‘Efeito Sabesp’ faz JP Morgan elevar preço-alvo da ação da Equatorial, mas recomendação neutra para EQTL3 é mantida
Banco eleva de R$ 35 para R$ 42, mas reforça que a compra da empresa de saneamento já está precificado na ação

A aquisição de 15% da Sabesp (SBSP3) foi um bom negócio para a Equatorial. Pelo menos esta é a visão do JP Morgan.
O bancão norte-americano elevou o preço-alvo de EQTL3 de R$ 35 para R$ 42, projetando uma alta de 17,8% para a holding de energia elétrica.
No entanto, os analistas da instituição reforçam que a aquisição já está de algum modo embutida no valor atual das ações. Dessa forma, eles mantêm a recomendação neutra no papel.
Além do “efeito Sabesp”, o JP Morgan justifica a elevação do preço-alvo pelos bons resultados da empresa no 2T24 e pelo crescimento da demanda maior do que o estimado para o segundo semestre.
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Equatorial: é boa, mas não é a principal escolha do JP Morgan
Na projeção dos analistas, a Equatorial oferece uma taxa de retorno interno (TIR) de 10,8% retorno com dividendos (dividend yield) de 1,6%. O cálculo tem como base a perspectiva de distribuição de 25% do resultado aos acionistas.
Dentre as concessionárias integradas de serviços públicos do Brasil, o banco considera que a holding tem um dos múltiplos menos atrativos, dado o seu bom histórico, potencial de execução e perfil de crescimento.
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Em relatório recente, o JP Morgan avalia que as distribuidoras de energia elétrica brasileiras oferecem um potencial de valorização de 18,4% e uma TIR de 11,1%, com um risco relativamente menor.
Nesse contexto, as escolhas do JP Morgan no segmento de energia são Energisa (ENGI1) e Copel (CPLE6).
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Negócio da Equatorial é sólido e diversificado; aquisição de parte da Sabesp é estratégica
Apesar da recomendação neutra em EQTL3, o JP Morgan reforça que a empresa tem uma gestão de primeira classe e que opera em um ambiente favorável para aumentar suas receitas e expandir seus negócios.
“A Equatorial obteve muito sucesso em aquisições no segmento de distribuição, seja de energia elétrica ou de saneamento. O sucesso vem de um profundo entendimento do modelo regulatório no Brasil, da disposição de entrar em concessões desafiadoras e assumir riscos que outros players considerariam muito altos. Esta abordagem deu resultado em todas as aquisições de distribuição da empresa”, comentam os analistas em relatório.
Equatorial também tem o negócio bem diversificado: além da distribuição de energia elétrica, a empresa está presente no mercado de energias renováveis e no setor de saneamento, com a aquisição estratégica de 15% da Sabesp.
As ações de SBPS3 foram compradas pela Equatorial a R$ 67 no começo deste mês, o que o banco americano considera “extremamente atrativo”. Isso porque o JP Morgan antevê a ação da Sabesp cotada em R$ 125 até o fim de 2025.
Para financiar a operação, de valor total de R$ 6,9 bilhões, a Equatorial lançou mão de um aumento de capital de até R$ 2,5 bilhões, além de um empréstimo-ponte de R$ 5,6 bilhões.
- O empréstimo-ponte é um tipo de financiamento de curto prazo, usado principalmente em negociações que são sensíveis ao tempo e precisam ser fechadas de forma quase imediata.
Somando-se a isso, a empresa vendeu sua linha de transmissão SPE 07 por R$ 800 milhões, com um retorno sobre o investimento de 7,2%; e ainda possui outras sete projetos de transmissão que podem trazer uma receita total de R$ 1,1 bilhão, com valor patrimonial potencial estimado em R$ 6,3 bilhões.
Esta venda de ativos poderia ser usada para quitar o financiamento da aquisição da Sabesp, na visão do JP Morgan. Dessa forma, segundo o banco, não seria necessária uma captação adicional de recursos.
Quer se aprofundar no assunto? Leia nossas outras reportagens:
- Privatização da Sabesp (SBSP3) é concluída e Equatorial (EQTL3) tem que pagar a conta: presidente da companhia diz ter mais ativos prontos para vender e levantar recursos
- A Sabesp (SBSP3) continua uma pechincha? Saiba o que fazer com as ações após a privatização; Itaú BBA também dá dica sobre outro papel
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