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Carolina Gama

Formada em jornalismo pela Cásper Líbero, já trabalhou em redações de economia de jornais como DCI e em agências de tempo real como a CMA. Já passou por rádios populares e ganhou prêmio em Portugal.

APERTEM OS CINTOS!

O pior está por vir? As ações que mais apanham com as tarifas de Trump ao Brasil — e as três sobreviventes no pós-mercado da B3

O Ibovespa futuro passou a cair mais de 2,5% assim que a taxa de 50% foi anunciada pelo presidente norte-americano, enquanto o dólar para agosto renovou máxima, subindo mais de 2%

Carolina Gama
9 de julho de 2025
20:19 - atualizado às 13:53
Imagem de um gráfico de bolsa com a bandeira dos EUA ao fundo e os logos da Weg e da Embraer em azul
Imagem: DAll E / ChatGPT/ Montagem: Seu Dinheiro

Entre mortos e feridos, salvaram-se poucos. Para ser mais precisa, apenas três ações conseguiram sobreviver ao anúncio da tarifa de 50% dos EUA aos produtos do Brasil no pós-mercado da B3 desta quarta-feira (9) — e o pior pode estar por vir quando as negociações regulares começarem nesta quinta-feira (10). 

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A bolsa brasileira encerrou o pregão estendido de quarta-feira com um giro financeiro de R$ 229,258 milhões e 36.412 negócios. No dia anterior, o volume financeiro do pós-mercado foi de R$ 50,040 milhões e 15.848 negócios.

O Ibovespa futuro passou a cair mais de 2,5% assim que a tarifa de 50% foi anunciada pelo presidente norte-americano, Donald Trump, enquanto o dólar para agosto renovou máxima a R$ 5,603, subindo mais de 2%. Os juros futuros de médio e longo prazo também renovaram máximas, abrindo mais de 20 pontos-base. Você pode conferir a reação do mercado brasileiro aqui

Nesse cenário de guerra (comercial), apenas três ações apresentaram alta no after market da B3: Braskem (BRKM5), que avançou 4,73%; Vamos, que subiu 0,77%; e Totvs, que ganhou 0,50%.

O movimento pode dar uma pista do que pode pode acontecer na sessão regular desta quinta-feira (10), que deve ser tomada por uma aversão ao risco.

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Para Danilo Igliori, economista-chefe da Nomad, diz que o anúncio de Trump sobre o Brasil tem tudo para elevar a incerteza sobre o cenário econômico com o consequente aumento de volatilidade nos mercados.

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“Cenários com aceleração da inflação e perda de atividade devem voltar ao radar mas, de qualquer forma, o modo do compasso de espera deve permanecer ativado por mais um tempo”, afirma. 

Igliori ressalta, no entanto, que dado o histórico, analistas e agentes econômicos deverão especular sobre a credibilidade dessas novas medidas. 

“Será que dessa vez vai ser para valer ou é mais uma cartada [de Trump] para incentivar negociações que até o momento ficaram restritas a poucos países”, diz. 

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Brasil: as ações que mais devem apanhar após as tarifas

É difícil imaginar, embora não seja impossível de acontecer, que as ações brasileiras escapem dos efeitos do anúncio da tarifa de 50% de Trump sobre os produtos nacionais. 

A tendência é de que os ativos brasileiros sejam penalizados de modo geral, mas, na linha de frente devem estar as grandes exportadoras brasileiras — petroleiras, frigoríficos, Embraer (EMBR3) e WEG (WEGE3) possivelmente aparecerão no pregão desta quinta entre as maiores quedas do mercado. 

Basta ver o que aconteceu com os American Depositary Receipts (ADRs) da Embraer no after hours desta quarta-feira em Nova York

A fabricante de aviões já foi penalizada no pregão regular, caindo 3,62% na B3 e 4,08% na  bolsa de Nova York depois que Trump disse que poderia anunciar uma tarifa adicional ao Brasil em 24 horas. 

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Quando o anúncio se tornou oficial, o papel da Embraer acelerou as perdas no after hours e passou a ceder quase 7%. 

Além da Embraer, as maiores perdas se concentravam na Vale, que recuava 1,83% e na Petrobras. O ADR equivalente às ações PN da petroleira baixavam 1,71% e os das ON tinham queda de 1,24%.

De acordo com Jorge Ferreira dos Santos Filho, economista e professor de administração da ESPM, a medida deve impactar diretamente setores estratégicos da economia brasileira. 

“A indústria de base, especialmente a siderurgia, além do agronegócio e do setor têxtil, tendem a ser os mais atingidos”, afirma. 

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Santos alerta ainda para possíveis efeitos secundários sobre os juros e o câmbio. “A percepção de aumento do risco Brasil pode pressionar a curva de juros e dificultar o início da tão esperada queda da Selic no segundo semestre. Se esse cenário persistir, é possível que a taxa permaneça em torno de 15% por mais tempo do que o previsto.”

O economista também projeta uma desaceleração econômica provocada pela queda nas exportações e pelo aumento da aversão ao risco entre investidores internacionais.

“Com a fuga de capitais, o dólar tende a subir, já que os investidores passam a priorizar ativos mais seguros, como os títulos do Tesouro norte-americano, em vez de investir no Brasil.”

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