XP critica exigências do governo do Paraná à Copel por programa de units
Para analistas, riscos de governança corporativa da empresa aumentaram após a carta enviada pela administração estadual

A solicitação do governo do Paraná para que a Copel (CPLE6) pague dividendos extraordinários, além de impor condições para a migração da empresa do Nível 1 para o Nível 2 de governança da B3, foi vista pela XP Investimentos como um golpe na governança corporativa da empresa.
Na sexta-feira (8), a companhia informou que o governo estadual, seu controlador, pretende votar a favor da criação de um programa de units, mas condicionou a migração ao Nível 2 da B3 a dois fatores:
- a realização de uma oferta secundária de ações de titularidade do Estado, em conjunto com a oferta a ser realizada pela BNDESPar, o braço de participações em empresas do BNDES, mantendo seu controle acionário, e;
- a distribuição de dividendos extraordinários “no maior valor possível levando-se em consideração as necessidades de fluxo de caixa da Copel ao longo de 2021″.
Para os analistas Gabriel Francisco e Maira Maldonado, estas solicitações representam um retrocesso em termos de governança, contrastando “em muito” com a independência que a gestão da Copel vem tendo desde 2019 para conduzir “um dos melhores processos de melhorias operacionais da história da companhia”.
[captacao]
O que incomoda?
Eles consideram negativa a intenção do governo estadual de vender uma participação adicional na Copel tendo em vista as pressões de liquidez provocadas pela venda de uma participação correspondente a até 14,4% do capital total – o Estado pode continuar controlando a companhia com 16,7% do capital total, ou metade do capital votante mais uma ação.
A medida provocaria também um desalinhamento de incentivos do governo após a oferta, diante do descasamento entre a sua posição acionária final e o poder de controle. Esta situação poderia resultar em riscos futuros de intervenção do governo na empresa, na opinião dos analistas da XP Investimentos.
Leia Também
No caso dos dividendos extraordinários sendo exigidos, eles avaliam que o pagamento tem que passar pelo crivo das instâncias decisórias da Copel, e não por meio de solicitação do acionista controlador.
“Do contrário, a impressão que fica é que o Governo do Estado quer extrair recursos da companhia antes de vender parte de sua posição em uma oferta secundária”, diz trecho do relatório.
Nem tudo está perdido
Apesar das críticas, os analistas da XP Investimentos avaliam que a questão dos dividendos pode ter um desfecho positivo.
Para isso, o conselho de administração da Copel deveria propor uma política de dividendos que permita a distribuição extraordinária caso certas condições de endividamento fossem cumpridas e com salvaguardas para preservar a saúde financeira da companhia.
“Inclusive, não acreditamos que o mercado reagiria mal se ocorresse uma distribuição de dividendos extraordinária antes da venda de parte da participação do Estado, desde que ela fizesse parte de uma mudança no estatuto da companhia, e que possa ocorrer de maneira recorrente no futuro”, diz trecho do relatório.
Os analistas da XP Investimentos acreditam que se a mudança na política de dividendos da Copel ocorresse da maneira adequada – aprovada pelo conselho de administração e em assembleia de acionistas –, poderia contribuir para o processo de venda de parte da participação do governo do Paraná.
Preço-alvo
Paralelamente, os analistas da XP Investimentos elevaram o preço-alvo das ações da Copel, de R$ 70,00 para R$ 75,00, por conta da venda da Copel Telecom, em novembro, para o fundo de investimento Bordeaux, por R$ 2,4 bilhões.
Eles calculam que a privatização da antiga companhia telefônica estatal teve um efeitos pós-impostos sobre ganho de capital de R$ 1,54 bilhão em suas estimativas, o equivalente a R$ 5,60 por ação.
Os analistas mantiveram a recomendação de compra para os papéis.
RESULTADO
Itaú (ITUB4) lucra R$ 12,6 bilhões no 3T26, em linha com o esperado; veja o que pesou no balanço
3 de novembro de 2026 - 18:37CAIU DEMAIS?
