Por que a Petrobras (PETR4) voltou a adiar a venda de três de suas maiores refinarias?
O ritmo morno das propostas está relacionado ao temor com a aproximação do período eleitoral e com o posicionamento dos principais candidatos ao pleito

Apesar de bem avaliadas pelo mercado, três refinarias da Petrobras (PETR4) recolocadas à venda - Refap (RS), Repar (PR) e Rnest (PE) - no final de junho têm atraído pouco interesse.
O ritmo morno das propostas, que levou ao adiamento da oferta desses ativos para o dia 29 de julho, está relacionado ao temor com a aproximação do período eleitoral.
Mesmo grupos para os quais faz todo sentido investir em refino, como as grandes distribuidoras, estariam mais reticentes. Isso porque o pleito deve ser protagonizado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) e pelo ex-presidente Lula (PT), ambos associados a instabilidade no mercado de combustíveis.
Fontes de mercado dizem que é possível haver ofertas na nova data, por se tratar de ativos de qualidade em um país com demanda cativa e matéria-prima garantida, em um momento de margem recorde para o refino. Questionada, a Petrobras não se pronunciou.
Fila menor de pretendentes para a Petrobras (PETR4)
Mas é tido como certo que, se houver interesse, o número de potenciais compradores será bem inferior ao registrado na virada de 2019 para 2020, início da primeira tentativa de venda das unidades, que fracassou.
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À época, o então presidente da companhia, Roberto Castello Branco, chegou a dizer que havia pelo menos 20 interessados. Segundo informações do Estadão, ao menos dez empresas estavam atentas ao processo de venda, incluindo as nacionais Ultrapar e Raízen (RAIZ4).
Além delas, estrangeiras como as suíças Vitol e Glencore, as americanas Valero e CVR Energy, as chinesas PetroChina e Sinopec e o fundo árabe Mubadala - que compraria a Refinaria Landulpho Alves (Rlam) - estavam entre as interessadas.
Mas o cenário mudou drasticamente dois anos e meio depois. Bolsonaro, em fim de governo, pressiona a Petrobras a segurar preços, e Lula, com discurso contrário às privatizações, é líder das pesquisas de intenção de voto. Ambos comportamentos afugentam investidores.
Um estrategista próximo ao processo diz que, se a Petrobras quiser de fato vender as unidades, terá de ser mais flexível nos preços desta vez e dar descontos que compensem o risco de momento e alguma necessidade de investimento que, afirma, não é tão grande como dizem alguns investidores.
Professor da PUC-RJ, Edmar Almeida acredita que só os grandes grupos de distribuição nacionais, como Cosan e Ultra, ou fundos internacionais podem vir a se apresentar.
Nos bastidores, porém, fala-se que o grupo dono da Ipiranga e da Ultragaz não deve voltar à carga, depois da frustração em negociações para a compra da Refap no fim do ano passado. O grupo teria oferecido R$ 1,5 bilhão, mas a Petrobras estressou a negociação com pedidos mais altos. Procurado, o Ultra não se pronunciou.
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Importância dos ativos da Petrobras (PETR4)
As três refinarias estão entre as maiores da Petrobras e foram colocadas à venda com as suas unidades de logística. A Refinaria Abreu e Lima (Rnest), em Pernambuco, tem capacidade de refinar 230 mil barris de petróleo por dia e pode dobrar de volume, quando ganhar mais um trem de refino, e se tornar a maior do País.
A Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná, com capacidade de 207 mil barris/dia, tem como atrativo a produção de biocombustíveis (diesel verde e bioquerosene de aviação).
Por fim, a Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), no Rio Grande do Sul, com capacidade para 207 mil barris/dia, atende o Sul e exporta o excedente.
Critérios para participação
Para as empresas interessadas no negócio, a Petrobras já divulgou quais são os critérios que devem ser atendidos pelos compradores.
A participação no processo só poderá ocorrer se a companhia atender a pelo menos uma das seguintes exigências:
- se for uma empresa do setor de óleo e gás, registrar receita bruta superior aos US$ 3 bilhões em 2021 e possuir e operar ativos de produção, refino, transporte, logística, varejo, comercialização ou distribuição de petróleo e/ou seus derivados.
- ou, caso seja player financeiro, possuir ativos sob gestão em valor superior a US$ 1 bilhão.
Além disso, os interessados também serão vetados caso estejam incluídos nas listas restritivas do Office of Foreign Assets Control, Cadastro de Empresas Inidôneas e Suspensas, Cadastro Nacional de Empresas Punidas e Empresas impedidas de transacionar com a Petrobras.
*Com informações do Estadão Conteúdo
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