Maiores quedas do Ibovespa: Rumo (RAIL3), Raízen (RAIZ4) e Cosan (CSAN3) sofrem na bolsa. O que acontece às empresas de Rubens Ometto?
Trio do grupo Cosan despenca no Ibovespa após balanços fracos e maior pressão sobre a estrutura financeira da Raízen

A Cosan (CSAN3), sua subsidiária Rumo (RAIL4) e a Raízen (RAIZ4) — empresa co-controlada pela holding em parceria com a Shell — estão entre as maiores quedas do Ibovespa após a divulgação de seus respectivos balanços na última sexta-feira (14), enquanto investidores repercutem os números apresentados.
A Rumo era a maior queda do índice por volta das 14h30, com perdas de 5,33%. Já a Raízen desvalorizava 2,3% no mesmo horário, no quarto lugar entre as maiores quedas, enquanto a Cosan caía 1,13%.
Abaixo, o Seu Dinheiro lista quais foram os problemas de cada um dos balanços, de acordo com os analistas.
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O que o mercado não gostou no balanço da Rumo (RAIL3)?
Segundo analistas do Safra, o resultado trimestral da transportadora ferroviária da Cosan foi negativo.
“O resultado operacional fraco foi agravado por um aumento de 45,5% nas despesas financeiras líquidas na base anual, impulsionada por taxas de juros mais altas e um aumento de 46,5% na dívida líquida”, escreveram Luiz Peçanha e Arthur Godoy, em relatório.
A dupla também destacou a queda de 6,3% na tarifa consolidada, ficando 3,2% abaixo da estimativa do banco. “Os resultados foram impulsionados por maiores volumes transportados, conforme já divulgado. Entretanto, isso foi ofuscado pela queda na tarifa média”, diz o relatório publicado.
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Por outro lado, o lucro líquido de R$ 733 milhões ficou 6,4% acima da projeção do banco, mas considerando alguns ajustes.
“O desvio positivo em relação à nossa estimativa pode ser amplamente atribuído a uma indenização de R$ 55 milhões reconhecida pela Rumo Malha Sul, ligada a eventos climáticos no Rio Grande do Sul. Excluindo esse item não recorrente, o lucro líquido ajustado cairia 12,2% ano a ano, para R$ 697 milhões, ficando amplamente em linha com nossa estimativa e o consenso”, diz o relatório.
Apesar disso, a recomendação do banco para a ação segue como compra, com preço-alvo de R$ 21,80 — o que representa um potencial de valorização de 32% sobre o fechamento da última sexta-feira (14).
O que ‘deu ruim’ para a Raízen (RAIZ4)?
Na última sexta-feira (14), a empresa divulgou um prejuízo de R$ 2,3 bilhões no segundo trimestre da safra 2025/2026 (2T26).
Para a XP Investimentos, os resultados foram adequados tanto em lucro quanto em fluxo de caixa livre (FCF). No entanto, isso ainda não é o bastante para dissipar as preocupações do mercado sobre a estrutura de capital da companhia.
O resultado vem em meio a fortes pressões sobre a Raízen, que vem entregando uma sequência de resultados fracos e endividamento altíssimo. Além disso, os negócios de açúcar, etanol e combustíveis não estão indo bem, enquanto o cenário de commodities e clima não ajudou.
Com isso, o mercado passou a duvidar da capacidade da empresa de entregar crescimento e reduzir a dívida no ritmo necessário.
Segundo os analistas da XP, o Ebitda ajustado veio fraco, refletindo dificuldades nos segmentos S&E (açúcar e etanol) e Mobilidade Argentina, que ofuscaram o desempenho robusto de Mobilidade Brasil. Ainda assim, o indicador ficou em linha com as estimativas, totalizando R$ 3,2 bilhões.
Apesar disso, o fluxo de caixa livre (FCF, na sigla em inglês) surpreendeu positivamente. Pelas contas da XP, incluindo forfaits (antecipação de recebíveis) e leasing (aluguel de longo prazo de máquinas/equipamentos), a dívida líquida caiu R$ 745 milhões frente à expectativa de consumo de caixa, refletindo:
- redução relevante de Capex (investimentos),
- entradas de caixa provenientes da venda de ativos (dos cerca de R$ 5 bilhões anunciados, mais ou menos R$ 1 bilhão já entrou para a empresa, e o restante deve ser recebido até o fim da safra 2025/26, segundo a administração).
Segundo a XP, apesar da queda da dívida líquida, o indicador dívida líquida sobre Ebitda projetado — que mede quanto tempo a empresa levaria para pagar sua dívida — subiu para 4,5 vezes, pressionado pela redução dos lucros.
E o maior problema da Cosan é justamente a Raízen
A Cosan registrou um prejuízo líquido de R$ 1,1 bilhão no terceiro trimestre de 2025, revertendo o número positivo de R$ 293 milhões do mesmo período do ano passado.
A companhia atribuiu a queda do seu resultado principalmente à menor contribuição da equivalência patrimonial — linha do balanço que registra o desempenho das empresas nas quais a holding tem participação. No trimestre, essa conta ficou negativa em R$ 482 milhões, puxando o lucro consolidado para baixo.
Segundo a companhia, a diferença em relação ao mesmo período de 2024 — uma piora de R$ 1,4 bilhão — se explica, em grande parte, pelo desempenho mais fraco do segmento de etanol, açúcar e bioenergia (EAB) dentro da Raízen. Nesse negócio, a redução dos volumes vendidos afetou o resultado operacional e, consequentemente, o montante que a Cosan reconhece por meio da equivalência patrimonial.
A holding também destacou o impacto do impairment de ativos que a Raízen decidiu reclassificar para “disponíveis para venda”.
Quando isso acontece, a empresa precisa revisar o valor desses ativos, geralmente para baixo — um ajuste que entra diretamente no resultado e diminui ainda mais a contribuição das participações da Cosan. Esses dois fatores combinados explicam o recuo expressivo no balanço do período.
A sucroalcooleira vem, sequencialmente, impactando os resultados da holding, e os executivos da controladora prometem se dedicar a resolver a situação.
“Nós entendemos a urgência de encontrar soluções necessárias para a estrutura de capital da Raízen”, afirmou o CEO da Cosan, Marcelo Martins, durante teleconferência de resultados.
“As nossas conversas com a Shell têm evoluído bastante. Em determinados aspectos do que a gente imagina que sejam as soluções adequadas, evoluímos muito. Hoje nós temos um direcionamento mais claro do que tínhamos semanas atrás”.
No entanto, o CEO contou que, por ora, não há um acordo final para divulgar ao mercado.
A Cosan já realizou duas ofertas públicas de ações recentemente, a primeira de R$ 9 bilhões e a segunda de R$ 1,4 bilhão, com sinalizações de que parte do capital da última seria destinada a Raízen.
Porém, há a necessidade de se chegar a um acordo com a Shell, que controla a sucroalcooleira junto com a holding brasileira.
Com informações do Money Times
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