Frigoríficos em queda na B3: BRF (BRFS3) recua 6%, enquanto Minerva (BEEF3) cai 3% após corte de preço-alvo por analistas
Além do aumento recente na curva de juros, os papéis ainda reagem à liquidez reduzida no mercado local, já que as companhias de proteínas são mais expostas aos EUA

Em um pregão marcado pela liquidez reduzida devido ao feriado de Labor Day nos Estados Unidos, as ações do setor de frigoríficos protagonizaram algumas das principais quedas do Ibovespa nesta segunda-feira (2).
A BRF (BRFS3) liderou as perdas entre as empresas de proteínas na B3, com baixa de 6,02%, cotada a R$ 24,65.
Veja as principais quedas do setor hoje:
| Nome | Ticker | ULT | VAR DIA | VAR YTD |
|---|---|---|---|---|
| BRF | BRFS3 | R$ 24,65 | -6,02% | 78,49% |
| Marfrig | MRFG3 | R$ 13,94 | -4,26% | 43,71% |
| JBS | JBSS3 | R$ 34,28 | -2,06% | 37,62% |
| Minerva | BEEF3 | R$ 7,24 | -3,34% | -3,08% |
Na avaliação de Alexandre Pletes, head de renda variável da Faz Capital, o desempenho negativo do setor acompanha a alta recente na curva de juros futuros (DIs) desde a semana passada, em meio às perspectivas de novos apertos monetários pelo Banco Central nas próximas reuniões do Copom (Comitê de Política Monetária).
“Os frigoríficos em geral possuem uma alavancagem muito alta — e a abertura da curva de juros interfere diretamente na precificação desse setor e faz com que as ações operem em forte queda”, afirmou Pletes.
Hoje, os DIs operam mistos, repercutindo as expectativas mais altas de inflação no cenário doméstico, segundo o Boletim Focus.
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Além do aumento na curva de juros, os papéis ainda reagem à liquidez reduzida no mercado local, já que as companhias de proteínas são mais expostas aos EUA.
Vale lembrar que as ações de frigoríficos figuram entre as maiores valorizações do Ibovespa desde janeiro. Com ganhos da ordem de 79% em 2024, a BRF leva medalha de prata no ranking anual, — atrás apenas da Embraer (EMBR3), que subiu 107% no acumulado do ano.
Além da BRF, Minerva (BEEF3) em queda
Para além da BRF, outro papel do setor de frigoríficos se destacou no vermelho hoje: a Minerva (BEEF3) fechou em queda de caía 3,34%, negociada a R$ 7,24.
O papel reage ainda à revisão para baixo das expectativas pelo BB Investimentos (BB-BI).
Os analistas mantiveram recomendação de compra para as ações, mas cortaram o preço-alvo, de R$ 12 para 10 para o fim de 2025. Mesmo com a redução, o novo target implica em um potencial de valorização de 33,5% em relação ao último fechamento.
Segundo os analistas, a perspectiva menor de potencial de valorização das ações BEEF3 no curto prazo reflete a elevação das despesas financeiras em 2025 diante da maior alavancagem financeira do frigorífico.
Na avaliação do BB-BI, a operação da Minerva, focada em proteína bovina, exportação e diversificação geográfica na América do Sul, apresenta “consistência e regularidade de rentabilidade operacional”, com uma capacidade de arbitragem entre mercados.
“Essa consistência da companhia, aliada ao momento favorável do ciclo pecuário no Brasil, vai permitir a entrega de sólidos resultados no segundo semestre e em 2025, em especial no que se refere à geração de caixa”, escreveram os analistas.
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Vale lembrar que a companhia encontra-se em um processo de desalavancagem após a aquisição de ativos da Marfrig (MRFG3).
“Apesar da aquisição dos ativos elevar a alavancagem financeira temporariamente, a transação nos parece bastante acertada, pois permitirá elevação da escala de abate e captura de eficiências em um modelo de gestão bastante testado.”
Segundo Rafael Lage, analista da CM Capital, o gasto da Minerva (BEEF3) para abocanhar ativos da Marfrig “continua pesando no valuation da empresa”.
“O sucesso da operação envolve ganho de escala e aumento da eficiência, mas uma mudança estrutural dessa monta demora no mínimo 12 meses para que apareçam os ganhos de produtividade e a redução da desalavancagem”, afirmou Lage.
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