Com Warren Buffett na plateia, novo CEO traça próximos passos da Berkshire Hathaway; veja os destaques da primeira reunião sem o Oráculo de Omaha
Durante homenagem, o megainvestidor destacou a trajetória da Apple e elogiou a liderança de Tim Cook após a morte de Steve Jobs

A longa mesa e o fundo azul da assembleia anual de acionistas da Berkshire Hathaway são familiares para os investidores, mas o rosto que conduz o evento neste sábado (2) é diferente. Dessa vez, quem ocupa a cadeira de CEO é Greg Abel, que assumiu o cargo no início deste ano, enquanto o megainvestidor Warren Buffett estava na plateia.
O evento começou com homenagens ao Oráculo de Omaha, com uma camisa com o nome de Warren Buffett sendo içada até as vigas no CHI Health Center. Nela, também estava estampada o número 60, como uma comemoração permanente aos muitos anos do megainvestidor no conglomerado.
Após o tributo, Buffett discursou de seu assento, na primeira fileira, pegando o microfone para elogiar Greg Abel. Ele lembrou que hoje marca o aniversário de quando ele anunciou que Abel se tornaria CEO.
"Não poderíamos ter tomado uma decisão melhor. Foi 100% bem-sucedido. Ele está fazendo tudo que eu fiz e até mais. Ele é a pessoa certa", disse.
Já Abel, ao agradecer o reconhecimento, afirmou que a cultura corporativa seguirá sendo o principal ativo da Berkshire Hathaway após a saída do Oráculo de Omaha do comando da empresa. “A cultura é a base da Berkshire e seguirá após a saída de Buffett”, declarou.
Vale lembrar que, embora Buffett não ocupe mais a cadeira de CEO, ele permanece como presidente do conselho (chairman).
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Warren Buffet discursa sobre a Apple
Ainda durante o discurso, o megainvestidor destacou a trajetória da Apple e elogiou a liderança de Tim Cook após a morte de Steve Jobs. “Apple parece uma empresa nova, mesmo após 50 anos”, comentou.
Buffet também afirmou que o investimento de cerca de US$ 35 bilhões da Berkshire Hathaway na companhia norte-americana de tecnologia se transformou em aproximadamente US$ 185 bilhões ao longo da última década, considerando dividendos, ganhos realizados e valorização não realizada.
Segundo o megainvestidor, a Berkshire praticamente entregou parte relevante de seus recursos à administração da Apple.
Berkshire Hathaway de olho na inteligência artificial
Durante o evento, Abel afirmou que a companhia vem ampliando o uso de inteligência artificial (IA) e reforçando a contratação de desenvolvedores.
Segundo o CEO, o objetivo é acelerar a transformação digital dos negócios, especialmente na área de energia, diante da crescente demanda provocada pela expansão de data centers e hyperscalers (grandes provedores de serviços de nuvem) nos Estados Unidos.
Porém, o executivo afirmou que o conglomerado adota uma postura mais conservadora. "Tem que ser adicional para nossos negócios. Não vamos fazer IA por causa da IA", disse.
Abel anunciou ainda que a Berkshire implementará inteligência artificial de forma restrita e focada na criação de propostas de valor. Além disso, avaliou que há riscos para a humanidade ligados à tecnologia que o conglomerado está levando em consideração.
O novo CEO também destacou que a Berkshire já opera em um patamar considerado elevado em relação a outras utilities dos Estados Unidos, muitas das quais ainda projetam atingir algo entre 5% e 10% de exposição ao consumo de data centers nos próximos anos.
"Consumo de energia por data centers pode crescer 50% em cinco anos", avaliou.
Porém, o executivo ressaltou que a expansão da infraestrutura energética para atender hyperscalers e centros de processamento de dados não poderá elevar tarifas para consumidores tradicionais.
Segundo ele, os próprios operadores de data centers terão de arcar integralmente com os custos da expansão da rede elétrica.
Apesar das oportunidades, Abel ainda alertou para desafios regulatórios crescentes no setor elétrico nort-americano, sobretudo relacionados à distribuição de riscos entre empresas e reguladores.
Abel reforça princípios de Warren Buffet
No evento, Abel deu a sua visão sobre o vasto portfólio de ações da empresa, enfatizando uma abordagem concentrada ancorada em alguns poucos ativos principais.
O novo CEO afirmou que vai manter cerca de US$ 200 bilhões concentrados em um número reduzido de investimentos em ações. Ele descreveu o que chamou de "quatro posições centrais": Apple, American Express, Moody's e Coca-Cola. As empresas serão a base investimentos em ações da Berkshire, segundo Abel.
Ele também indicou as participações do conglomerado em casas comerciais japonesas como outro pilar-chave do portfólio, enfatizando um compromisso de longo prazo com essas empresas.
Além desses âncoras, Abel destacou várias outras participações significativas, incluindo Bank of America, Chevron e Alphabet.
Vale lembrar que a Berkshire comprou cerca de US$ 4 bilhões em ações da Alphabet, dona do Google, no terceiro trimestre de 2025.
Apesar das próprias avaliações, Abel acrescentou que está "absolutamente colaborando" com Buffett nos investimentos e que que pretende manter a filosofia de investimentos baseada no chamado "círculo de competência", conceito popularizado pelo Oráculo de Omaha.
O CEO também relembrou que a atual carteira da Berkshire foi construída por Buffett a partir de empresas que o investidor "entende profundamente". Segundo Abel, a administração atual também se sente confortável com esses ativos.
"É uma carteira concentrada, mas entendemos os negócios e suas perspectivas econômicas", disse. O executivo ressaltou, contudo, que os investimentos continuarão sendo avaliados constantemente diante de possíveis mudanças de risco e cenário.
Os números da Berkshire Hathaway e os próximos passos do conglomerado
Segundo Abel, a Berkshire Hathaway está preparada para realizar investimentos de grande porte, apoiada em sua elevada posição de caixa e títulos do Tesouro dos Estados Unidos.
O executivo avaliou que a liquidez permite ao conglomerado atuar de forma rápida e decisiva na alocação de recursos, seja em aquisições integrais, reforço de participações em empresas listadas ou investimentos nos próprios negócios operacionais.
Nesta manhã, a empresa divulgou lucro operacional de US$ 11,3 bilhões no primeiro trimestre de 2026, o que representa alta de cerca de 18% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
O indicador exclui principalmente os efeitos de ganhos e perdas com investimentos, que, segundo a companhia, não são indicativos do desempenho operacional no período.
Abel também destacou que a companhia não pretende depender de fontes externas de financiamento, preservando sua independência financeira, e que a estrutura da Berkshire permite a realocação de capital entre diferentes áreas, o que amplia a capacidade de capturar oportunidades.
*Com informações da CNBC e Broadcast.
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