Ouro bate recorde pelo segundo dia seguido e supera US$ 3.600. Hype ou porto seguro?
A prata segue a mesma trajetória de ganhos e renova o maior nível em 14 anos a US$ 42,29 a onça-troy; saiba se vale a pena entrar nessa ou ficar de fora

O ouro bateu recorde nesta quarta-feira (3) pela segunda sessão consecutiva e levou com ele a prata, que renovou máxima em 14 anos. O que pode parecer um hype, é uma tendência que veio para ficar — basta ver que, pela primeira vez desde 1996, os bancos centrais estrangeiros passaram a deter mais ouro do que títulos do Tesouro dos EUA.
Na Comex, divisão de metais da bolsa de Nova York (Nymex), o ouro com vencimento em dezembro encerrou em alta a 1,21%, a US$ 3.635,50 por onça-troy, renovando maior nível histórico de fechamento, além de recorde de máxima a US$ 3.636,80 a onça-troy.
Os gatilhos para a alta incluem a expectativa de cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) e demanda por segurança em um ambiente global incerto. Além disso, o ouro se beneficia da fraqueza do dólar no exterior — o que também tende a baratear a aquisição da commodity para detentores de outras divisas.
- VEJA MAIS: Onde investir em setembro? Veja GRATUITAMENTE as recomendações em ações, dividendos, fundos imobiliários e BDRs para comprar agora
Mesmo com a quebra de recordes seguidos, Matheus Spiess, analista da Empiricus Research, mantém a recomendação de ter ouro na carteira. “É uma recomendação antiga da casa; mais do que dobrou de valor desde então. Em uma abordagem de alocação, como proteção, ainda acredito que precisamos ter uma parte dos investimentos em ouro”, afirma.
A TD Securities pondera que o rali nos preços do ouro reflete a entrada de investidores com "medo de perder" a oportunidade, gerando um aumento na participação de fundos macro.
Uma análise do Bank of America (BofA) mostra que o metal precioso foi a classe de ativo com a melhor performance em agosto, com alta de 3,95% ante o mês anterior, em uma comparação com o mercado acionário, de títulos e outras categorias de investimento.
Leia Também
O corte de juros nos EUA
O relatório Jolts, que mostrou uma criação de emprego mais fraca do que o esperado nos EUA, e comentários de dirigentes do Fed reforçaram a expectativa por cortes de juros por lá. A taxa referencial está sendo mantida na faixa entre 4,25% e 4,50% ao ano desde dezembro.
O diretor do Fed, Christopher Waller, um dos dissidentes que voltou em favor de um corte de 0,25 ponto percentual (pp) na decisão de julho, voltou a defender uma redução na taxa em setembro e disse ver múltiplas reduções nos próximos meses.
Mais cauteloso, o chefe do Fed de Atlanta, Raphael Bostic, projeta um corte de 0,25 pp em algum momento até o final do ano. Já Alberto Musalem, do Fed de St. Louis, argumentou que o BC norte-americano deve adotar uma abordagem "equilibrada" mesmo com os riscos de baixa para o emprego, tendo em vista os múltiplos riscos associados caso ocorra uma falha em cumprir a meta de inflação em 2%.
Para o analista da FP Markets Aaron Hill, este cenário amplia o apetite pelo ouro. "O metal precioso está avançando conforme investidores procuram refúgio em ativos seguros", escreveu Hill.
O Swissquote também avalia que a saída de capital de ativos de risco e de títulos está beneficiando alternativas, destacando também os ganhos da prata.
Ouro: mais que porto seguro, uma mudança de paradigma
A crescente expectativa de corte de juros nos EUA e a intensificação das incertezas em torno do próprio Fed é agravado pelas turbulências econômicas e comerciais derivadas da política tarifária de Donald Trump, que reforçam a procura por ativos de proteção.
Mas esses movimentos não impulsionam sozinhos os recordes do ouro. A atuação dos bancos centrais, que seguem ampliando as reservas no metal precioso como instrumento de diversificação de portfólio e defesa contra riscos sistêmicos, também é fundamental.
Em relatório assinado em conjunto com Felipe Miranda, CIO e estrategista-chefe da Empiricus, Spiess diz que esse movimento dos BCs ao redor do mundo revela uma transformação significativa no padrão de confiança global.
“Para os que acreditam que essa onda de compras estaria perto do fim, a história serve de alerta: nos anos 1970, movimentos semelhantes antecederam mudanças estruturais no sistema monetário internacional. Assim, o ciclo atual não deve ser interpretado como um evento pontual ou passageiro, como o início de um dos reequilíbrios mais profundos e relevantes da ordem econômica mundial das últimas décadas”, dizem.
Para Miranda e Spiess, o comportamento institucional reforça a leitura de que, em um mundo marcado pela maior volatilidade econômica e geopolítica, o ouro segue como um dos poucos ativos capazes de unir preservação de valor e independência frente ao dólar.
“[O ouro] é o único totalmente independente do controle do Tesouro norte-americano, atributo que reforça a atratividade em períodos de instabilidade”, afirmam Miranda e Spiess.
Vale lembrar que a participação do dólar nas reservas internacionais vem encolhendo de forma consistente, alcançando agora apenas 42% do total — o menor patamar em várias décadas.
“Esse movimento reflete a perda gradual de protagonismo do dólar como principal ativo de reserva global. Em paralelo, o ouro segue em trajetória firme de valorização. O metal precioso reassume, assim, seu papel histórico de porto seguro”, acrescentam os analistas da Empiricus.
