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Nubank surpreendeu com um crescimento forte do lucro e da rentabilidade, além de um recorde de receitas, mas deixou a desejar no que diz respeito à margem financeira
Os investidores veem as ações do Nubank (ROXO34) passarem de roxo para vermelho em Wall Street nesta sexta-feira (21).
Os papéis NU fecharam o dia com queda e 18,99% em Nova York, negociados a US$ 10,82. Na B3, ROXO34 acompanhou o movimento, com queda de 15,08%, cotada a R$ 10,36.
Ontem, no after market, as ações chegaram a cair 9% nem Nova York.
A reação negativa dos papéis acompanha a repercussão ao balanço misto do quarto trimestre de 2024, divulgado na noite passada.
No entanto, a fintech deixou a desejar no que diz respeito à margem financeira líquida (NIM, na sigla em inglês).
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A margem financeira caiu mais do que o esperado no fim de 2024, pressionada pelo câmbio, crescimento mais forte em empréstimos garantidos e custos de financiamento mais altos no México.
“Isso, combinado com a mensagem de que o financiamento Pix provavelmente não começará a crescer sua penetração nos próximos um a dois trimestres, é provavelmente a razão pela qual a ação está em queda hoje”, avaliou o BTG Pactual.
O recuo na NIM também é explicado pela mudança na mistura do portfólio de cartões de crédito em direção a perfis de risco melhores.
Em teleconferência com analistas, a gestão do Nu deixou claro que prefere focar na geração de valor a longo prazo, mesmo que isso prejudique os resultados de curto prazo.
O banco voltou a afirmar que a otimização de sua relação de empréstimo para depósito será o principal motor de uma melhor margem financeira líquida.
Há a expectativa de aceleração do crescimento dos empréstimos garantidos, que incluem produtos distribuídos entre folha de pagamento pública, FGTS e empréstimos respaldados por investimentos — isso sem falar no potencial de valorização do mercado de consignado privado que está em desenvolvimento.
A administração também explicou que o crescimento dos empréstimos, particularmente a expansão de produtos não garantidos, requer disciplina e não acelerará a originação apenas para compensar o crescimento dos depósitos.
Na avaliação do BTG, os números do Nubank ficaram um pouco abaixo das expectativas, especialmente se considerar a valorização significativa da ação desde o início do ano, na casa dos dois dígitos.
Os analistas do BTG avaliam ainda que o negócio no Brasil está cada vez mais mostrando sinais de maturidade, com “menos espaço para crescimento, especialmente em cartões de crédito, onde eles decifraram o código”.
A gestão do Nubank, no entanto, afirma que a atual participação de mercado de 14% do Nu em cartões de crédito está “significativamente abaixo de seu potencial”.
“O Nubank está correndo uma maratona, focando em impulsionar o potencial de longo prazo, um objetivo que acreditamos estar profundamente conectado à internalização da empresa, embora acreditemos que as expectativas gerais de curto prazo possam ser um pouco altas demais”, disseram os analistas.
Ainda que mantenha visão construtiva sobre a tese de investimento no Nubank, o BTG continuou com recomendação neutra para as ações do banco digital devido ao atual patamar de valuation.
O JP Morgan também vê negativamente o balanço do Nubank no quarto trimestre, com lucro antes dos impostos, receitas de juros líquidas e provisões aquém das expectativas dos analistas, que já estavam mais conservadores do que o consenso de mercado.
“Embora isso não mude a boa tese de longo prazo, foi um trimestre mais fraco considerando a alta expectativa usual para o Nubank, que está sendo negociado a um múltiplo de 19 vezes o preço sobre lucro previsto para 2026”, disse o JP Morgan.
Segundo o banco norte-americano, a maioria dos analistas de mercado deve convergir para expectativas mais contidas de lucro após o resultado do 4T24.
O JP Morgan também tem recomendação neutra para as ações do Nubank negociadas em Wall Street.
Na contramão dos outros bancos, o Goldman Sachs afirmou que permanece otimista com a combinação de crescimento e rentabilidade do Nubank no futuro.
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