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Fundos listados pelo banco tem estimativas de rendimento com dividendos de até 14,7% em 12 meses
Que a renda fixa oferece ótimos retornos com juros e inflação nas alturas, todo mundo sabe. Acontece que essa máxima também se aplica a uma classe específica dos Fundos Imobiliários (FIIs): os FIIs de papel.
Esses fundos investem principalmente em Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), que são títulos de renda fixa lastreados em dívidas do setor imobiliário.
Quando os juros — medido pelo CDI — e a inflação — medida pelo IPCA — estão altos, os CRIs oferecem bons retornos nos títulos, que se convertem em dividendos elevados para os cotistas de FIIs.
Neste momento, são justamente esses os fundos imobiliários preferidos pelo Santander.
No guia de FIIs do segundo trimestre, elaborado pelo analista Flávio Pires, o banco avaliou 42 ativos de vários segmentos e gestoras, cobertos pelo banco. Do total analisado, 28 fundos estão com recomendação de compra — e oito são FIIs de papel.
De acordo com o relatório, os FIIs de recebíveis imobiliários têm estimativa de retorno com dividendos (dividend yield) de até 14,7% no ano.
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A rentabilidade e o dividend yield (DY) histórico dos FIIs de papel são notáveis. A maior parte dos fundos apresenta estimativa acima de dois dígitos para o período acumulado de 12 meses.
O Kinea High Yield (KNHY11), por exemplo, tem um DY estimado em 14,7% em 12 meses; enquanto o VBI CRI (CVBI11) está com DY estimado em 14%.
Ambos os valores não chegam a superar os 15% ao ano da Selic atual, mas chegam perto.
Entretanto, é importante ter em mente que esses fundos estão expostos a títulos de renda fixa que são crédito privado, ou seja, estão expostos a riscos de crédito das empresas que emitiram a dívida.
A taxa básica em 15% pode parecer positiva para o retorno da renda, mas, na prática, é um juro que aperta a economia e aumenta o custo da dívida das empresas. O risco de inadimplência e eventos de crédito é grande — e já aconteceu com alguns FIIs.
Dos 12 FIIs de papel analisados pelo Santander no guia, pelo menos dois receberam recomendação de venda: o Hectare CE (HCTR11) e o Devant Recebíveis Imobiliários (DEVA11).
| Código | Valor da cota (R$)* | Ágio/Deságio da cota | DY estimado (12 meses) |
|---|---|---|---|
| KNIP11 | 90,51 | -1,8% | 11,5% |
| KNCR11 | 103,45 | +1,6% | 14,5% |
| MXRF11 | 9,43 | -0,1% | 13,0% |
| KNHY11 | 101,50 | +2,2% | 14,7% |
| HGCR11 | 92,49 | -5,2% | 13,4% |
| MCCI11 | 85,18 | -9,7% | 12,7% |
| RBRR11 | 86,60 | -6,2% | 12,5% |
| CVBI11 | 83,10 | -9,9% | 14,0% |
Os demais segmentos são chamados de FIIs de tijolo, por investirem diretamente em imóveis físicos: escritórios, galpões logísticos, shoppings e prédios comerciais.
Dentro dessa classificação, o Santander não recomendou compra para nenhum dos fundos de escritórios. Os seis analisados receberam a recomendação de “manter”.
Já o segmento de logística teve cinco recomendações de compra, atrás somente do setor de recebíveis. Gigantes como CSHG Logística (HGLG11) e BTG Logística (BTLG11) são “compra" pelo banco, com DY estimados de 8,4% e 9,3%, respectivamente.
No setor de shoppings centers, XP Malls (XPML11) e HSI Malls (HSML11) são escolhas do Santander para recomendação de compra, porém, o setor enfrenta desconfiança do mercado em relação a vacância e capacidade de pagamento das lojas no médio prazo.
Por fim, há os híbridos e os hedge funds, setores que podem investir em imóveis físicos e em títulos de dívida — e no caso dos hedge funds, em outros ativos também, como ações e outros fundos.
A maleabilidade da estratégia é vista com bons olhos pelos analistas, entretanto, a mesma ponderação em relação ao risco de crédito dos CRIs é aplicada para esses fundos também. É importante ter clareza de todos os ativos que são investidos antes de comprar uma cota.
| Setor | Código | DY estimado (12 meses) |
|---|---|---|
| Shoppings | XPML11 | 10,50% |
| Shoppings | HSML11 | 9,20% |
| Logístico | BRCO11 | 9,50% |
| Logístico | BTLG11 | 9,30% |
| Renda urbana | TRXF11 | 12% |
| Renda urbana | HGRU11 | 9,20% |
| Híbridos | GARE11 | 11,80% |
| Híbridos | KNRI11 | 8,50% |
| Hedge Fund | BTHF11 | 12,80% |
| Hedge Fund | KNHF11 | 12,60% |
Para entender as projeções para este ano, o Seu Dinheiro conversou com a analistas da EQI Research e da Empiricus Research, além de gestores de fundos imobiliários da Daycoval Asset e da TRX
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