O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.
Esse espaço é um complemento às notícias do site.
Recurso Exclusivo para
membros SD Select.
Gratuito
O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.
Esse espaço é um complemento às notícias do site.
Você terá acesso DE GRAÇA a:
A negociação relâmpago entre Grupo Soma e Hering tem um racional interessante para ambos os lados. Mas há dúvidas no lado do financiamento

O setor de varejo de moda passa por uma corrida do ouro. Todos procuram, incansáveis, pela pedra reluzente que trará a maior riqueza de todas: a criação de um ecossistema com oferta ampla e forte presença digital. O Grupo Soma parece ter encontrado sua pepita mágica: acertou a compra da Cia Hering — a Arezzo, que primeiro viu o raio reluzente, ficou de mãos vazias.
E, de fato, a junção das duas empresas faz bastante sentido, do ponto de vista estratégico: o Grupo Soma, famoso por administrar diversas marcas de vestuário — Farm e Animale são as bandeiras mais conhecidas — adiciona um nome de peso ao portfólio.
Mais que isso: a Hering ocupa um espaço na moda básica e casual que, hoje, não é preenchido por nenhuma das lojas pertencentes ao grupo. E, é claro: a escala da centenária empresa catarinense, com uma enorme base de clientes e de lojas, é um atrativo por si só.
Para a Hering, a junção com o Grupo Soma também está pintada em dourado: a expertise dos compradores em administrar e promover uma guinada nas marcas é bastante conhecida — e a Hering, de uns anos para cá, perdeu parte de seu brilho.
Sendo assim, estamos diante de uma situação ganha-ganha, em que todos saem felizes? Bem, não é assim tão simples. O racional faz sentido, mas é preciso levar em conta o preço que foi pago pelo Grupo Soma. E, nesse aspecto, ainda há alguns pontos a serem esclarecidos.
Vamos antes entender a estrutura dessa operação: em resumo, o Grupo Soma avaliou a Cia Hering em R$ 5,1 bilhões, atribuindo um valor de R$ 33,00 por ação ON da companhia (HGTX3) — um prêmio de quase 50% em relação ao fechamento da última sexta-feira (23).
Leia Também
A título de comparação, a proposta do Grupo Soma foi muito superior à da Arezzo, que avaliou a Hering em R$ 3,3 bilhões, ou cerca de R$ 20/ação. Quando usamos como referencial o nível de preço do começo do mês, o prêmio oferecido pelos donos da Farm e da Animale é de quase 90%.
Dito isso: dinheiro é muito importante, mas não é tudo. Um gestor de São Paulo, em condição de anonimato, destacou que a estrutura administrativa proposta pelo Grupo Soma também foi mais atrativa à Hering. No desenho da Arezzo, cerca de 20% da nova companhia ficaria com os acionistas da empresa catarinense; na oferta de hoje, essa fatia é de 35%.
Por fim, Fabio e Thiago Hering, os dois principais executivos da centenária empresa têxtil, manterão posições ativas na estrutura administrativa do novo conglomerado.
Mesmo em termos concorrenciais, a união entre Grupo Soma e Hering não deve encontrar grandes obstáculos, dada a alta pulverização do varejo de moda — a nova empresa deverá ter cerca de 3% do market share.
"A Soma tem uma execução muito forte, ela tem tudo para acelerar a retomada de crescimento que a Hering não vinha entregando", disse um gestor de ações, em condição de anonimato. "A expertise da Soma pode acelerar a receita da Hering, e a Hering acelera a parte digital da Soma".

Mas como o Grupo Soma vai financiar essa operação? Dos R$ 5,1 bilhões, R$ 3,64 bilhões serão quitados em ações. Resta, assim, cerca de R$ 1,5 bilhão a ser pago em dinheiro — e esse é o X da questão.
Ou, nas palavras de um experiente trader com quem eu conversei ainda pela manhã: "será um grande movimento, não sei se conseguirão ter caixa para isso".
E, de fato, o caixa do Grupo Soma é robusto, mas não suporta uma compra desse tamanho. Ao fim de 2020, a empresa tinha caixa líquido de R$ 449,6 milhões; considerando títulos a receber, o caixa seria de R$ 706 milhões.
Importante ressaltar também que o Grupo Soma possui uma quantia relevante de compromissos com vencimento no curto prazo: ao todo, as dívidas em 2021 somam R$ 151 milhões, sendo R$ 117 milhões concentradas no primeiro trimestre.
Ou seja: será preciso recorrer a algum mecanismo de financiamento extra, como emissão de títulos de dívida, empréstimos bancários, emissão de ações ou outras ferramentas. Só que, em momento algum, o grupo fez menção a algum eventual plano.
No início da tarde, o Grupo Soma promoveu uma teleconferência com analistas e investidores, de modo a esclarecer alguns pontos referentes à transação. Os executivos não falaram sobre a estrutura de financiamento — e não abriram espaço para perguntas.
Essa incerteza ajuda a explicar o mau desempenho das ações do Grupo Soma nesta segunda-feira, com uma queda de 10,14%, a R$ 12,67. Por mais que o racional da operação faça sentido, a estrutura financeira ainda abre espaço para questionamentos.

Em linhas gerais, analistas de grandes bancos mostraram-se otimistas com a união entre Grupo Soma e Hering, destacando a complementação dos portfólios. Enquanto a primeira têm marcas mais caras e voltadas a um público com poder aquisitivo maior, a segunda tem ticket médio mais baixo e atinge uma base maior de clientes.

Isso, no entanto, não implica numa junção suave entre as empresas. Em relatório, os analistas do J.P. Morgan lembram que a Hering tem uma alta exposição ao modelo de franquias, algo pouco cimentado no Soma. Apenas recentemente a empresa entrou nesse modelo com a aquisição da Maria Filó, mas com um número bem menor de lojas.
"A operação com a Hering foi uma surpresa, considerando que esse é um nicho completamente novo para o Grupo Soma", escrevem os analistas do BTG Pactual, em relatório. "A compra implica num maior risco de execução, considerando o desempenho operacional fraco da Hering nos anos recentes".
Em termos de ganhos de sinergia, os executivos do Grupo Soma estimam que a fusão com a Hering trará economias da ordem de R$ 200 milhões anuais — a otimização do parque têxtil e da estrutura de logística são os principais pontos de ganho de eficiência.
A compra da Hering pelo Grupo Soma apenas ratifica uma percepção que já vinha ganhando força nas últimas semanas: a de que o setor de varejo de moda passa por um forte movimento de consolidação, com as empresas buscando portfólios mais amplos e eficiência maior nas operações digitais.
"É um mercado pulverizado. Quem tem portfólio mais complementar consegue, de certa forma, ter alavancagem", concluiu o gestor, deixando no ar a sensação de que vem mais coisa por aí.
EFEITO PETRÓLEO
HORA DE COMPRAR?
CLIENTES DE PESO
PROGRAMA DE PONTOS
ALÔ, ACIONISTA
CORRIDA PELO FUTURO
TESOURO?
RECARREGÁVEL?
ALERTA VERMELHO
QUASE NINGUÉM QUIS?
ACABOU O SEGREDO
VEJA DETALHES
FIM DO MISTÉRIO?
PLANO DE EMERGÊNCIA
GIGANTE DA TECNOLOGIA
EXPANSÃO NO NORTE
ADIADO
REMÉDIO AMARGO?
DEPOIS DA TURBULÊNCIA
SOB NOVA DIREÇÃO?