Ambipar (AMBP3) levanta R$ 717 milhões com venda de frota e reduz dívida em meio à “batalha” entre comprados e vendidos nas ações na B3
A companhia de gestão de resíduos fechou negócio com a Addiante e a CHG-MERIDIAN para a venda e aluguel de sua frota não estratégica

A Ambipar (AMBP3) deu mais um passo na missão de diminuir o elevado patamar de endividamento e anunciou na noite da última quinta-feira (16) dois novos acordos para renovar as frotas como parte do plano de desmobilização de ativos.
A companhia de gestão de resíduos fechou negócio com a Addiante e a CHG-MERIDIAN para a venda e aluguel de sua frota não estratégica no Brasil.
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As transações estipulam um prazo de cinco anos de contrato, com recebimento em caixa de cerca de R$ 717 milhões pela compra dos ativos usados da Ambipar, segundo comunicado enviado à CVM.
A expectativa é que o caixa gerado com as operações antecipe a diminuição da alavancagem da companhia para 2,4 vezes em base pro forma anualizada, já que “parte relevante” dos recursos líquidos levantados deverá ser usada para o pagamento de dívidas.
Vale destacar que, de acordo com o guidance da companhia, a expectativa era reduzir a alavancagem para 2,5 vezes até o final de 2026.
Na semana passada, depois de um novo enquadro da CVM, a diretoria da empresa citou o programa de desmobilização de ativos como uma das potenciais razões para a recente escalada vertiginosa das ações na bolsa brasileira.
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As ações da Ambipar chegaram a disparar mais de 13% no início do pregão desta sexta-feira (16), mas arrefeceram os ganhos pela tarde, encerrando a sessão com queda de 6,05%, a R$ 77,97.
Alvo de forte especulação na bolsa, os papéis acumulam valorização de 828% em um intervalo de apenas dois meses — isto é, quando o ciclo de alta começou a dar os primeiros sinais — apesar do recuo de hoje.
Os detalhes dos negócios da Ambipar (AMBP3)
A Ambipar (AMBP3) e as controladas do grupo fecharam acordos com a CHG-MERIDIAN para a renovação dos ativos de linha amarela — isto é, máquinas como retroescavadeiras, empilhadeiras e tratores — no Brasil.
Nos termos do acordo, a companhia venderá ativos usados, alugará itens novos 0 km e realizará a locação transitória de parte dos ativos usados vendidos.
Por sua vez, a CHG-MERIDIAN vai assumir a obrigação da substituição de todos os ativos usados locados por ativos novos de forma escalonada ao longo dos próximos 24 meses.
Já do lado de veículos pesados — como tratores, caminhões, carretas e ônibus —, a Ambipar fechou negócio com a Adiante para a renovação da frota no Brasil.
Segundo fato relevante enviado à CVM, a operação combina a venda de veículos usados para a Addiante, com locação transitória dos veículos vendidos pela Ambipar e suas controladas no Brasil.
Como estabelecido em contrato, a Addiante assumirá a obrigação de substituição de todos os veículos usados locados por veículos novos de forma escalonada ao longo dos próximos dois anos.
A Ambipar ainda avalia oportunidades de implementação de operações parecidas na América do Norte e em outros países da América Latina.
Como a desmobilização de ativos ajuda a operação da Ambipar
De acordo com a Ambipar, as transações “estão alinhadas com o planejamento estratégico” e estão relacionadas à meta de redução de alavancagem constante como parte da revisão do modelo de alocação do ativo imobilizado das empresas do grupo.
Além disso, os dois negócios resultarão na renovação da frota de equipamentos utilizados pelo Grupo Ambipar no Brasil e uma redução de custos de manutenção, dada a substituição de ativos usados por novos.
As vendas representam um crescimento orgânico com menores investimentos — nas contas da Ambipar, haverá uma economia de capex de expansão de R$ 1,6 bilhão para renovação da frota nos próximos dois a três anos. A menor necessidade de gastos deve elevar a rentabilidade mensurada pelo ROIC (retorno sobre o capital investido).
Além disso, as operações devem impulsionar uma maior geração de caixa, permitindo que a Ambipar foque nas operações, e a capacidade para ganhar novos contratos devido ao ganho de competitividade.
Há ainda uma eficiência tributária nas transações, com o aproveitamento do PIS e COFINS, de acordo com o fato relevante enviado à CVM.
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Por trás da disparada das ações AMBP3 na bolsa
Como em termos de fundamentos nada mudou radicalmente na Ambipar nos últimos meses, analistas e gestores avaliam que as oscilações atípicas das ações na bolsa devem-se a um movimento de short squeeze — em uma verdadeira disputa de forças entre investidores comprados e vendidos.
Nos últimos meses, o sócio fundador e CEO da companhia, Tércio Borlenghi Junior, entrou em uma sequência de compras das ações diretamente na B3, elevando a participação na companhia para 72,68%. Além disso, a própria Ambipar foi a mercado com um programa robusto de recompra de papéis.
Como se não bastasse, a Trustee DTVM — que supostamente tem o empresário Nelson Tanure como cotista de seus fundos — também entrou na ponta compradora e impulsionou ainda mais a cotação dos papéis na tela.
A escalada dos papéis fez com que os investidores que operavam vendidos e apostavam na queda das ações fossem forçados a cobrir as posições — o que consequentemente elevou ainda mais os preços.
Ao mesmo tempo, a quantidade de ações disponíveis para aluguel — necessário para manter a posição vendida — diminuiu graças às compras do controlador e da Trustee, o que provocou uma explosão das taxas para percentuais para o patamar de três dígitos.
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