Buscando margem: Itaú Unibanco (ITUB4) aposta em retomada de crédito pessoal para lucro continuar em alta
Carteira de crédito tem sido impulsionada por linhas com juros mais baixos para os clientes, como financiamento de imóveis e de veículos

Uma das maiores empresas brasileiras, com atuação multinacional, que entrega um lucro de R$ 6,5 bilhões somente em um trimestre, ainda pode melhorar de desempenho? Na visão dos próprios executivos do Itaú Unibanco (ITUB4), sim, pode.
Um dos pontos que mais levantaram dúvidas dentro não só do balanço, mas também na revisão de projeções para 2021 feita pelo banco, é a evolução da margem financeira, que é basicamente o lucro que o Itaú tem com suas operações de crédito.
O guidance, conjunto de projeções de resultados, do Itaú para a carteira de crédito passou de um crescimento entre 5,5% e 8,5% em 2021, na comparação com 2020, para um avanço entre 8,5% e 11,5%.
Mas a expectativa do banco para a margem financeira com clientes, entre 2,5% e 6,5%, foi mantida.
Questionado sobre o assunto em teleconferência, o CEO do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, explicou que a carteira tem crescido com o impulso de linhas com juros mais baixos e, consequentemente, margens menores, como financiamento de imóveis e veículos.
“Nós começamos a sentir uma recuperação das linhas sem garantia, como empréstimo pessoal e cheque especial, no último mês do segundo trimestre. Por isso, esperamos uma retomada mais firme no segundo semestre para esses produtos”, explica.
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E quando se olha os números entre janeiro e junho, realmente é possível ver que o Itaú priorizou linhas que, ao mesmo tempo que atendem uma demanda reprimida, criam um relacionamento de prazo mais longo entre cliente e banco.
O empréstimo pessoal fechou junho com uma carteira de R$ 36 bilhões, crescimento de 1,2% ante março, e queda de 3,3% em 12 meses. Quando se olha somente o cheque especial, houve avanço de 3,4% em 3 meses, e recuo de quase 20% em um ano.
Mas os financiamentos de veículos e de imóveis cresceram 5,7% e 12,8% em relação ao primeiro trimestre, respectivamente. Em 12 meses, os avanços foram de 32,3% e 44,4%.
“Apesar de terem spreads menores que outras linhas para pessoa física, essas operações são boas para a composição da carteira geral, já que têm spreads maiores que as linhas para grandes empresas, por exemplo”, defende Maluhy.
A margem média anualizada das operações do Itaú Unibanco em todos os países caiu de 8,4% para 7,4% em um ano. No Brasil, a queda foi ainda maior, de 10,2% para 8,6%.
No entanto, quando se faz a relação com o primeiro trimestre, a tendência de recuperação apontada por Maluhy se confirma. Houve um aumento de 0,1 ponto percentual na margem tanto consolidada quanto do Brasil.
“Nós mantemos a projeção porque, levando-se em conta todo o cenário, acreditamos que esse intervalo ainda é adequado. Mas acredito que, agora, vamos terminar o ano mais próximos do teto do guidance para margem”.
Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú Unibanco
Tecnologia é o foco
Um dos indicadores mais comemorados pelos executivos do Itaú é o chamado Índice de Eficiência. Ele consiste na proporção das receitas com prestação de serviços que é utilizada para cobrir os custos operacionais. Portanto, quanto menor, melhor.
E no primeiro semestre deste ano, o Índice de Eficiência do banco chegou a 42,7%, ante 43,8% no ano passado. Em 2019, estava em 44,7%.
O Itaú tem conseguido segurar suas despesas, e uma das apostas para continuar esse ciclo é a tecnologia. O banco investiu R$ 400 milhões no segundo trimestre, além dos R$ 200 milhões em negócios.
E a instituição financeira tem inclusive um programa que envolve metas para uso dos canais digitais pelos clientes.
Pelo Varejo 2030, o Itaú quer quadruplicar suas vendas digitais até 2025, e tem como objetivo ter 50% de suas receitas originadas por esses canais no mesmo ano.
O CEO do banco acredita que a estratégia é fazer com que as pessoas tenham mais confiança em contratar produtos via celular ou internet banking.
“Nós não abrimos como está este patamar agora, nem quanto ainda vamos investir. Mas o que temos hoje é uma forte digitalização dos pagamentos, mas em produtos, os canais digitais são mais usados quando os valores são baixos. Quando o valor é mais alto, os clientes ainda preferem ter o atendimento humano”, explica Maluhy.
O Itaú teve um crescimento de 23% nas contas abertas via canais digitais no segundo trimestre, na comparação anual, e 54% de todas as aberturas foram realizadas desta maneira.
Vale a pena investir na ação da Raízen (RAIZ4)? Veja a análise no vídeo a seguir:
O que pensam os analistas sobre o resultado
Os números do Itaú foram muito bem recebidos pelos analistas. Em comentário, o Credit Suisse chega a ressaltar que o resultado foi comemorado pelos gestores, “que vinham sofrendo há bastante tempo com as posições em bancos”.
Para o banco, a ação do Itaú ainda apresenta um valor bastante atrativo, principalmente levando-se em conta o potencial de crescimento dos lucros nos próximos trimestres.
O Bank of America é outro que se mostrou bem animado com os números apresentados pelo Itaú. Os analistas destacam a relação entre crescimento do crédito e estabilidade do índice de inadimplência acima de 90 dias, que fechou em 2,3% da carteira pelo terceiro trimestre seguido.
O balanço do segundo trimestre e as revisões feitas no guidance levaram o BofA a aumentar sua estimativa para o lucro do Itaú em 2021 de R$ 24 bilhões para R$ 26,5 bilhões, o que implicaria em um crescimento de 43% ante 2020.
As ações do Itaú (ITUB4) fecharam o dia em alta de 0,98%, cotadas a R$ 30,77.
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