Como o “efeito Milei” fez o lucro da Ambev (ABEV3) ficar abaixo do esperado no 4T23; ações reagem em forte queda na B3
Impacto do câmbio na Argentina, onde a Ambev é dona da tradicional marca Quilmes, afetou o lucro da cervejaria no quarto trimestre

A Ambev (ABEV3) pode colocar na conta de Javier Milei uma parte da frustração do mercado com os resultados do quarto trimestre de 2023. A cervejaria registrou lucro líquido ajustado de R$ 4,667 bilhões, o que representa uma queda de 11,9% em relação ao mesmo período de 2022.
O número ficou abaixo das estimativas dos analistas graças principalmente ao impacto do câmbio na Argentina, onde a Ambev é dona da tradicional marca Quilmes.
Uma das primeiras medidas de Milei ao assumir a presidência do país vizinho foi promover uma forte desvalorização da cotação oficial do peso argentino. O país sofre ainda com a hiperinflação, que derruba a demanda por bebidas.
Vale destacar que os analistas já esperavam uma queda no lucro da Ambev em razão da base de comparação forte com o quarto trimestre de 2022, quando aconteceu a última edição da Copa do Mundo.
De todo modo, a reação do mercado ao balanço é bem negativa. Por volta das 11h, as ações da Ambev (ABEV3) recuavam 6,84%, a R$ 12,53 na B3*.
Além do efeito Milei, a Ambev enfrenta uma "ressaca tributária" após a mudança nas regras de dedutibilidade para fins de imposto de renda do JCP (juros sobre o capital próprio).
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Apesar da queda nos últimos três meses do ano, a cervejaria que fez o empresário Jorge Paulo Lemann se tornar o homem mais rico do Brasil registrou um pequeno aumento de 0,4% no lucro líquido ajustado de 2023, que somou R$ 15,227 bilhões.
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Ambev (ABEV3): Brasil e Caribe salvam
Mesmo com a economia em frangalhos da Argentina e o efeito da Copa, a Ambev conseguiu sustentar os volumes de vendas, com uma queda de 0,1% em relação ao quarto trimestre de 2022. No ano, os volumes recuaram 1,1%.
Na região da Argentina, o volume registrou queda de 3,8% no quarto trimestre. Outro mercado onde a companhia sofreu no período foi o do Canadá, que apresentou uma redução de 7,4%.
Por outro lado, as operações do Brasil se sustentaram com um avanço de 0,8% no volume. A empresa compensou a queda na venda de cervejas em relação aos últimos três meses de 2022 com um aumento nos volumes de bebidas não-alcoólicas.
A Ambev também apresentou bons números na América Central e Caribe, onde o volume aumentou 7,7%.
Confira a seguir os principais números do balanço do 4T23 da Ambev:
- Receita líquida: R$ 19,989 bilhões (-11,9%)
- Ebitda ajustado: R$ 7,151 bilhões (+0,6%)
- Lucro líquido ajustado: R$ 4,667 bilhões (-11,9%)
Perspectivas para 2024
Junto com os resultados, a Ambev divulgou as projeções para os custos do negócio de cervejas no Brasil, que devem diminuir entre 0,5% e 3%.
A expectativa favorável é resultado das condições favoráveis das commodities e do câmbio. As projeções da cervejaria consideram as cotações atuais do dólar (R$ 4,97). Mas as perspectivas melhores não animaram os analistas.
"Com impostos mais altos e a Argentina como ventos contrários, além de um guidance não surpreendente, o desempenho operacional deve permanecer nos bastidores e, portanto, esperamos que as ações devolvam parte do desempenho positivo de ontem", escreveram os analistas da XP.
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*Matéria atualizada para incluir a reação das ações na B3
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