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Para participantes do mercado, uma “espiral negativa” pode prevalecer sobre a B3 no curto prazo — mas existem potenciais vencedoras diante de um cenário mais avesso ao risco no Brasil
A confirmação de que o Banco Central levará os juros acima do patamar de 14% ao ano em 2025 bateu diretamente no apetite dos investidores locais, mantendo a renda fixa como a estrela das carteiras e fazendo a bolsa brasileira perder cada vez mais o apelo.
Na visão de analistas e gestores, uma “espiral negativa” pode prevalecer sobre as ações da B3 no curto prazo, até o mercado entender onde será o topo da Selic — e quando será possível uma retomada do afrouxamento da política monetária.
“Quando tudo de pior for precificado e o mercado começar a ver uma janela de corte de juros, talvez no final do ano que vem, será um momento no qual poderemos ficar um pouco mais animados com renda variável”, disse Ricardo Peretti, estrategista de ações da Santander Corretora.
Outro fator tende a pesar sobre a bolsa brasileira no ano que vem: o impacto da Selic nas finanças das empresas domésticas.
Diante das perspectivas mais conservadoras, o mercado prevê rodadas adicionais de revisões para baixo nos lucros das empresas da B3 em 2025, o que deve fazer peso sobre a cotação das ações.
No entanto, algumas companhias podem sair blindadas — e outras até se beneficiar — dos efeitos do cenário macroeconômico em 2025. Você confere as vencedoras e as perdedoras a partir de agora.
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Apesar do viés negativo para a bolsa brasileira como um todo, nem todas as empresas e setores sairão machucados da mesma forma pelo cenário macroeconômico turbulento.
Existe uma correlação direta entre o impacto na lucratividade e o patamar de alavancagem, mensurado pela entre dívida líquida e Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização).
Para Bruno Henriques, analista do BTG Pactual, as empresas e setores com fluxo de caixa de longo prazo, ou "long duration", são geralmente mais impactados pela alta dos juros, pois grande parte de seu valor está atrelada à geração de caixa em um futuro distante — que se torna menos atrativa em um cenário de custo de capital elevado.
É por isso que as empresas domésticas e mais cíclicas da B3 tendem a sofrer mais em 2025, já que costumam contar com dívidas atreladas ao CDI e níveis de alavancagem mais elevados.
O Santander prevê que o segmento de educação sairá como um dos grandes perdedores no cenário de juros em alta, com uma pressão negativa de cerca de 21% nos lucros de 2025.
Em seguida, estariam as empresas do agronegócio, companhias focadas em alimentos e bebidas, varejistas e operadoras de saúde. Veja o ranking completo:
| Setor | Alavancagem (Dívida Líquida/Ebitda) | Impacto nos lucros em 2025 com a Selic a 14% ao ano |
|---|---|---|
| Educação | 1,4 vez | -21,30% |
| Agronegócio | 1,6 vez | -15,20% |
| Alimentos e bebidas | 1,4 vez | -6,60% |
| Varejo | 0,5 vez | -5,30% |
| Saúde | 5,5 vezes | -4,40% |
| Income Properties | 1,9 vez | -2,80% |
| Utilities (Energia e saneamento) | 2,1 vezes | -2,20% |
| Bens de capital | 0,3 vez | -1,30% |
| Construção | 1,8 vez | -0,60% |
| Transportes | 0,2 vez | -0,30% |
| Mineração | 0,6 vez | 0,30% |
| Papel e celulose | 2,3 vezes | 2,60% |
| Óleo e gás | 1,0 vez | 3,20% |
| Telecom, mídia e tecnologia | 0,1 vez | 3,50% |
| Siderurgia | 0,8 vez | 5,00% |
| Instituições financeiras - Outros | 0,0 vez | 6,10% |
| Instituições financeiras - Bancos | 0,0 vez | NA |
| Ibovespa | 0,9 vez | -0,20% |
As locadoras de automóveis também devem atrair os holofotes negativamente no ano que vem. As ações da Localiza (RENT3) e da Movida (MOVI3) já foram extremamente penalizadas pelo cenário macro neste ano, com quedas da ordem de 50% e 65% desde janeiro, respectivamente — e a perspectiva do mercado é que essas empresas devem ampliar as perdas em 2025.
O setor de varejo também figura no radar dos investidores de forma mais negativa. Na avaliação de Peretti, o Magazine Luiza (MGLU3) e a CVC (CVCB3) seriam os dois players mais afetados, já que sofrem um “tombo duplo”: o baque na despesa financeira e o efeito do crédito mais caro para o consumidor.
