Enquanto elétricas sentem o baque, Axia (AXIA3) desponta como destaque positivo do 1T26; veja o que esperar segundo o Itaú BBA
Queda de demanda, piora na hidrologia e avanço dos preços de energia marcaram o período, favorecendo empresas mais expostas ao mercado de curto prazo

A Axia Energia (AXIA3), ex-Eletrobras, deve ser o principal destaque positivo entre as elétricas nesta temporada de resultados do primeiro trimestre, segundo um relatório do Itaú BBA.
A leitura vem em um contexto menos favorável do que o observado nos últimos trimestres, algo que deve ficar evidente já nos primeiros balanços. O banco destaca que os primeiros três meses do ano foram marcados por uma combinação de fatores adversos, como queda de demanda, piora das condições hidrológicas e forte elevação dos preços de energia.
Esse pano de fundo cria um cenário misto para as empresas do setor. Se, por um lado, há pressão sobre volumes e margens, por outro, abre espaço para ganhos pontuais com preços mais elevados, especialmente para companhias com maior exposição ao mercado e portfólio mais flexível, caso da Axia.
“Beneficiada pelo ambiente de preços elevados e pela menor exposição aos efeitos negativos do trimestre, a Axia Energia deve apresentar um desempenho superior aos seus pares”, escrevem os analistas no relatório.
A expectativa do banco para a empresa é de crescimento de 30,7% na receita na comparação anual, impulsionada justamente pelo ambiente de preços mais altos e menor exposição aos pontos negativos do setor. Os analistas mantém recomendação de compra para o papel.
Os fatores que pesaram contra as elétricas no primeiro trimestre, segundo o Itaú BBA
Segundo o banco, a demanda média no Sistema Interligado Nacional (SIN) ficou em cerca de 84,9 Giga Watts médios no trimestre, uma retração anual de 1,4%. O movimento reduz o potencial de crescimento das distribuidoras, já que limita o avanço do mercado atendido.
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Ao mesmo tempo, a hidrologia também jogou contra. Apesar dos reservatórios encerrarem o período em 68% da capacidade, praticamente estáveis na comparação anual, o fator de ajuste de geração (GSF) caiu de 1,07 para 0,92 — o que penaliza especialmente geradoras hidrelétricas mais expostas ao risco.
O Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) médio no Sudeste/Centro-Oeste chegou a R$ 308/MWh, quase o dobro do registrado um ano antes. No Sul, foi ainda maior, em R$ 358/MWh. Basicamente, o PLD mede o preço da energia no curto prazo.
Além do patamar elevado, a volatilidade também chamou atenção, com oscilações que foram do piso regulatório até o teto de R$ 1.622/MWh ao longo do dia. Esse ambiente tende a favorecer empresas com maior exposição a preços ou com portfólio mais flexível, como comercializadoras e geradoras menos contratadas.
Além da Axia Energia, o que esperar das empresas do setor no 1T26
A Alupar (ALUP11) deve apresentar um trimestre mais equilibrado. A transmissão segue com crescimento sustentado pela Receita Anual Permitida (RAP), a remuneração fixa que empresas de transmissão de energia têm direito a receber por operar suas linhas.
Enquanto isso, a geração se beneficia dos preços elevados, apesar de um nível relevante de curtailment, cortes forçados na produção de energia por excesso de oferta ou limitações no sistema, próximo de 23% da produção renovável.
Entre as distribuidoras, o cenário é mais heterogêneo. A Energisa (ENGI11) deve mostrar crescimento moderado de volumes, com leve melhora nas perdas, enquanto a Equatorial (EQTL3) mantém expansão mais forte, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, embora a operação de renováveis siga pressionada.
Já a CPFL Energia (CPFE3) deve sentir mais o impacto negativo, com queda de volumes na distribuição e pressão na geração eólica, que sofreu com menor intensidade de ventos e curtailment acima de 20%.
No saneamento, a Sabesp (SBSP3) tende a mostrar crescimento de receita puxado por aumento de volume e reajuste tarifário, com custos relativamente controlados. Ainda assim, a recomendação segue neutra.
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