço-alvo de R$ 0,50 — o equivalente a R$ 5.000 em AZUL54.
Como paliativo, a empresa distribuirá gratuitamente um bônus de subscrição para cada ação. O bônus dará direito à compra de novas ações em janeiro de 2026, por um preço de exercício definido. A conversão poderá ser em 23,08 ações ordinárias (AZUL53) ou 15,54 ações preferenciais (AZUL54).
*Com informações do Money Times.
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