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Ricardo Gozzi

É jornalista e escritor. Passou quase 20 anos na editoria internacional da Agência Estado antes de se aventurar por outras paragens. Escreveu junto com Sócrates o livro 'Democracia Corintiana: a utopia em jogo'. Também é coautor da biografia de Kid Vinil.

INFLAÇÃO SALGADA

Por que a inflação nos EUA derruba as bolsas de Nova York hoje

Inflação de janeiro veio mais alta do que se esperava nos EUA e adiou apostas em relação a início dos cortes de juros pelo Fed

Ricardo Gozzi
13 de fevereiro de 2024
11:42 - atualizado às 12:34
Jerome Powell detonando uma bomba contra a inflação
Imagem: Montagem Andrei Morais / Divulgação Federal Reserve / Papa-Léguas

As bolsas de valores de Nova York abriram em queda nesta terça-feira (13).

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Os índices futuros já vinham sinalizando uma abertura no vermelho em Wall Street.

No entanto, o primeiro dado de inflação referente a 2024 mostrou uma alta de preços mais forte do que a esperada.

Diante disso, a reação inicial dos investidores leva a uma queda acentuada nos índices Dow Jones, S&P-500 e Nasdaq já na abertura.

Logo nos primeiros movimentos do mercado, o Dow Jones cedia 0,83%, o S&P-500 recuava 1,25% e a queda do Nasdaq oscilava em torno da marca de 2%.

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A inflação nos Estados Unidos também acentuou a queda observada nas bolsas da Europa.

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Como veio a inflação ao consumidor norte-americano em janeiro

Conhecido pelas iniciais CPI, o índice de preços ao consumidor norte-americano até mostrou desaceleração em janeiro, mas veio mais salgado do que se esperava.

Na leitura mensal, o CPI de janeiro subiu 0,3%. Analistas esperavam uma alta de 0,2%.

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Já na leitura anual, a inflação ao consumidor norte-americano desacelerou de 3,3% em dezembro para 3,1% em janeiro. O consenso era de uma alta de 2,9%.

O núcleo da inflação, por sua vez, ficou estável em 3,9% na leitura anualizada. A expectativa era de que o núcleo desacelerasse a 3,7%.

Por que a inflação derruba as bolsas norte-americanas hoje

A inflação nos EUA vem mostrando forte resistência à política monetária restritiva do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano).

O Fed elevou os juros agressivamente na tentativa de colocar a inflação sob controle e levá-la de volta à meta de 2% ao ano.

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Embora exista a expectativa de que o Fed comece a baixar os juros em 2024, uma inflação mais alta que a esperada tende a embasar o discurso mais cauteloso por parte dos dirigentes da autoridade monetária norte-americana.

Logo depois da divulgação do CPI de janeiro, um monitoramento em tempo real do CME Group passou a mostrar como majoritárias as apostas de que o Fed manterá os juros nos níveis atuais não apenas na reunião de março, mas também na de maio (65,9%).

Até o início do ano, a maioria dos participantes do mercado acreditava em um corte de juros já em março.

Depois do CPI de janeiro, a hipótese mais provável passou a ser a de que o ciclo de alívio monetário comece apenas em junho.

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