B3 (B3SA3) na berlinda? Banco corta o preço-alvo das ações da dona da bolsa — e diz o que fazer com os papéis
O Bank of America também reduziu as projeções de lucro líquido recorrente e volume médio diário negociado (ADTV) de ações até 2026

Juros mais altos, volumes mais baixos e crescimento mais lento que o esperado. É por conta desse cenário que os analistas do Bank of America (BofA) decidiram cortar o preço-alvo das ações da B3 (B3SA3), que opera a bolsa de valores brasileira.
Segundo o relatório do banco divulgado nesta quarta-feira (11), o preço-alvo foi cortado de R$14 para R$13 — que representa um potencial de valorização de apenas 5% em relação ao preço da ação no fechamento anterior, quando os papéis foram negociados a R$ 12,44.
Além do preço-alvo, a recomendação para as ações da B3 foi rebaixada, agora para “neutra”, refletindo o pessimismo do banco com a operadora da bolsa brasileira.
No pregão desta quarta-feira, as ações da B3 também tiveram um mau desempenho. Os papéis fecharam em queda de 2,33%, a R$ 12,15. No ano, a queda acumulada é de 12%.
No documento assinado pelos analistas Mario Pierry e Antonio Ruette, o BofA também cortou as projeções de lucro por ação (LPA) e do indicador esperado de preço por lucro.
Segundo o banco, as decisões refletem as perspectivas de um ambiente de taxas mais altas por mais tempo, “já que nossos economistas agora esperam que o Banco Central (BC) do Brasil embarque em um nicho de aperto monetário no início de 2025”.
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BofA reduz projeções de lucros da B3 (B3SA3)
Diante desse cenário, o Bank of America projeta um lucro líquido recorrente de R$ 4,741 bilhões para a B3 em 2024, ante R$ 4,764 bilhões da projeção anterior.
Para 2025, a expectativa de lucro caiu de R$ 5,180 bilhões para R$ 4,981 bilhões. Em relação à 2026, a projeção caiu de R$ 5,654 bilhões para R$ 5,433 bilhões.
Para o volume médio diário negociado (ADTV) de ações, os analistas mantiveram a estimativa de R$ 24 bilhões em 2024, enquanto reduziram a de 2025 de R$ 26 bilhões para R$ 24 bilhões. Para 2026, a projeção foi reduzida de R$ 28 bilhões para R$ 25 bilhões.
Em abril deste ano, outro bancão rebaixou a recomendação para as ações da B3 para neutra. À época, as incertezas em relação à política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) e deterioração das expectativas para as contas fiscais do Brasil também levaram o BTG Pactual a rebaixar as ações da dona da bolsa brasileira.
E por falar na bolsa brasileira…
Desde junho, a B3 vive um período complicado com a estagnação do seu principal índice, o Ibovespa. No mês de julho, o número de investidores (CPFs individuais) caiu 3,9% em relação ao mesmo período do ano passado.
Em junho, o número de investidores chegou a 5,109 milhões, uma queda de 0,2% na base mensal. Vale dizer que, em maio, a empresa já havia registrado queda de 3,3% em relação ao mesmo mês de 2023.
Além do mau momento do Ibovespa nos últimos meses, a falta de novas aberturas de capital (IPOs, em inglês) desde 2021 também contribui para a saída dos investidores.
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