Enquanto isso, ainda que o varejo essencial se mantenha firme do lado da demanda, as companhias como o Assaí (ASAI3), Pão de Açúcar (PCAR3) e Carrefour (CRFB3) também tendem a sofrer na B3 devido à alavancagem mais alta.
Mas nem tudo está perdido na bolsa brasileira em 2025. Existem ainda aquelas empresas que, com o cenário de Selic a 14% ao ano, tendem a sair ilesas da maior parte desse impacto.
Por terem a maior parte das receitas em dólar e não contarem com dívidas majoritariamente atreladas à Selic, as companhias de exportação e de commodities podem sentir poucas mudanças duras do lado das finanças.
“Enquanto o crescimento dos lucros das empresas domésticas deve desacelerar para 8% ao ano, esperamos que os lucros dos exportadores cresçam 43% ao ano em 2025, recuperando-se de uma queda anual de 33% em 2024”, disseram os analistas do BTG.
Além disso, com a escalada do dólar acima de R$ 6,00 — e com a perspectiva de ir ainda mais longe —, essas ações poderiam surfar a busca dos investidores por uma proteção no portfólio para se valorizarem na B3.
Isso inclui segmentos como o de petróleo e gás, com destaque para a Petrobras (PETR4); mineração e siderurgia, com a Vale (VALE3); e de papel e celulose, com a Suzano (SUZB3) e Klabin (KLBN11).
Há ainda algumas poucas companhias do varejo que poderiam se safar de algum efeito negativo dos juros, segundo o Santander.
Uma delas é a Lojas Renner (LREN3), considerada uma empresa “caixa líquida” que costuma ter maior receita financeira do que despesas, e a RD Saúde (RADL3), ex-Raia Drogasil, que tem uma alavancagem baixa e opera em um setor resiliente.
“Há poucas semanas, a RD Saúde anunciou uma aceleração do ritmo de abertura de lojas em um momento em que todo mundo está revisando para baixo os investimentos. Isso mostra que a empresa está bem tranquila e que pode tentar ainda ganhar market share nesse cenário de ambiente macro mais instável”, disse o analista do Santander.
Já o setor de construção civil vive dois momentos diferentes devido às diferenças de perfil de clientes e condições de crédito financeiro.
Por um lado, o segmento de baixa renda deve manter uma boa performance em 2025, já que tem uma demanda cativa muito mais forte e financiamento com taxas mais baixas por conta do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV). Isso deve se refletir no desempenho de empresas como a Direcional (DIRR3), Cury (CURY3) e Tenda (TEND3).
E por que a MRV (MRVE3) ficou de fora dessa? Para economistas, as ações da empresa de Rubens Menin podem manter uma trajetória mais negativa no ano que vem, já que a companhia “larga um pouco mais atrás na ordem de preferência dos investidores” devido às incertezas ligadas à situação operacional e financeira.
Por sua vez, as construtoras de média e alta renda, como Eztec (EZTC3), Cyrela (CYRE3) e Even (EVEN3), vivenciarão uma situação mais complexa, com piora na demanda cativa e maior sensibilidade aos juros, que encarecem o crédito imobiliário.
“O momento operacional das empresas está muito bom atualmente, o problema é o que vem pra frente. Com esse custo de crédito imobiliário mais alto e aumento da inflação, as empresas vão ter que repassar isso para o preço dos empreendimentos, o que pode impactar a demanda, tanto do lado do custo do financiamento quanto do lado do preço por metro quadrado do empreendimento”, disse o estrategista do Santander.
Para o mercado, há um trio de requisitos que tende a fazer uma ação performar melhor que a média do mercado na B3 em 2025: ser uma empresa menos cíclica, mais estável e com maior previsibilidade de pagamento de dividendos.
É por isso que o setor financeiro deve impulsionar o crescimento dos lucros em 2025, segundo o BTG, com alta de 11% dos ganhos dos bancos no comparativo anual, impulsionados principalmente pelo Bradesco (+25%), Itaú (+9%) e Santander (+19%).
Mas há um segmento, em especial, que é visto como um claro beneficiado pelo cenário de Selic em alta: o de seguros.
Para o estrategista do Santander, empresas como a BB Seguridade (BBSE3), Caixa Seguridade (CXSE3), IRB (IRBR3) e a Porto (PSSA3) podem até surfar o ambiente macro mais adverso.
Isso porque as seguradoras recebem os prêmios captados pelos segurados e alocam majoritariamente na renda fixa. Então, quanto maior a renda fixa, maior a receita financeira dessas companhias.
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