ONDE INVESTIR EM SETEMBRO: Melhores ações, pagadoras de dividendos, FIIs, e criptomoedas
Vale a pena comprar ações de mineradoras?
As mineradoras de ouro atravessam um momento singular, segundo a Empiricus, operando com margens historicamente elevadas em função da expressiva valorização do metal nos últimos meses.
Apesar do ambiente favorável, a casa destaca que grande parte dessas companhias ainda é negociada no mercado acionário como se o preço do ouro estivesse próximo a US$ 2.000 por onça, um patamar significativamente abaixo do atual.
“Essa discrepância entre os fundamentos e a precificação sugere que o setor pode estar diante de uma oportunidade de reavaliação. Em outras palavras: à medida que o mercado reconhece a nova dinâmica de preços e margens, há espaço para um potencial re-rating das ações, corrigindo a defasagem e refletindo de forma mais adequada o cenário vigente”, dizem Miranda e Spiess.
- LEIA TAMBÉM: Quer investir melhor? Receba as notícias mais relevantes do mercado financeiro com o Seu Dinheiro; cadastre-se aqui
A prata vai brilhar como ouro?
Enquanto os investidores admiram o brilho do ouro, a prata também dá sinais de que está ganhando fôlego, com potencial para retomar a trajetória em direção às máximas históricas.
“Não é apenas o ouro que tem atraído atenção dos mercados. A prata também voltou a brilhar. Na semana passada, o metal ultrapassou a marca de US$ 40 por onça, algo que não acontecia há mais de 14 anos”, dizem Miranda e Spiess.
Nesta quarta-feira (3), a prata para dezembro teve ganho de 1,13%, a US$ 42,06 a onça-troy, renovando o maior nível em 14 anos, quando tocou os US$ 42,29 a onça-troy.
MAIS INCERTEZA COM 'ONDA AZUL'
A guerra no Irã vai acabar? O que as eleições nos EUA podem mudar no preço do petróleo
5 de novembro de 2026 - 19:37DA FESTA AO ENTERRO
‘Onda azul’ na urna, ‘onda vermelha’ na bolsa: o fantasma que derrubou Wall Street após a vitória democrata
5 de novembro de 2026 - 19:09PROMOÇÃO?
Fundos imobiliários vivem maior desconto da história. Pechincha ou armadilha?
5 de novembro de 2026 - 18:01AÇÃO DO MÊS
É hora de ser defensivo: veja a ação mais recomendada para proteger a sua carteira no pós-eleição
5 de novembro de 2026 - 11:57REFORÇO NO CAIXA
Fundo imobiliário pode embolsar R$ 160 milhões com venda de fatias de shoppings; veja ganho por cota
5 de novembro de 2026 - 9:15REAÇÃO AO RESULTADO
Nem todo mundo quer comprar Itaú: por que ITUB4 ainda não convenceu todos os analistas após o 3T26
4 de novembro de 2026 - 16:23VIRADA HISTÓRICA
‘Onda azul’ faz Wall Street disparar, mas vitória democrata pode trazer nova dor de cabeça para Trump
4 de novembro de 2026 - 14:01VISÃO DO GESTOR
O mercado desistiu do Brasil? Gestores reduzem apostas em bolsa e reforçam dólar antes do Copom
4 de novembro de 2026 - 13:15CHAVES NA MÃO
Fundo imobiliário BTLG11 embolsa R$ 56 milhões com venda de fatia de galpão; veja lucro por cota e detalhes da operação
4 de novembro de 2026 - 9:56BOLSA SOB PRESSÃO
Depois de tombo de 10%, XP fica mais cautelosa com a bolsa brasileira, mas aponta 10 ações para investir
3 de novembro de 2026 - 14:02SD ENTREVISTA
Dólar dispara, bolsa cai e Itaú muda a estratégia: chefe de recomendações do banco diz onde investir após as eleições
3 de novembro de 2026 - 13:29REDUÇÃO DA ALAVANCAGEM
Alívio na dívida? CSN (CSNA3) sobe 4% com avanço na venda da divisão de cimentos — mas ainda há desafios no radar
3 de novembro de 2026 - 12:49EX-PACMAN DOS FIIS?
Após onda de compras, ‘Pacman dos FIIs’ coloca imóveis à venda por R$ 530 milhões; veja lucro por cota
3 de novembro de 2026 - 9:39FIM DA GUERRA?
Petróleo fecha em queda de mais de 7% com expectativa de acordo para encerrar guerra no Oriente Médio
2 de novembro de 2026 - 16:19TOUROS E URSOS
Como será o amanhã? As perspectivas para seus investimentos após a eleição e a sangria dos mercados
2 de novembro de 2026 - 13:05CONFIRA
Atenção, investidor: B3 amplia horário de negociação a partir de terça-feira (3)
31 de outubro de 2026 - 18:07ENTENDA O CENÁRIO
JP Morgan faz alerta sobre o Banco do Brasil (BBAS3) e aponta desafio para o próximo trimestre
31 de outubro de 2026 - 13:15ENTRE MORTOS E FERIDOS
Sangria na bolsa deixa varejo e construção civil entre os setores mais castigados, mostra EQI
31 de outubro de 2026 - 9:15SANGRIA NOS MERCADOS
Ibovespa tem pior semana desde março de 2020 e arrasta desempenho mensal para vermelho, com um feito inesperado
30 de outubro de 2026 - 18:23ZERO A ZERO?