Esquenta dos mercados: Trégua política deve destravar pauta dos precatórios enquanto exterior mira em dados de inflação nesta semana
O aceno de paz feito por Bolsonaro trouxe alívio os mercados semana passada, mas os investidores custam a acreditar que a guerra em Brasília está encerrada

A semana passada mais curta não impediu o Ibovespa de viver dias difíceis. Além da baixa liquidez dos mercados, a agenda política movimentou a bolsa brasileira e fez o principal índice da B3 encerrar no vermelho.
Os desdobramentos do 7 de setembro devem reverberar mais uma semana, e o investidor ainda deve permanecer atento ao cenário externo. O avanço da variante delta segue como plano de fundo de peso para os analistas, mas a briga entre a China e o setor de tecnologia ganhou um novo capítulo. Saiba o que esperar desta semana:
Bandeira branca entre Poderes
O cenário local volta seus olhos para o avanço da inflação e crise política no radar. Na semana passada, a “Carta à Nação” do presidente da República Jair Bolsonaro chegou a animar alguns pregões, mas seu impacto foi limitado.
Os investidores devem seguir de olho nas próximas ações de Bolsonaro para a aprovação do pacote de reformas. O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que deve se reunir com os presidentes das duas Casas Legislativas e do STF para debater a PEC dos Precatórios.
Essa proposta de emenda é crucial para a aprovação do aumento do Auxílio Brasil, antigo Bolsa Família, proposto pelo governo. Sem a PEC, será difícil respeitar o teto de gastos para o próximo ano. Vale lembrar que o Palácio do Planalto vive uma crise de baixa popularidade e precisa de um pacote que agrade a população e o mercado para ter maiores chances na eleição de 2022.
Somado a isso, a baixa adesão às manifestações do último final de semana afastou os temores de pressão popular para o impeachment, que entrou na pauta de grandes partidos após o 7 de setembro.
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Agenda local
O panorama doméstico deve contar com a divulgação da pesquisa mensal de serviços, divulgada pelo IBGE na terça-feira (14). O investidor deve ficar de olho na participação de Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, e de Paulo Guedes em um evento do BTG Pactual no mesmo dia.
Já na quarta-feira (15), o índice IBC-Br de atividade econômica deve trazer uma prévia do PIB brasileiro. As projeções do mercado, divulgadas todas as segundas-feiras pelo BC no Boletim Focus, têm apontado para uma diminuição no avanço das atividades.
Exterior animado
O presidente norte-americano Joe Biden lançou uma série de medidas na semana passada para incentivar a vacinação nos Estados Unidos, o que deu um ânimo ao exterior. Apesar disso, o avanço dos preços ao produtor (PPI, em inglês) da última sexta-feira (10) segurou os ânimos do mercado.
Para os próximos dias, o investidor deve ficar de olho no avanço da variante delta pelos países e na pressão da China sobre o setor de tecnologia.
Durante a madrugada no Brasil, os órgãos reguladores do Gigante Asiático avançaram sobre o Alipay, popular aplicativo de pagamento do Ant Group. De acordo com fontes, as autoridades exigem a criação de um aplicativo exclusivo para a concessão de crédito. A notícia derrubou as bolsas na região.
Agenda internacional
O investidor deve manter os olhos nos dados de inflação dos Estados Unidos, medidos pelo CPI e o Núcleo do CPI, nesta terça-feira (14). O avanço dos preços tem preocupado os investidores, em especial o Banco Central americano, o Federal Reserve.
Por falar no Fed, na quarta-feira (15) deve ser divulgado o índice de atividade econômica Empire State e da produção industrial de agosto.
Bolsas pelo mundo
Os principais índices asiáticos encerraram o pregão sem direção definida na manhã de hoje. O avanço regulatório da China pressiona as ações do setor de tecnologia em toda a região.
Por sua vez, as bolsas da Europa operam em alta, ainda repercutindo a decisão do Banco Central Europeu sobre a política de juros da autoridade monetária. As perspectivas de desaceleração dos preços na Zona do Euro também anima os investidores após falas de dirigentes do BCE.
Por fim, os futuros de Nova York operam em alta, em movimento de correção após as perdas da semana passada.
Agenda — O que esperar desta semana
Segunda-feira (13)
- Banco Central: Boletim Focus semanal (8h25)
- Estados Unidos: Christine Lagarde, presidente do BCE, discursa sobre retomada pós covid-19 na conferência internacional de Aspen (10h30)
- Economia: Balança comercial semanal (15h)
- Banco Central: Início do acolhimento de depósitos voluntários remunerados para fins de política monetária (sem horário)
- Petróleo: Opep divulga relatório mensal do mercado (sem horário)
Terça-feira (14)
- IBGE: Pesquisa mensal de serviços em julho (9h)
- Banco Central: Presidente do BC, Roberto Campos Neto, participa do evento do BTG Pactual (9h)
- Estados Unidos: Diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva abre o evento do próprio Fundo sobre taxação e digitalização da Ásia (9h)
- Estados Unidos: Inflação, medida pelo CPI e Núcleo do CPI em agosto (9h30)
- Ministério da Economia: Ministro da Economia, Paulo Guedes, participa de evento do BTG Pactual (17h)
- Estados Unidos: Estoques de petróleo (17h30)
- China: Vendas no varejo em agosto, produção industrial e investimentos em ativos fixos de junho (23h)
- Brasil: Índice de confiança do Empresário Industrial (ICEI) de setembro (sem horário)
Quarta-feira (15)
- Brasil: Banco Central divulga a prévia do PIB, medida pelo IBC-Br, em julho (9h)
- Estados Unidos: Federal Reserve divulga o índice de atividade industrial Empire State de setembro (9h30)
- Estados Unidos: Produção industrial de agosto (10h15)
- França: OCDE publica panorama econômico para a América Latina (sem horário)
Quinta-feira (16)
- Brasil: IGP-10 de setembro (8h)
- Brasil: IPC-S semanal (8h)
- Estados Unidos: Vendas do varejo em agosto (9h30)
- Estados Unidos: Pedidos de auxílio desemprego (9h30)
Sexta-feira (17)
- Brasil: IPC-Semanal (5h)
- Zona do Euro: Inflação, medida pelo CPI e Núcleo do CPI, de julho (6h)
- Brasil: IPC-S Capitais (8h)
- Estados Unidos: Índice de sentimento do consumidor (preliminar) de setembro (11h)
- Estados Unidos: Poços de petróleo em operação (14h)
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