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GLOBAL MANAGERS CONFERENCE

Excepcionalismo da bolsa brasileira? Não é o que pensa André Esteves. Por que o Brasil entrou no radar dos gringos e o que esperar agora

Para o sócio do BTG Pactual, a chave do sucesso do mercado brasileiro está no crescente apetite dos investidores estrangeiros por mercados além dos EUA

André Esteves, sócio sênior do BTG Pactual, discursa na CEO Conference 2022
André Esteves, sócio sênior do BTG Pactual, discursa na CEO Conference 2022 - Imagem: BTG Pactual/Divulgação

Ao observar o desempenho surpreendente do Ibovespa em 2025, a pergunta que fica no ar é: como um país marcado por tantas incertezas pode estar atraindo tanto interesse dos investidores? Para André Esteves, presidente do conselho e sênior partner do BTG Pactual, a resposta está longe de ser o “excepcionalismo” da bolsa brasileira. 

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Na realidade, a chave do sucesso está no crescente apetite dos investidores estrangeiros por mercados além dos Estados Unidos.

“Durante este ano, o que tem ocorrido no exterior tem sido mais relevante para os preços dos ativos brasileiros do que o que acontece internamente. O grande formador de preços no mercado local tem sido o ambiente internacional. Contudo, o que nos surpreendeu foi o número de investidores estrangeiros se aproximando do Brasil”, revelou Esteves durante a Global Managers Conference, evento promovido pela BTG Pactual Asset Management.

O banqueiro comparou os EUA a um “buraco negro financeiro” nos últimos dois anos, um período marcado pela concentração dos recursos globais no país e no dólar. “A maioria dos mercados de capitais globais perdeu liquidez para o mercado americano”, explicou.

No entanto, com o cenário geopolítico turbulento, a exuberância do mercado norte-americano foi questionada, e os investidores começaram a buscar diversificação, indo além de ativos como dólar e Treasury. 

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“Essa busca por diversificação fez com que os investidores passassem por aqui, porque, com toda a confusão global, as nossas confusões parecem estar dentro de um contexto mais controlado, ou talvez até melhores do que o resto do mundo”, disse Esteves.

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O executivo destacou que, curiosamente, os investidores internacionais — muitos deles mais sofisticados — têm uma visão mais positiva sobre o mercado brasileiro do que os próprios investidores locais. 

“Aqui temos oportunidades de sobra: uma NTN-B com taxa de juros real de 7% a 7,5%, a bolsa com múltiplos muito mais baixos que os dos Estados Unidos, e empresas de qualidade excepcional. Longe do Brasil estar no melhor momento, mas a comunidade global vê o país com bons olhos, reconhecendo o potencial de entrega de resultados”, afirmou.

O que esperar da bolsa brasileira daqui para frente

Para Esteves, a capacidade do Brasil de crescer acima das expectativas por cinco anos consecutivos — apesar de uma expansão fiscal maior do que seria ideal —, mesmo em meio a juros tão restritivos, mostra que a economia brasileira tem potencial. 

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“Isso não significa que não há muito a ser melhorado. Mas a boa notícia é que o Brasil entrou no radar dos investidores, os valuations estão baratos e não é difícil corrigir aquilo que precisa ser ajustado”, afirmou o sócio do BTG.

EUA x China: como fica o Brasil no meio disso tudo?

O sócio do BTG acredita que, no contexto das incertezas geopolíticas e da guerra comercial entre China e Estados Unidos, o Brasil está em uma posição vantajosa. 

“Estamos seguindo uma política externa de neutralidade. O Brasil é uma potência regional e consegue fazer negócios com todos, o que é fundamental. Somos um dos poucos países com escala global que podem se dar ao luxo manter boas relações com Oriente Médio, China, Índia, Europa e Estados Unidos, por exemplo. Se continuarmos por esse caminho sem cometer bobagens e erros infantis, o ambiente parece extremamente favorável”, projetou Esteves.

Sobre a guerra tarifária, o banqueiro avalia que o Brasil pode sentir alguns impactos, mas, como as tarifas são mais voltadas para a política industrial, e não para commodities, o país estaria mais protegido caso essa disputa se intensificasse. 

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Por outro lado, a Europa, que é um exportador industrial superavitário tanto com a China quanto com os EUA, pode ser mais vulnerável nesse cenário, segundo Esteves.

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