Banco Inter amplia demissões em meio a pressão por resultados e polêmica com cartilha a funcionários
A fintech desligou mais de 90 funcionários um dia após divulgar balanço trimestral; tecnologia é uma das áreas mais afetadas pelo corte

A lista de demissões nas empresas brasileiras segue crescendo e a mais nova companhia a assinar o nome é o banco Inter. A fintech demitiu mais de 90 funcionários na última terça-feira (9), sendo a área de tecnologia uma das mais afetadas pelo corte, de acordo com informações do Sindicato dos Bancários.
A redução no quadro de pessoal representa cerca de 2% da força total de trabalho do banco, que possui aproximadamente 4,8 mil funcionários — segundo informações da página da companhia no LinkedIn.
Mas, de acordo com o portal Layoffs Brasil — plataforma que reúne as empresas e os profissionais demitidos nos últimos dois anos —, cerca de 150 pessoas foram desligadas em um único dia.
De acordo com relatos de ex-funcionários nas redes sociais, as demissões já estavam ocorrendo, mas de forma faseada, há pelo menos dois meses.
Por fim, o Sindicato de Bancários de Belo Horizonte — onde a empresa é sediada — afirmou, em nota pública, que está em negociação com o banco digital “para o fim imediato do processo de demissões”.
"Se houve qualquer tipo de reestruturação no Inter, esta deveria ser tratada de forma responsável e que não prejudicasse ainda mais os trabalhadores. Funcionárias e funcionários não podem pagar pelo erro da alta cúpula do banco", escreveu o diretor do sindicato Marco Aurélio, em nota.
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O que diz o Banco Inter
O Seu Dinheiro questionou o Inter sobre as demissões ocorridas nesta semana*. Em nota, o banco digital afirmou que os ajustes no quadro de pessoal fazem parte do plano estratégico da companhia para os próximos anos. O número de desligados não foi informado oficialmente.
Confira íntegra do posicionamento do banco:
"O Inter realizou ajustes no quadro de colaboradores, priorizando alguns projetos e adequando a estrutura organizacional para cumprir o planejamento estratégico previsto para os próximos anos. O Inter agradece e destaca o papel de cada colaborador na construção da história da empresa. A Companhia segue realizando contratações alinhadas com o crescimento e a expansão do negócio."
Demissões após balanço
As demissões acontecem em meio à pressão dos investidores para que o Inter entregue resultados financeiros melhores. Aliás, o Inter divulgou o balanço do primeiro trimestre de 2023 nesta semana.
O banco reverteu o prejuízo de R$ 28,8 milhões, entre janeiro e março de 2022, em lucro líquido, de R$ 24,2 milhões nos primeiros três meses deste ano. Apesar da melhora, o resultado representa uma queda de 16% em relação ao quarto trimestre do ano passado.
A receita líquida somou R$ 1,024 bilhão, alta de 2,2% no trimestre. Por outro lado, a inadimplência deu um salto de 3,5% para 4,7% nos últimos 12 meses.
O Inter tem um plano ousado de alcançar uma rentabilidade maior que a dos grandes bancos privados em um prazo de cinco anos, mas o mercado não comprou a ideia.
As ações do banco digital registram forte queda e perderam destaque desde que o banco decidiu migrar para a bolsa norte-americana Nasdaq.
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Cartilha aos funcionários
Há pouco mais de duas semanas, o banco Inter enviou uma cartilha de política de vestimenta aos funcionários — que foi alvo de críticas.
O “manual” corporativo dava dicas de como montar um "guarda-roupa cápsula", com peças atemporais de cores neutras, além de “alguns cuidados” com a imagem pessoal que os funcionários deveriam seguir. Entre eles, observações sobre a aparência das unhas e cabelos e, até mesmo, a capinha do celular.
*Matéria atualizada às 14h03, da data de publicação, para a inclusão do posicionamento do Inter.
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