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NEGÓCIO INDIGESTO

Quando nem o Oráculo acerta: Warren Buffett admite frustração com a separação da Kraft Heinz e ações desabam 6% em Nova York

A divisão da Kraft Heinz marca o fim de uma fusão bilionária que não deu certo — e até Warren Buffett admite que o negócio ficou indigesto para os acionistas

Frascos de ketchup Heinz
Frascos de ketchup Heinz - Imagem: Shutterstock

O “Oráculo de Omaha” está desapontado. Em entrevista à CNBC nesta terça-feira (2), Warren Buffett afirmou que a cisão da Kraft Heinz representa o fim de uma fusão que ele próprio ajudou a arranjar uma década atrás. 

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O mercado reagiu de imediato: as ações KHC, da Kraft Heinz, caíam cerca de 6,72% em Nova York, por volta das 11h45 (horário de Brasília), valendo US$ 26,08.

Com 27,5% de participação, a Berkshire Hathaway continua sendo a maior acionista da Kraft Heinz. Desde a fusão de 2015 entre a Kraft Foods e a H.J. Heinz, a holding não mexeu em sua posição, apesar das turbulências que a empresa enfrentou ao longo dos anos.

Buffett disse à CNBC que a união não foi o “negócio brilhante” que imaginava. Mas, para ele, a solução também não está em desmembrar o grupo em duas companhias — uma voltada a molhos, pastas e refeições de longa duração e outra dedicada a clássicos norte-americanos como Oscar Mayer, Kraft Singles e Lunchables.

Buffett + Lemann: do sonho ao pesadelo 

A fusão que criou a Kraft Heinz nasceu sob grandes expectativas. A Berkshire Hathaway, de Warren Buffet, se uniu à 3G Capital, de Jorge Paulo Lemann, para formar um gigante global de alimentos. Mas o roteiro não saiu como planejado.

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Poucos anos após o negócio, as vendas nos EUA começaram a minguar. O consumidor norte-americano, cada vez mais atento à saúde, passou a evitar produtos ultraprocessados, enfraquecendo marcas tradicionais da companhia. 

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Além disso, cortes de custos considerados excessivos reduziram a capacidade de investir em inovação e marketing — justamente no momento em que as marcas precisavam se reinventar.

Enquanto a 3G vendeu gradualmente sua fatia até sair de vez em 2023, a Berkshire manteve-se firme no investimento, mesmo depois de admitir publicamente que pagou caro demais pelo ativo. 

De lá para cá, a ação despencou cerca de 70%, levando o valor de mercado da Kraft Heinz a US$ 33 bilhões.

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Kraft (sem) Heinz — mas com Berkshire

Nos últimos anos, a companhia tentou reverter a má fase com vendas de ativos — como a marca Planters e parte da divisão de queijos — e apostas em ícones ainda fortes, como Lunchables e Capri Sun, marcas grandes nos EUA. 

Mais recentemente, executivos sinalizaram que novas transações estratégicas estavam no radar. Mas não se sabem detalhes do que seriam essas transações. 

Greg Abel, sucessor de Buffett no comando da Berkshire a partir de 2026, também compartilha a frustração em relação ao desfecho da Kraft Heinz, segundo o próprio megainvestidor.

Apesar das perdas e do desapontamento, Buffett deixou claro que não pretende tomar decisões precipitadas. “A Berkshire fará o que for melhor para a companhia”, disse ao jornal norte-americano. E deixou um recado aos interessados: se houver propostas de compra, não haverá tratamento preferencial — qualquer oferta deve valer para todos os acionistas.

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*Com informações da CNBC Internacional.

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