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Executivo da JBS, que atua nos Estados Unidos por meio da Swift e Pilgrim's, disse que a operacionalização no exterior se tornou mais fácil quando comparado às dificuldades fiscais e tributárias no país

A JBS (JBSS3) abriu as portas de suas fábricas para o mercado externo há quase 30 anos, em 1996, na esteira da aquisição das operações da Anglo em Goiânia (GO). Nos anos seguintes, a gigante de proteína animal decidiu adquirir marcas nos EUA e na Austrália, como a Swift e a Pilgrim’s.
Contudo, nem mesmo os desafios intrínsecos à expansão internacional de uma companhia, como a superação das barreiras culturais e regulatórias, foram suficientes para superar os desafios do chamado “custo Brasil” que a JBS tem por aqui.
Wesley Batista, conselheiro e acionista da JBS (JBSS3) e da Pilgrim's Pride, acredita que o país vive em um "manicômio tributário", citando a complexidade do sistema de impostos e trabalhista como um dos maiores “detratores” da eficiência do agronegócio brasileiro.
“Nossa operação nos Estados Unidos tem 70 mil funcionários em 27 estados americanos, com quase 80 fábricas. Embora toda operação tenha os seus problemas, o nosso departamento tributário lá tem apenas 18 pessoas que cuidam de todos os tributos, enquanto aqui no Brasil temos 300 pessoas”, disse Batista durante o painel “A Expansão Internacional do Agronegócio Brasileiro” do AgroForum 2024, evento realizado pelo BTG Pactual. O painel contou também com Ricardo Faria, chairman da Granja Faria.
“Aqui nós temos a burocracia tributária e trabalhista, e quando você vai lá fora, fazer negócio nos Estados Unidos e na Austrália, é fácil. Nunca tivemos dificuldade em lidar com americanos, australianos. Nunca tivemos dificuldade em liderar fora”, afirmou o executivo.
O acionista da JBS também disse que tem expectativas em relação à reforma tributária, que deve ser regulamentada ainda este ano pelo governo. Segundo Batista, se os pontos da reforma estiverem “bem endereçados, será um grande avanço para o país”.
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Além da questão tributária, Wesley Batista citou como entraves para as operações da companhia no país a legislação trabalhista e a falta de mão de obra nas plantas de abate.
“Temos fábricas no interior do país onde podemos aumentar nossa capacidade de abate de 7 mil suínos por dia para 10 mil, mas ‘não tem gente’. “Estamos trabalhando com o governo dos estados e prefeituras para promover moradia e trazer profissionais de outros lugares”.
Na visão de Ricardo Faria, chairman da Granja Faria, o Brasil está à beira de um ‘apagão de mão de obra para ‘cargos mais simples’ devido à quantidade de benefícios sociais.
Para o chairman da Granja Faria, o Brasil criou uma fortaleza sanitária com a ajuda das empresas. “A fortaleza sanitária que construímos no Brasil é uma das grandes fortalezas da agroindústria brasileira. Um exemplo disso é a gripe aviária que não atingiu nossas granjas”.
Por conta disso, ele acredita que o país precisa mudar sua percepção sobre o setor. “Não podemos depender da Europa ou dos EUA para reconhecer o nosso agronegócio”.
Na percpeção de Wesley Batista, poucos países do mundo têm a condição de aumentar a produção para acompanhar uma demanda crescente como Brasil. Ele lembrou que, nos anos 1990, a JBS exportava apenas 300 mil toneladas para a Europa. Hoje são mais de 1 milhão de toneladas de carnes exportadas pela companhia apenas para a China.
“O Brasil precisa se relacionar com todo o mundo do ponto de vista comercial, principalmente com as duas maiores economias do mundo. Precisamos abrir mais o nosso mercado e aproveitar essa demanda que está crescendo e o Brasil tem condição de suprir”, disse Batista, ressaltando que há oportunidades de crescimento para o Brasil em diversos mercados, incluindo a Índia, China, Sudoeste Asiático e Indonésia.
"Temos a matriz energética mais diversificada do planeta, mas ficamos apenas observando os problemas que acontecem ao redor. Nós, enquanto sociedade e setor empresarial brasileiros, precisamos mostrar o que estamos fazendo, não apenas falar sobre recordes de queimadas”, afirmou o conselheiro da JBS“
Segundo ele, o produtor brasileiro “é sério e comprometido, e não deve ser julgado pela minoria que comete erros”. “Nenhum lugar possui um sistema financeiro tão sofisticado quanto o nosso, assim como o sistema eleitoral. Temos problemas, sim, e precisamos corrigi-los, mas não podemos deixar que as exceções definam o todo”, afirmou Batista.
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