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Os investidores aguardam a ‘Super Quarta’ na semana que vem, com perspectiva de que os Bancos Centrais elevem os juros ainda mais
A semana encaminha-se para o fim e os investidores parecem ter jogado a toalha. Pelo menos por hoje. O sinal vermelho nas bolsas estrangeiras impõe-se como um dos obstáculos para que o Ibovespa se recupere nesta sexta-feira das perdas acumuladas na semana. Mas não é único.
Em Wall Street, os índices futuros apontam para mais uma abertura em queda, com o Nasdaq caminhando para sua pior semana desde junho deste ano.
Mas não é só nos Estados Unidos que o clima nos mercados financeiros amanhece em meio a chuvas e trovoadas.
Os principais índices de ações da Europa abriram em queda. Por lá, os investidores estão preocupados com os riscos crescentes de uma recessão em meio ao aumento das taxas de juro e à persistente volatilidade no mercado de energia.
Como se isso não bastasse, a libra esterlina flerta com sua mais baixa cotação em relação ao dólar desde 1985 e o euro opera abaixo da paridade com a moeda norte-americana.
Para piorar, é improvável que a pressão sobre os ativos de risco diminua antes do meio da próxima semana, quando ocorrerá a chamada Super Quarta.
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A Super Quarta é a forma como os investidores locais se referem à coincidência de datas das reuniões de política monetária do Banco Central do Brasil e do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano).
Apesar de os mais recentes números da inflação nos Estados Unidos continuarem apontando para uma desaceleração na alta dos preços, analistas consideram que o Fed vai manter uma postura agressiva no aperto monetário em andamento por lá.
Por aqui, a bolsa brasileira deve seguir colada no exterior e dificilmente conseguirá apontar para uma direção contrária dada a falta de indicadores locais e corrida eleitora.
No pregão da última quinta-feira (15), o Ibovespa encerrou o dia em queda de 0,54%, aos 109.953 pontos. O dólar à vista avançou 1,18%, a R$ 5,2391.
Confira o que movimenta a bolsa, o dólar e o Ibovespa nesta sexta-feira (16):
Chama a atenção o recuo de mais de 15% das ações da FedEx no pré-mercado norte-americano.
A queda acentuada do papel é uma reação ao fato de a empresa de remessas ter reportado números trimestres abaixo das expectativas dos analistas e retirado as projeções para os resultados de 2022.
A FedEx anunciou ainda que irá implementar iniciativas de corte de custos para lidar com a queda nos volumes de remessas globais. Tudo porque “as tendências macroeconômicas pioraram significativamente”.
O destaque da manhã vai para o desempenho econômico da China, que reage aos estímulos do governo de Pequim para limitar os efeitos da política de “covid zero” no país.
A produção industrial na China superou as previsões dos analistas, com crescimento de 4,2% em agosto, na base anual — contra as estimativas de avanço de 4%.
Já as vendas no varejo avançaram 5,4% na comparação anual, também acima das estimativas de 4%.
O forte desempenho da economia chinesa pode animar a expectativa para países emergentes — entre eles, o Brasil.
Por aqui, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, andou jogando água no chope dos investidores.
Ele tem advertido que, apesar da desaceleração da alta dos preços — e das leituras mensais de deflação do IPCA —, a batalha contra o dragão da inflação não está ganha. Diante disso, cada vez mais analistas agora consideram que o BC deve levar a taxa Selic para além dos atuais 13,75% por ano.
Alguns analistas entendem que os juros podem chegar aos 14% ao ano ao final do ciclo. Dessa forma, a próxima Super Quarta terá uma importância fundamental.
Os investidores também devem repercutir o cenário de estabilidade da nova rodada do Datafolha. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manteve os 45% de intenção de voto da pesquisa anterior.
O presidente Jair Bolsonaro (PL) oscilou um ponto para baixo, para 33%.
A pouco mais de duas semanas do primeiro turno das eleições presidenciais, a expectativa é de que os apoiadores de Lula passem a pregar com cada vez mais veemência o voto útil no ex-presidente.
Já os bolsonaristas buscam reanimar suas bases depois da a intenção de voto no atual presidente e candidato à reeleição aparentemente ter chegado ao teto.
A saída do executivo que liderava a desalavancagem e as negociações fiscais aumentou a percepção de risco do mercado e pressionou as ações da varejista
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