Após lucro acima do esperado no 3T24, executivo do Banco ABC fala das estratégias — e dos dividendos — até o final do ano
Ricardo Miguel de Moura, diretor de relações com investidores, fusões e aquisições e estratégia do Banco ABC, concedeu entrevista ao Seu Dinheiro após os resultados

Os investidores têm acompanhado com bastante atenção a temporada de balanços corporativos do terceiro trimestre deste ano. Em especial os bancos brasileiros ainda recolhem os cacos da crise gerada pelas Lojas Americanas —, mas algumas linhas do balanço do Banco ABC mostram que esses problemas são coisas do passado.
Nos resultados publicados pelo banco na manhã desta quinta-feira (7), o ABC mostrou que tem motivos para comemorar. Os analistas que acompanham o banco descreveram os números como “sólidos” e “em um bom caminho.”
“A estratégia é continuar entregando resultados, mantendo o ritmo do que estamos fazendo e tem dado certo”, diz Ricardo Miguel de Moura, diretor de Relações com Investidores, Fusões e Aquisições e Estratégia do Banco ABC, em entrevista ao Seu Dinheiro.
Vale destacar que o banco é conhecido por ter uma expansão de crédito mais conservadora. Ainda assim, houve um crescimento da concessão de quase 15% na comparação com o mesmo período do ano passado.
Perguntado sobre isso, o executivo do ABC confirmou que a instituição pretende seguir o grande plano de reestruturação dos negócios iniciado em 2018. “A gente tem uma infraestrutura instalada preparada para um número de clientes maior”, diz.
Segundo o balanço deste trimestre, o Banco ABC atingiu a marca de cinco mil clientes corporativos.
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| Indicador | 3T24 | Var%(t/t) | Var%(a/a) |
| Lucro líquido recorrente | R$ 255,1 milhões | 2,00% | 11,80% |
| Margem Financeira Gerencial pós-provisão | R$ 621,8 milhões | 4,10% | 5,20% |
| ROE Recorrente | 16,20% | 0,06 p.p. | -0,28 p.p. |
| Carteira de Crédito Expandida | R$ 50,010 bilhões | 3,60% | 14,50% |
| Despesas com Provisões | R$ 68,1 milhões | -5,3% | -22,0% |
| Valor de Mercado (R$ milhões) | R$ 5,234 bilhões | -1,60% | 18,60% |
- Leia também: ‘Calcanhar de aquiles’ do Bradesco pode ser um dos pontos forte do balanço do Itaú, diz analista
Os dividendos do Banco ABC
Com um lucro maior e uma rentabilidade crescente, os investidores ficam no aguardo do anúncio de novos dividendos. Em junho deste ano, o ABC distribuiu R$ 188,5 milhões em proventos na forma de juros sobre capital próprio (JCP) — e a expectativa é de que, no segundo semestre, eles voltem a encher os bolsos dos investidores.
Isso porque o banco trabalha com uma política de distribuição de algo próximo a 40% do lucro projetado para o ano. Uma parte desse montante é distribuída no primeiro semestre e o restante na segunda metade do ano.
O executivo destaca que 60% do lucro será convertido em crescimento das operações e o restante deve ser revertido aos acionistas. “Não pretendemos mudar essa política”, comenta.
E o que os analistas acham do balanço do 3T24?
Vale relembrar que o Banco ABC tem ações na bolsa brasileira, que acumulam alta de mais de 12% em 12 meses. Nesta quinta-feira (7), os papéis ABCB4 caíam 1,24%, cotados a R$ 20,61 por volta das 16h20.
Para os analistas do JP Morgan, o banco ABC é negociado a uma relação de 0,8x preço sobre o valor do banco — o que significa que as ações estão baratas em relação ao seu valor patrimonial — e a 5,1x preço/lucro — isto é, pagando um múltiplo moderado em relação às projeções de lucros.
A instituição norte-americana, que tem recomendação neutra para as ações, destaca que houve uma positiva queda na inadimplência geral, puxada pelos descumprimentos do setor corporativo. Parte dessa melhora se deve ao caso Americanas.
“Quando ocorreu [a crise com a varejista], o banco provisionou 70% do crédito, ou seja, pensávamos em receber 30% do valor e foi isso que aconteceu”, comenta Miguel de Moura, do ABC.
Já o Itaú BBA também manteve a avaliação de market perform — o equivalente a neutro — para os papéis do banco ABC.
“No final, receitas menores que o esperado foram compensadas por provisões menores, resultando em uma surpresa positiva no caixa”, dizem os analistas, que celebram o fato de o banco ABC continuar entregando resultados decentes, mas preferem “ficar de fora, dada a perspectiva de um crédito corporativo desafiador no atual ambiente macroeconômico.”
Por fim, os analistas do BB Investimentos — que recomendam a compra das ações ABCB4 — destacam como ponto positivo o crescimento do banco no segmento middle (pequenas e médias empresas).
A inadimplência desse segmento preocupa, mas a taxa com que o banco vem trabalhando é um destaque positivo, o que garante relativa segurança no crescimento dessa fatia.
“Devemos, ao longo dos próximos trimestres, ver o ABC impactado positivamente pela diluição dos investimentos efetuados, incluindo continuidade da maturação das iniciativas estruturantes mais recentes, enquanto manobra um ciclo de crédito potencialmente mais restritivo, tendo como atenuante o fato de sua margem financeira responder de forma mais benigna a altas de juros dado o perfil exclusivamente PJ da carteira de crédito."
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