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Os analistas do Itaú mantêm a recomendação neutra para os papéis AZUL4, mesmo com o preço-alvo em R$ 41, o que representa uma alta de 40,60% ante o fechamento de ontem

O dia amanheceu cinzento na cidade de São Paulo, o que não impediu os papéis da Azul (AZUL4) de acelerarem na pista do pregão desta quinta-feira (11). O combustível não poderia ser outro: o balanço da empresa veio positivo e a previsão é de tempo bom nos próximos meses.
Os papéis AZUL4 chegaram a subir 12% no pregão de hoje, mas desaceleraram a alta e fecharam com ganho de 9,83%, cotados a R$ 29,04. Além dos resultados, a boa perspectiva com a retomada das viagens e o avanço da vacinação são destaques positivos para o setor.
Por outro lado, as altas do dólar e dos combustíveis ainda são fatores que pressionam os resultados do setor aéreo brasileiro.
Os analistas do Itaú mantêm a recomendação neutra para os papéis AZUL4, mesmo com o preço-alvo em R$ 41, o que representa uma alta de 40,60% ante o fechamento de ontem.
Em relatório divulgado hoje, o banco destaca que os números da Azul no terceiro trimestre foram positivos, e a posição da empresa frente aos concorrentes aumenta o otimismo dos analistas.
Mas a água no chope dessa festa pode vir das próprias medidas que a empresa tomou durante o período de isolamento social, o que deve afetar a liquidez do caixa da companhia no futuro.
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“O cenário ainda é incerto pela frente, o que nos leva a considerar que a sua posição financeira deve continuar a ser monitorada”, destaca o relatório.
De acordo com o comunicado da empresa, a receita operacional por assentos-quilômetro oferecidos (RASK) da Azul recuperou níveis pré-pandemia de 2019 e cresceu 12,5% no terceiro trimestre. A receita de passageiros por assentos-quilômetros oferecidos (PRASK) também subiu 19,4% no mesmo período.
Os resultados de custo por assentos-quilômetros oferecidos (CASK) caíram, mesmo com a alta dos combustíveis e cenário pandêmico desfavorável. Dessa forma, o CASK recuou 13,5% na passagem de um trimestre para outro.
A empresa ainda registrou recordes de receita e EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, em inglês) considerando o período após o início da pandemia, em 2020.
A receita operacional cresceu cerca de 59,6% em relação ao trimestre anterior e atingiu R$ 2,7 bilhões, apesar de o resultado ainda estar 13% abaixo dos mesmos dados de 2019, quando a empresa registrou resultado positivo em R$ 3 bilhões.
O EBITDA também foi o maior para o período da pandemia. O saldo foi positivo em R$ 485,6 milhões, frente à queda de R$ 258 milhões no mesmo trimestre do ano passado e do prejuízo de R$ 50,9 milhões do trimestre imediatamente anterior.
Mas, apesar da evolução do EBITDA, a variação cambial exerceu um peso enorme no resultado financeiro da Azul. A linha ficou negativa em R$ 2,4 bilhões — há um ano, a perda era de “apenas” R$ 1 bilhão. Como boa parte do endividamento das companhias aéreas é dolarizada, o enfraquecimento do real acaba elevando o saldo da dívida.
Com isso, a Azul (AZUL4) registrou prejuízo líquido de R$ 2,2 bilhões, uma perda significativamente maior que a do terceiro trimestre de 2020, quando ficou no vermelho em R$ 1,2 bilhão. Em termos ajustados, que desconsideram eventos não recorrentes, o prejuízo foi de R$ 766 milhões.
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