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Aérea pede registro de oferta que transforma dívida em capital e altera a negociação dos papéis na bolsa; veja o que muda
A Azul está prestes a dizer adeus às negociações com as ações AZUL4 na B3. O ticker da aérea começa a sair de cena e abre espaço para uma oferta bilionária de ações que redesenha a estrutura de capital da companhia e marca uma nova fase do processo de reestruturação financeira.
Na última segunda-feira (22), a empresa deu entrada a uma operação que transforma dívida em capital, altera a forma como os papéis passam a ser negociados na bolsa e coloca um ponto final no modelo atual das ações preferenciais da aérea.
A aérea anunciou o pedido de registro para uma oferta bilionária de ações. Ao todo, a transação deve movimentar em torno de R$ 7,44 bilhões.
A operação envolve a distribuição primária de ações ordinárias e preferenciais. Ou seja, os recursos levantados irão diretamente para a estrutura de capital da companhia, mas vão provocar uma diluição brutal nos atuais acionistas.
O movimento é um dos pilares centrais do plano de reestruturação da aérea conduzido sob o Chapter 11 nos Estados Unidos, com foco na capitalização de dívidas financeiras e na reorganização do balanço antes da saída do processo de proteção contra falência.
A mudança mais imediata aparece direto na tela de cotações. A partir de hoje, as ações preferenciais da Azul deixam de ser negociadas sob o ticker AZUL4 e passam a utilizar o novo código AZUL54.
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Mas a alteração vai além do nome. A dinâmica de negociação também muda de forma radical. As ações passam a ser negociadas em um novo lote padrão de 10 mil ações. Os papéis também terão um novo fator de cotação, com o valor em reais multiplicado por 10 mil ações.
Segundo a Azul, as novas ações preferenciais da oferta passarão a ser negociadas a partir do dia 8 de janeiro de 2026.
Já as ações ordinárias, que começarão a ser negociadas em janeiro de 2026, terão o código AZUL53 e um lote padrão ainda maior, de 1 milhão de ações.
Segundo a Azul, a alteração para lotes de negociação foi uma necessidade operacional. O preço por ação definido na oferta é extremamente baixo — R$ 0,01014 para as preferenciais e apenas R$ 0,00013 para as ordinárias.
Como os sistemas da B3 não permitem a liquidação de valores inferiores a um centavo, a solução foi agrupar os papéis em grandes cestas para que o valor total de cada negociação supere esse limite mínimo.
Trata-se de um roteiro semelhante ao que se desenrolou na Gol (GOLL54).
Apesar do volume expressivo, a oferta não tem como objetivo principal levantar “dinheiro novo” para financiar a operação do dia a dia. O foco está em algo mais estrutural: limpar o balanço.
Ao transformar credores em acionistas, a Azul reduz significativamente seu endividamento em dólar, melhora seus indicadores financeiros e cria condições mais sustentáveis para a continuidade da operação após a conclusão do Chapter 11.
Em outras palavras, é uma clássica troca clara de dívida por capital, usual em processos de reestruturação profunda.
O coração da operação está na capitalização obrigatória de dívidas de titulares de notas seniores (Senior Notes) com vencimento entre 2028 e 2030.
Vale destacar mais uma vez que os acionistas que não participarem da oferta sofrerão uma diluição brutal.
“A oferta está inserida na reestruturação da companhia e, conforme as principais etapas definidas, representa a primeira oferta pública de registro dentre as duas ofertas públicas planejadas", disse a Azul. “A realização de captações adicionais na próxima oferta pública de ações poderá expor os acionistas e investidores profissionais que subscreverem e integralizarem ações nesta oferta ao risco de diluição relevante.”
O atual acionista controlador da companhia se comprometeu a não exercer o direito de prioridade na oferta. Com isso, após a conclusão da operação, a Azul deixará de ter um acionista controlador ou grupo de controle definido.
Na prática, a companhia passará a ser uma corporation, com capital pulverizado e controle disperso no mercado.
Para viabilizar essa troca, a Azul prevê a emissão de um volume massivo de novos papéis. De acordo com o fato relevante, serão emitidas 723,8 bilhões de ações ordinárias, ao preço de R$ 0,00013527 cada, e outros 723,8 bilhões de ações preferenciais, ao preço de R$ 0,01014509 por papel.
Com esses valores, o montante total da oferta chega aos R$ 7,44 bilhões. A maior parte desse volume, cerca de R$ 7,34 bilhões, está concentrada nas ações preferenciais, enquanto aproximadamente R$ 97,9 milhões correspondem às ações ordinárias.
A estrutura da operação foi desenhada em duas frentes. Há uma oferta prioritária, destinada aos atuais acionistas, e uma oferta institucional, voltada a investidores profissionais — pessoas físicas ou jurídicas com investimentos financeiros superiores a R$ 10 milhões — além de credores que participarão da capitalização de dívidas.
Como incentivo adicional, a Azul distribuirá gratuitamente um bônus de subscrição para cada ação subscrita na oferta.
Cada bônus dará direito à compra de novas ações em um curto período de janeiro de 2026, por um preço de exercício definido, e poderá ser convertido em 23,08 ações ordinárias ou 15,54 ações preferenciais.
*Com informações do Money Times.
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