Expectativa para inflação aumenta para o final do ano, mas Selic deve acompanhar, segundo Boletim Focus
Os principais destaques vão para alta do PIB, aumento do déficit primário e melhora da balança comercial

Na edição de hoje, o Boletim Focus semanal, divulgado pelo Banco Central (BC) trouxe uma atualização das expectativas do mercado, principalmente para 2022. O aumento da inflação, medida pelo IPCA, deve ser acompanhado por uma elevação mais intensa da taxa básica de juros, a Selic.
A expectativa para o dólar e a atividade industrial se mantiveram estáveis, enquanto o PIB e a balança comercial, que mede as importações e exportações, devem terminar o ano com saldo positivo. Na contramão, o resultado primário do governo central deve terminar o ano em queda.
Confira os principais destaques desta edição do Boletim Focus:
IPCA
A mediana para o IPCA este ano foi de alta de 4,92% para 5,01%. Há um mês, estava em 4,81%. A projeção para o índice em 2022 permaneceu em 3,60%. Quatro semanas atrás, estava em 3,51%.
O relatório Focus trouxe ainda a projeção para o IPCA em 2023, que seguiu em 3,25%. No caso de 2024, a expectativa permaneceu em 3,25%. Há quatro semanas, essas projeções eram de 3,25% para ambos os casos.
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A projeção dos economistas para a inflação está acima do centro da meta de 2021, de 3,75%, sendo que a margem de tolerância é de 1,5 ponto (de 2,25% a 5,25%). A meta de 2022 é de 3,50%, com margem de 1,5 ponto (de 2,00% a 5,00%), enquanto o parâmetro para 2023 é de inflação de 3,25%, com margem de 1,5 ponto (de 1,75% a 4,75%).
Selic
Os economistas do mercado financeiro alteraram suas projeções para a Selic (a taxa básica da economia) no fim de 2021. O relatório mostrou que a mediana das previsões para a Selic neste ano foi de 5,25% para 5,50% ao ano.
Há um mês, estava em 5,00%. No caso de 2022, a projeção foi de 6,00% para 6,13% ao ano, ante 6,00% de um mês antes. Para 2023, seguiu em 6,50%, igual a quatro semanas atrás. Para 2024, foi de 6,13% para 6,50%, ante 6,38% de um mês atrás.
Dólar
O Boletim Focus divulgado também mostrou manutenção no cenário para a moeda norte-americana em 2021. A mediana das expectativas para o câmbio no fim do período seguiu em R$ 5,40, ante R$ 5,33 de um mês atrás.
Para 2022, a projeção para o câmbio passou de R$ 5,26 para R$ 5,40, ante R$ 5,26 de quatro pesquisas atrás. A projeção anual de câmbio publicada no Focus passou a ser calculada com base na média para a taxa no mês de dezembro, e não mais no valor projetado para o último dia útil de cada ano.
A mudança foi anunciada em janeiro pelo BC. Com isso, a autarquia espera trazer maior precisão para as projeções cambiais do mercado financeiro.
PIB
A expectativa para a economia este ano passou de alta de 3,04% para elevação de 3,09% no Produto Interno Bruto (PIB). Há quatro semanas, a estimativa era de 3,18%.
Para 2022, o mercado financeiro manteve a previsão do PIB de alta de 2,34%. Quatro semanas atrás, estava no mesmo patamar.
No Focus, a projeção para a produção industrial de 2021 seguiu em alta de 5,06%. Há um mês, estava em elevação de 5,24%. No caso de 2022, a estimativa de crescimento da produção industrial foi de 2,15% para 2,00%, ante 2,50% de quatro semanas antes.
A pesquisa Focus mostrou ainda que a projeção para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB para 2021 seguiu em 64,60%. Há um mês, estava em 64,80%. Para 2022, a expectativa permaneceu em 66,20%, igual a um mês atrás.
Déficit primário
O Relatório de Mercado Focus trouxe alteração na projeção para o resultado primário do governo em 2021. A relação entre o déficit primário e o PIB este ano foi de 3,05% para 3,10%. No caso de 2022, passou de 2,15% para 2,00%. Há um mês, os porcentuais estavam em 3,10% e 2,10%, respectivamente.
Já a relação entre déficit nominal e PIB em 2021 foi de 7,50% para 7,30%, conforme as projeções dos economistas do mercado financeiro. Para 2022, foi de 6,70% para 6,60%. Há quatro semanas, estas relações estavam em 7,50% e 6,80%, nesta ordem.
O resultado primário reflete o saldo entre receitas e despesas do governo, antes do pagamento dos juros da dívida pública. Já o resultado nominal reflete o saldo já após as despesas com juros.
Balança comercial
Os economistas do mercado financeiro alteraram a projeção para a balança comercial em 2021, de superávit comercial de US$ 57,65 bilhões para US$ 59,00 bilhões. Um mês atrás, a previsão era de US$ 55,00 bilhões. Para 2022, a estimativa de superávit foi de US$ 54,05 bilhões para US$ 54,55 bilhões. Há um mês, estava em US$ 50,50 bilhões.
No caso da conta corrente do balanço de pagamentos, a previsão contida no Focus para 2021 foi de déficit de US$ 10,00 bilhões para US$ 5,00 bilhões, ante US$ 12,00 bilhões de um mês antes. Para 2022, a projeção de rombo passou de US$ 20,60 bilhões para US$ 20,30 bilhões. Um mês atrás, o rombo projetado era de US$ 19,70 bilhões.
Para os analistas consultados semanalmente pelo BC, o ingresso de Investimento Direto no País (IDP) será suficiente para cobrir o resultado deficitário nestes anos. A mediana das previsões para o IDP em 2021 seguiu em US$ 55,00 bilhões. Há um mês, estava no mesmo patamar. Para 2022, a expectativa permaneceu em US$ 65,00 bilhões, ante US$ 64,40 bilhões de um mês antes.
*Com informações do Estadão Conteúdo
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