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Em sua conta na Truth Social, o presidente também anunciou que irá aumentar as tarifas contra China para 125%
Esta quarta-feira (09) foi marcada por grandes reviravoltas nos mercados globais. O dia, que começou no vermelho, terminou com fortes altas nas bolsas globais, com Wall Street disparando para o terceiro melhor dia em ganhos da história do pós-guerra.
O Nasdaq subiu 12,16% na maior disparada desde 2001, enquanto o S&P 500 avançou 9,52% e o Dow Jones teve alta de 7,87%.
Por aqui, Ibovespa subiu 3,12%, aos 127.795,93 pontos, sem nenhuma ação em queda. No mercado de câmbio, o dólar à vista caiu 2,51%, aos R$ 5,8473.
Os futuros do petróleo também inverteram as perdas. O Brent, referência no mercado internacional, avançou 4,23%, cotado a US$ 65,48, enquanto o WTI, referência para o mercado norte-americano, subiu 4,65%, a US$ 62,35.
A virada drástica veio após o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar uma pausa de 90 dias para os países que não retaliaram, além de reduzir as tarifas recíprocas para 10%, com efeito imediato.
O republicano também afirmou que pode avaliar a isenção de taxas para algumas empresas norte-americanas, mas não forneceu ais detalhes sobre o assunto.
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No entanto, nem todas as notícias são boas: Trump também aumentou as tarifas sobre a China de 104% para 125%. O comunicado foi feito por meio de sua conta no Truth Social.
Em coletiva de imprensa na Casa Branca, Scott Bessent, secretário do Tesouro dos Estados Unidos, disse que Trump sempre planejou uma mudança de rota: “essa foi a estratégia dele o tempo todo”.
Ele ainda afirmou que a tática do presidente teria colocado a China em uma posição desfavorável, dado que, ao retaliar, agora enfrenta taxas mais altas, enquanto outros países obtêm um adiamento.
Com o anúncio de Trump, as ações das gigantes da tecnologia norte-americanas também subiram forte em Nova York, com destaque para a Tesla, que disparou 22,69%
As ações da Nvidia se valorizam 18,72%. A empresa de chips vinha sendo duramente penalizada pelas sobretaxas.
Isso porque, mesmo que os componentes para a fabricação de semicondutores estivessem isentos de tarifas, produtos integrados — como sistemas de racks, fundamentais para a infraestrutura das empresas que fornecem serviços de computação em larga escala — estavam sujeitos à tarifa de 32% de Taiwan, já que são considerados como acabados.
As ações de Apple também entraram na pista de dança da bolsa, com alta de 15,33%, no embalo da disparada generalizada dos mercados.
Porém, cabe lembrar que a empresa conta com cerca de 50% de sua produção localizada na China — que agora está sendo taxada em 125%.
Já a Microsoft avançou 10,13%. Na visão do Itaú BBA, a empresa já estava relativamente melhor posicionada em relação às outras sete magníficas, dado que o segmento de software para grandes empresas está mais protegido de recessões em comparação com outros setores.
Os papéis da Meta dispararam 14,76%. Antes do anúncio de hoje, as ações enfrentaram grandes perdas, dado o receio de que uma possível recessão global causada pelas tarifas pudesse reduzir o volume de investimento em publicidade nas redes sociais da companhia.
Já a Alphabet, dona do Google, teve alta de 9,88% e os papéis da Amazon, 11,98%.
"Isso [a pausa nas tarifas] oferece às empresas um alívio temporário para respirar, recalibrar e retomar o planejamento estratégico com mais tempo, mas com uma perspectiva ainda incerta", disse Michael Ashley Schulman, diretor de investimentos da Running Point Capital, à Reuters.
A pausa de 90 dias nas tarifas dos países que não retaliarem não mexeu apenas com os mercados. Os investidores também correram para reajustar a posição sobre a aposta no corte de juros nos EUA.
De acordo com a ferramenta FedWatch do CME Group, a chance de uma redução de 0,25 ponto percentual (pp) da taxa referencial em junho subiu de 59,3% para 67%.
Atualmente, os juros nos EUA estão na faixa entre 4,25% e 4,50% ao ano. A próxima reunião do comitê de política monetária (Fomc, na sigla em inglês) acontece apenas em maio e, para esse encontro, a probabilidade de manutenção da taxa subiu de 61,3% antes do anúncio da pausa nas tarifas para 75,4% agora.
Até dezembro, a maior chance ainda é de corte acumulado de 1 pp nos juros, com 31,6%. Mas a expectativa de uma redução de 0,75 pp no acumulado do ano ganhou força, passando de 24,6% para 30,6%.
Há uma semana, os mercados globais estavam sendo pressionados pela intensificação da guerra tarifária iniciada pelo governo Trump.
Desde o que ficou conhecido como o "Dia da Libertação", na última quarta-feira (2) — quando foram anunciadas tarifas adicionais que os Estados Unidos iriam impor sobre seus parceiros comerciais — o temor de uma recessão na maior economia do mundo se apossou da mente dos investidores.
Quando a China resolveu responder à altura, ao retaliar as medidas norte-americanas com uma taxa de 34% sobre produtos dos EUA, o mercado ficou ainda mais tenso. Em resposta, Trump elevou o tom e anunciou taxas de 104%. China também subiu o tom, ao anunciar sobretaxa de 84%.
A União Europeia também anunciou retaliação. Nesta quarta-feira (09), o bloco aprovou oficialmente um pacote inicial de medidas retaliatórias, que será implementado em duas etapas.
Segundo a Comissão Europeia, responsável pela execução das políticas do bloco, a primeira leva de tarifas sobre produtos norte-americanos começará a ser aplicada em 15 de abril, enquanto uma segunda rodada entrará em vigor em 15 de maio.
O bloco ainda não divulgou a lista de produtos afetados, mas de acordo com uma apuração da CNBC, as tarifas devem atingir itens como aves, grãos, roupas e metais.
Em discurso à nação na ultima quarta-feira (1), Trump prometeu “levar o Irã de volta a Idade da Pedra”. Com isso, os futuros do Brent dispararam, mas bolsas ao redor do mundo conseguiram conter as quedas. Ibovespa encerrou o dia com leve alta de 0,05%, a 188.052,02 pontos
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