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Gestor do lendário fundo Verde vê como “assustador” sinal do governo de que investidor precisa pagar pedágio para comprar dólar
Assustador. Foi deste modo que Luis Stuhlberger, o gestor do lendário fundo Verde, classificou a decisão do governo de aumentar o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para diversas transações.
“Foi uma aula de psicologia gratuita do que o PT pensa de nós”, afirmou Stuhlberger durante apresentação a investidores e clientes no evento anual da gestora.
Para ele, a medida é “terrível” ao indicar a intenção do governo de seguir gastando, além de aumentar o custo dos empréstimos para as pequenas e médias empresas.
Porém, o mais assustador para Stuhlberger é a visão que o governo transmite em relação ao dólar, ao indicar que o investidor precisa pagar um “pedágio” se quiser comprar a moeda norte-americana.
O gestor também mostrou ceticismo com uma possível derrubada do aumento do IOF pelo legislativo. Mas diante da pressão por mudanças, Stuhlberger espera a reversão de parte das medidas, em particular as que atingem os empresários.
Por outro lado, uma possível derrubada do IOF agora poderia agravar ainda mais a percepção fiscal, diante da perda da arrecadação potencial. “Ruim com ele, pior sem ele.”
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Para além da análise sobre os impactos do IOF, o gestor do fundo Verde se mostrou preocupado em particular com o que a medida em si diz sobre o governo atual.
Na visão de Stuhlberger, deveria haver um aumento na precificação de um risco de cauda negativo no caso de o PT vencer as eleições do ano que vem.
“A Faria Lima não acredita que o PT vai ganhar. Mas e se ganhar?”, questionou.
Ainda sobre o aumento do IOF, Stuhlberger afirmou que a medida tem menos relação com a meta fiscal do que com o desejo do governo de ampliar os gastos, incluindo o reajuste do Bolsa Família. O governo, porém, negou que haja estudos nessa linha.
O risco fiscal é uma das forças antagônicas que movem a bolsa e o dólar nos primeiros meses deste ano, de acordo com o CEO e CIO da Verde Asset.
Se de um lado a questão fiscal preocupa, do outro dois fatores contribuem para o bom desempenho dos ativos brasileiros. Um deles é o cenário externo, com as medidas de Donald Trump levando a uma realocação dos recursos para outros países.
A bolsa e o dólar também mostram reação positiva ao chamado “trade eleitoral”, segundo Stuhlberger. Para ele, uma forma de enxergar esse movimento não está no desempenho do Ibovespa, mas das ações de concessionárias de serviços públicos (utilities), que sobem 35% neste ano.
De modo geral, o mercado vê uma derrota de Lula e do PT nas eleições do ano que vem como positiva para os ativos brasileiros. Desse modo, as pesquisas de popularidade do presidente acabaram "fazendo preço".
Durante a apresentação, Stuhlberger mostrou um gráfico com as avaliações negativas de vários presidentes no primeiro mandato desde Fernando Henrique Cardoso.
De todos eles, Lula e Bolsonaro são os que apresentam o pior desempenho entre os que buscavam a reeleição, com uma trajetória semelhante.
No caso do ex-presidente, os índices de rejeição até melhoraram no último ano de governo, mas não o suficiente para garantir a reeleição. “Quem tem mais de 40% de avaliação negativa não ganha.”
É justamente a expectativa de mudança de governo que deixou o mercado mais complacente em relação ao risco fiscal, de acordo com Stuhlberger.
Em parte, ele atribui esse comportamento ao que ocorreu na Argentina, que criou a sensação de que “se o Milei conseguiu, o Tarcísio também consegue”.
O hedge (proteção) contra uma piora do cenário brasileiro garantiu mais um ano de rentabilidade acima do CDI ao lendário fundo Verde em 2024.
Logo no início da apresentação aos investidores, Stuhlberger fez questão de mostrar que o Verde superou o indicador de referência por três anos seguidos. E isso apesar do momento difícil para a indústria de fundos.
Entre as principais posições hoje, o fundo está aplicado (apostando em uma queda maior que a esperada pelo mercado) em juros reais.
Após a alta recente, o gestor vê pouco espaço para altas adicionais da bolsa. Isso porque o prêmio de risco para os títulos públicos hoje está em níveis abaixo da média histórica.
Stuhlberger também abriu o percentual da tão falada exposição em bitcoin, que hoje está em 2,5% da carteira.
Apesar do bom desempenho recente do carro-chefe, a Verde sofreu resgates, assim como boa parte da indústria de fundos, e hoje possui aproximadamente R$ 17 bilhões sob gestão.
Para o BBA, as preocupações com a alavancagem têm pressionado o desempenho da CSN. No ano, a CMIN3 caiu 7%, enquanto a Vale (VALE3) subiu 20%
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