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Kaype Abreu

Kaype Abreu

Formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Colaborou com Estadão, Gazeta do Povo, entre outros.

disparada das ações

Vítima da crise de 2008, Brasil Brokers (BBRK3) vira alvo de especulação na bolsa

Papéis subiram mais de 80% apenas nesta quarta-feira, mas empresa diz desconhecer razão para o movimento; BR Brokers registra sucessivos prejuízos

Kaype Abreu
Kaype Abreu
23 de junho de 2021
18:43 - atualizado às 10:30
São Paulo centro imóveis
Centro de São Paulo - Imagem: Shutterstock

As ações da Brasil Brokers Participações (BBRK3) dispararam nesta quarta-feira (23) sem que houvesse uma razão pública para o movimento. Os papéis eram negociados na B3 a R$ 4,38, em uma alta de 82,50%.

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O movimento segue a mesma tendência desde o início desta semana: na segunda, BBRK3 subiu 11% e, no dia seguinte, avançou 13%. Apesar disso, o patamar atual dos papéis está longe da máxima histórica da companhia.

Questionada por B3 e CVM em ofício a respeito da oscilação recente dos papéis, a BR Brokers disse que "não tem conhecimento da existência de qualquer fato ou informação que possam justificar" o movimento.

O melhor momento da empresa na bolsa foi em 2008, quando as ações chegaram ao patamar de R$ 340 — depois de um IPO um ano antes na faixa pouco acima dos R$ 11.

No entanto, a crise financeira global — que impactou todo o setor imobiliário — impôs uma queda vertiginosa para os papéis da companhia, que nunca mais chegaram perto do patamar recorde.

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A Brasil Brokers é uma prestadora de serviços: praticamente não tem ativos e conta majoritariamente com corretores terceirizados.

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Hoje, a empresa diz manter o foco em iniciativas de austeridade, como a contenção de custos e despesas administrativas, "revendo de forma cíclica todos os gastos realizados nas operações e no corporativo."

"A companhia vem trabalhando em um novo direcionamento estratégico, com o foco na rentabilidade do negócio, transformação digital, melhoria na experiência do cliente, e no trabalho como ecossistema, expandindo o portfólio de produtos e serviços", disse a empresa no último release de resultados.

Prejuízo e passivos judiciais

A BR Brokers registrou no primeiro trimestre um prejuízo líquido atribuído aos acionistas controladores, antes de passivos judiciais, de R$ 21,6 milhões. Contando os passivos judiciais, a cifra chega a R$ 23,8 milhões — no mesmo período do ano passado, o prejuízo chegou a R$ 71 milhões.

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O passivo trabalhista é um dos temas sensíveis do negócio, mas a empresa diz estar controlado. Essa parte do balanço diz respeito a ações movidas por corretores autônomos que pleiteiam reconhecimento de vínculo empregatício e previdenciário em esferas judiciais.

O estoque de processos trabalhistas da companhia foi de 408 em dezembro de 2019, mas chegou a 300 processos no primeiro trimestre.

O período de três meses finalizado em 31 de março de 2021 também marcou um Ebitda (Lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) negativo de R$ 3 milhões, após passivos judiciais.

No entanto, a empresa destacou que as despesas jurídicas, no período de três meses findo em 31 de março de 2021, apresentaram uma redução de 59% em relação ao mesmo período do ano passado, chegando a R$ 2,3 milhões.

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