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Executivo avalia que altas nas taxas de juros globais devem beneficiar ativos brasileiros que privilegiam valor em vez de crescimento
Estamos acostumados a ouvir que o aumento dos juros na economia americana vai forçar uma correção nas bolsas. O que não estamos acostumados a ouvir é que o Ibovespa vai, na verdade, se beneficiar disso. E quem fez essa afirmação foi ninguém menos que André Esteves, sócio sênior do BTG Pactual.
Segundo Esteves, o mundo “taxa zero” dos últimos anos favoreceu a busca por ativos que privilegiavam crescimento (growth), mas o que deve ocorrer agora é uma rotação para ativos que têm valor (value).
Na análise do executivo, que vai assumir a presidência do conselho de administração do BTG, o Brasil é value no contexto global.
“Temos boas companhias, ciclo de commodities positivo, múltiplos baixos e juros altos. Na hora que o mundo prestar atenção em value, o Brasil entra no radar”, afirmou Esteves, que participou do CEO Conference, evento promovido pelo BTG.
E uma amostra desse influxo já pôde ser observada nesse início de ano. Até o momento, os investidores estrangeiros alocaram cerca de R$ 55,8 bilhões na B3 e o dólar caiu mais de 10%, chegando a tocar R$ 5,00.
Segundo Esteves, a força da moeda americana no mundo se relaciona com o mercado emergente de tecnologia americano, representado por Tesla, Apple, entre outras.
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“O dinheiro fluiu muito para esse mercado, criou excessos e agora está apanhando um pouco. Na minha visão, deve apanhar um pouco mais”, disse o executivo do BTG Pactual.
Esse fluxo teve estímulo do ambiente de juros muito baixos nos últimos anos.
“Na hora que o juro, ou o ‘custo de sonhar’ vai a zero, o sonho vai ao infinito. Acho que a taxa de juros vai disciplinar esse sonho por meio da reprecificação de ativos financeiros”, afirmou Esteves.
Esteves ressaltou, ainda, que enquanto o mercado antecipa que o Federal Reserve vai concluir o ano com um aumento de 150 pontos-base na taxa de juros, um aumento dessa ordem de grandeza foi feito numa tacada só na última reunião do Copom.
“O diferencial de juros está muito alto. Por aqui, os juros vão a cerca de 12% e atraem um pouco de capital para cá. Estou otimista com o framework do mercado de capitais”, disse.
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