Nubank (NU): XP vê duas cartas na manga para roxinho; saiba o potencial da ação
3 de novembro de 2026 - 17:47PRÉVIA DO BALANÇO
Após decepção dos rivais no 3T26, é a vez de o Itaú (ITUB4) mostrar por que joga em outra liga; veja o que esperar do balanço
3 de novembro de 2026 - 6:02ALÔ, É UM SER HUMANO?
Fim da secretária eletrônica? Empresas terão de oferecer atendimento humano obrigatório no SAC; veja o que muda
2 de novembro de 2026 - 14:00O TEMPO FECHOU
Chilli Beans vê o sol se esconder: rede de óculos escuros pede recuperação extrajudicial; entenda os próximos passos da empresa
1 de novembro de 2026 - 10:35TIRANDO O CAVALINHO DA CHUVA
Nada de dividendos extras: Vale (VALE3) descarta possibilidade, mas CFO revela alternativa que pode agradar acionista
31 de outubro de 2026 - 16:11REESTRUTURAÇÃO
Raízen (RAIZ4) será dividida em duas empresas listadas em bolsa e aprova aumento de capital de R$ 39,8 bilhões
30 de outubro de 2026 - 19:00PROTEÇÃO ATIVADA
Apesar da pressão nos custos, Vale (VALE3) conta como economizou até US$ 3 bilhões no 3T26; ação sobe mesmo com balanço fraco
30 de outubro de 2026 - 15:18REDUÇÃO DE DÍVIDA NO RADAR
Vai sair do papel? CSN (CSNA3) dá passo decisivo para venda de negócio de cimentos por R$ 12,7 bilhões
30 de outubro de 2026 - 10:26BALANÇO 3T26
Com minério de ferro e petróleo jogando contra, Vale (VALE3) vê lucro cair 53%, para US$ 1,255 bilhão
29 de outubro de 2026 - 20:27O FUTURO DA PETROLEIRA
Petrobras (PETR4) confirma terceira descoberta de petróleo na Margem Equatorial
29 de outubro de 2026 - 18:50HORA DE COMPRAR?
Gerdau (GGBR4) no radar: Itaú BBA recomenda compra e UBS BB vê ação a R$ 35; o que está por trás do otimismo?
29 de outubro de 2026 - 16:50AQUECIMENTO PARA O BALANÇO
Dividendos de até US$ 4,2 bilhões: com operacional tinindo, Petrobras (PETR4) deve ‘blindar’ os proventos da queda do petróleo
29 de outubro de 2026 - 14:49RESULTADOS DO 3T26
Microsoft (MSFT) mostra que é possível crescer com IA gastando menos e com balanço sólido; veja números
29 de outubro de 2026 - 11:53CILADA NA BOLSA?
E agora, Nubank? Itaú BBA corta preço-alvo e alerta: o pior ainda pode estar por vir
29 de outubro de 2026 - 11:22NA MIRA DO BC
Mais uma liquidação: Banco Central tira do ar empresa que operava nos bastidores do Pix após encontrar “graves violações”
29 de outubro de 2026 - 9:34AQUECIMENTO PARA O BALANÇO
Vale (VALE3): lucro deve cair quase 50% no 3T26 com inimigo persistente roubando a cena. O que esperar do balanço de hoje?
29 de outubro de 2026 - 6:30RENEGOCIAÇÃO
Raízen (RAIZ4) consegue desconto de R$ 8,5 bilhões em dívidas tributárias; veja quanto a empresa terá de pagar
28 de outubro de 2026 - 18:26PERDEU O ENCANTO?
Itaú BBA deixa de recomendar compra de Bradesco (BBDC4), e ação cai forte; o que levou o bancão a perder o brilho?
28 de outubro de 2026 - 16:27O DILEMA DO BANCÃO