Bolsa hoje: em dia de IPCA, mercado ainda se recupera do baque pós 7 de setembro
No radar temos os dados do IBGE e atenção também na interdição de rodovias; lá fora os mercados avaliam os números de exportação alemães de julho, que foram mais fortes do que o esperado

Lá fora, as ações caíram na Ásia nesta quinta-feira (9), digerindo as novas perdas na Bolsa em Wall Street que seguiram o relatório do Federal Reserve, que mostrava a atividade econômica dos EUA desacelerando neste verão.
Além disso, ainda no continente asiático, o Japão estendeu suas medidas de emergência para combater os surtos de Covid-19 até o final de setembro, enquanto investidores digerem novas iniciativas do governo para fortalecer os controles sobre os negócios online que prosperaram durante a pandemia.
O dia promete ser complicado. Na Europa, as principais Bolsas caem na expectativa da decisão do Banco Central Europeu sobre sua política monetária – surpreendendo a maioria das expectativas formadas ao longo de 2021, o BCE poderá começar a reduzir seu nível de compra antes dos EUA.
Os futuros americanos também realizam lucros nesta manhã. No fim das contas, esta quinta-feira parece ser mais um dia difícil em setembro.
A ver...
Clichê, mas funciona: corda ainda mais esgarçada
Em dia de IPCA de agosto, marcado para ser apresentado nesta manhã, o mercado ainda digere lentamente o baque de ontem (8), no que foi uma reprecificação violenta no pós-feriado de 7 de setembro.
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Naturalmente, depois de um movimento de venda tão agudo como o de ontem, uma recuperação poderia ser esperada, em um movimento de caça às barganhas.
Mas o humor internacional e a falta de perspectiva doméstica em endereçarmos os problemas políticos podem dificultar esse prognóstico, em meio a uma crise político-institucional de grandes proporções – nessa quarta-feira (8), o presidente da Câmara tentou apaziguar os ânimos com seu discurso, mas acabou fracassando nele.
O IPCA de hoje, por sua vez, promete continuar refletindo a escalada persistente da inflação, mesmo sem captar ainda o recente tarifaço de energia promovido pela Aneel, que só começou a valer em setembro (provável impacto de 30 pontos-base em setembro).
Com os acúmulos recentes sobre os preços, já se projeta algo como 7,70% de inflação para o final deste ano, bem longe do teto da meta, em 5,25%.
A batalha pelo controle inflacionário já está perdida, o que interessa mesmo é a guerra para que ela não se transforme em um problema estrutural de longo prazo, com movimentos de inércia inflacionária para 2022.
Ainda que haja uma desaceleração dos preços em agosto, o mercado estará de olho nos demais dados econômicos da semana, como as vendas no varejo em julho, marcadas para sexta-feira (10).
Reflexões sobre o Livro Bege
Ontem (8), a última pesquisa do Federal Reserve sobre as condições de negócios do país, apelidada de "Livro Bege", apresentou um relatório sobre uma economia saindo de seu pico de retomada, mas que ainda é forte.
O relatório apontou para casos de Covid-19 ressurgentes, crescentes problemas na cadeia de abastecimento e escassez de mão de obra, problemas que afetam muitas economias ao redor do mundo. Com isso, a atividade econômica dos EUA teria diminuído entre julho e agosto.
O Fed disse que a desaceleração pode ser atribuída em grande parte a uma retração nos restaurantes, viagens e turismo na maior parte do país, refletindo as preocupações sobre a disseminação da variante delta, altamente contagiosa.
O mercado pode ser instável em setembro, enquanto os investidores monitoram o Federal Reserve e Washington, que precisa lidar com seu orçamento com infraestrutura.
Preparados para o aperto europeu?
Contrariando as expectativas formadas ao longo de 2021, de que os EUA começariam a reduzir suas compras de ativos antes que a Europa, o Banco Central Europeu deverá anunciar que reduzirá sua taxa mensal de compra de títulos depois que a inflação atingiu 3% na comparação anual em agosto já no quarto trimestre.
Teremos a digestão da decisão e da fala de Lagarde, presidente do BCE, ao longo do pregão de hoje.
O economista-chefe do BCE, Philip Lane, disse que uma pequena redução seria um ajuste local e não uma "redução gradual” – as compras mensais devem sair de € 80 bilhões (US$ 95 bilhões) para € 70 bilhões (US$ 83 bilhões), ou podem ser tão baixas quanto € 60 bilhões (US$ 71 bilhões).
A política quantitativa foi mais um antidepressivo do que um estímulo, combinando o aumento da demanda de liquidez relacionado à economia de uma pandemia com um aumento na oferta de liquidez. Como a demanda por liquidez está diminuindo, a oferta de liquidez pode diminuir. Mas o mercado estressará, mesmo assim.
Anote aí!
Lá fora, os mercados avaliam os dados de exportação alemães de julho, que foram mais fortes do que o esperado, mas ainda não conseguem sustentar uma alta nas Bolsas da Europa.
De todo modo, a grande decisão do dia será a de política monetária por parte do BCE – surpresas aqui podem ter repercussão no mercado.
Por aqui, o presidente Jair Bolsonaro promove sua tradicional live, às 19 horas, para o seu balanço da semana – diante do contexto, o evento se tornou mais importante, enquanto o mercado aguarda um tom apaziguador do presidente.
O dado do dia pode até ser o IPCA de agosto, mas ainda contamos com a pesquisa industrial mensal regional de julho e a participação de Bruno Funchal na sessão na CCJ da Câmara sobre a PEC dos precatórios.
Muda o que na minha vida?
Mais uma polêmica no radar. Quando se trata das vacinas de reforço contra a Covid-19, o governo dos EUA pode ter colocado a carroça na frente dos bois. As autoridades federais de saúde disseram à Casa Branca para reduzir seu plano de oferecer terceiras doses de vacinas no final deste mês até que possam revisar mais dados.
Anteriormente, o presidente Biden anunciou que os americanos que receberam a vacina da Pfizer ou da Moderna poderiam começar a receber sua terceira injeção na semana de 20 de setembro, desde que tenham passado pelo menos oito meses desde a segunda injeção. Agora, porém, esses reforços iniciais podem precisar ser limitados apenas àqueles que receberam a vacina da Pfizer, de acordo com os relatórios.
A situação fica ainda mais complicada, pois a necessidade de uma terceira dose ainda está dividindo a comunidade científica. Enquanto uns dizem que uma terceira injeção é necessária para um regime completo, outros especialistas argumentam que ainda não há evidências suficientes para justificar o lançamento de reforços.
Além disso, o problema do mundo em relação à pandemia não é quem precisa de uma terceira dose, mas, sim, quem ainda sequer tomou a primeira – tanto em países desenvolvidos, como em países pobres. Se houver paralisações neste movimento pelos EUA, talvez o Brasil também reproduza o movimento.
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Jojo Wachsmann
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