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Jasmine Olga

Jasmine Olga

É repórter do Seu Dinheiro. Formada em jornalismo pela Universidade de São Paulo (ECA-USP), já passou pelo Centro de Cidadania Fiscal (CCiF) e o setor de comunicação da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo

FECHAMENTO

Queda de ministros e cautela internacional pressionam dólar, mas bolsa pega carona com commodities e sobe

Cautela no exterior e no cenário doméstico dificultaram as negociações. Embora a bolsa tenha finalizado o dia com um saldo positivo, o dólar e os juros foram pressionados

Jasmine Olga
Jasmine Olga
29 de março de 2021
18:29 - atualizado às 19:24
Congresso Mercados Touro Urso
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

O departamento de Recursos Humanos do governo federal teve uma segunda-feira (29) pra lá de agitada. Depois de muita pressão de diversas camadas da sociedade e do Congresso, o dia começou com o pedido de demissão do polêmico ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. Pouco depois, foi a vez do ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva.

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Há apenas alguns minutos, o advogado-geral da União, José Levi Mello do Amaral Júnior, também pediu para deixar o governo. Nas estatais, foi confirmada uma verdadeira debandada do conselho de administração do Banco do Brasil.

A saída de Ernesto Araújo do comando do Itamaraty foi bem recebida pelo mercado, já que a sua permanência seria sinônimo de uma nova guerra declarada entre Legislativo e Executivo, mas a movimentação atípica acabou fazendo com que a cautela persistisse - pelo menos nos mercados de câmbio e juros. 

A bolsa brasileira teve um dia de grande instabilidade, custando a se firmar em algum sentido, ainda que o saldo final tenha sido positivo. O Ibovespa avançou 0,56%, aos 115.418 pontos, com uma ajuda das exportadoras - favorecidas pelo câmbio pressionado - e por uma leve recuperação das bolsas americanas. 

A crise política não foi a única a dar as caras logo no primeiro pregão da semana. O sentimento de aversão ao risco também teve origem no cenário fiscal, com o mercado financeiro doméstico ainda repercutindo o texto do Orçamento de 2021, que foi aprovado, mas causa desconforto. Lá fora, a pressão negativa do setor financeiro deteriorou ainda mais o cenário. 

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Assim, o dólar à vista, que quase zerou a alta após a saída de Araújo, acabou o dia com um avanço de 0,44%, a R$ 5,7663. No pior momento do dia, a divisa superou a marca dos R$ 5,80.

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A preocupação com o cenário fiscal brasileiro e a instabilidade política também pesaram sobre o mercado de juros, que após operarem próximos do zero a zero, voltaram a acelerar. Confira as taxas de fechamento de hoje:

  • Janeiro/2022: de 4,68% para 4,76%
  • Janeiro/2023: de 6,51% para 6,56%
  • Janeiro/2025: de 8,12% para 8,26%
  • Janeiro/2027: de 8,71% para 8,83%

Quem vai apagar as luzes?

O dia já amanheceu tenso em Brasília, já que ao longo do fim de semana a crise envolvendo o então ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, só piorou, escancarando uma declaração de guerra entre Executivo e Congresso. 

O ministro nunca foi unanimidade e colecionou polêmicas no tempo em que esteve à frente do Itamaraty. No começo da tarde, Araújo pediu demissão do cargo, após pressões de diversas camadas da sociedade.

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A nova crise teve origem após o ministro acusar a senadora Kátia Abreu de fazer lobby para os chineses com relação ao leilão de 5G. Abreu disse que apenas defendeu que não exista uma discriminação contra a China e foi amplamente apoiada pelo Congresso. Não é de hoje que Ernesto Araújo tem um comportamento considerado inadequado com relação à China. 

A postura do ministro foi razão até para o represamento de insumos para a produção de vacinas contra a covid-19 no início do ano e era vista como prejudicial nas negociações do Brasil com outros países para adquirir imunizantes e insumos. Por significar uma relação mais complicada entre governo federal e Congresso, a saída de Araújo foi comemorada pelo mercado. 

Mas, ao longo da tarde, o que se viu foi uma verdadeira debandada do governo, o que aprofunda os receios de instabilidade política. Não é de hoje que a dança das cadeiras do governo Bolsonaro gera insatisfação. Segundo a economista-chefe da Veedha Investimentos, Camila Abdelmalack, “a velocidade e a situação na qual nos encontramos torna isso muito mais preocupante do ponto de vista do investidor. Quando o cenário político está ruim, é muito difícil a gente encontrar alguma solução fiscal”. 

Pedaladas desagradáveis

E os problemas fiscais não param de surgir. A aprovação do Orçamento de 2021 renovou a leitura de que o teto de gastos está comprometido, já que o texto que foi aprovado no Congresso abre margem para o que o mercado chama de “pedaladas fiscais”. Além disso, a quantidade e valores destinados às emendas parlamentares têm deixado o mercado e os próprios políticos desconfortáveis.

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Abdelmalack ressalta que esse cenário é muito negativo para a bolsa brasileira, mas o fato de termos uma nova alta do minério de ferro no exterior e um ambiente promissor para as empresas exportadoras acabou balanceando a equação, o que explica a alta anotada no dia de hoje. 

Chacoalhando o sistema

Lá fora, o principal destaque negativo ficou com as instituições financeiras. A Archegos Capital Management vendeu US$ 30 bilhões em ativos, em um movimento que deixou o mercado desconfiado.

Tanto o Credit Suisse quanto o Nomura Holdings afirmaram que um cliente americano pode levar as instituições a terem um impacto significativo nos seus resultados do primeiro semestre depois que um hedge fund não honrou pagamentos de margem.

Além disso, ainda temos a crise no comércio global, ocasionada pelo navio que estava preso no Canal de Suez. O Ever Given foi liberado na manhã de hoje, mas após quase uma semana interrompendo um dos principais canais de abastecimento do planeta, devemos ter impactos negativos por mais algum tempo. 

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Nos Estados Unidos, o fantasma da pressão inflacionária também voltou a assombrar, o que levou os rendimentos dos títulos públicos americanos, os Treasuries, a mais um dia de alta. 

As bolsas americanas operaram em queda desde o início do dia, mas acabaram conseguindo uma recuperação. Ainda assim, o Dow Jones foi o único índice a fechar no positivo, em alta de 0,30%. O S&P 500 recuou 0,09% e, pressionado pela nova alta dos juros futuros, o Nasdaq recuou 0,60%.

Na Europa, o setor financeiro também foi pressionado, mas o otimismo com a reabertura da economia do Reino Unido acabou levando a uma alta moderada dos principais índices. 

Sobe e desce

A alta do minério de ferro puxou as empresas com exposição à commodity nesta segunda-feira. Além disso, tivemos também uma boa performance dos frigoríficos, que foram favorecidos pela alta do dólar e pela liberação do Canal de Suez. Já as ações da Taesa subiram com a notícia de que a Cemig quer se desfazer da sua fatia na companhia. Confira as maiores altas do dia:

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CÓDIGONOME VALOR (R$)VARIAÇÃO
PCAR3GPA ON33,647,10%
BEEF3Minerva ON10,476,51%
TAEE11Taesa units38,406,37%
BRAP4Bradespar PN68,284,45%
MRFG3Marfrig ON17,554,28%

O Banco Santander recuou acompanhando o movimento herdado dos mercados internacionais e que pesou sobre os papéis do setor financeiro. Já as construtoras seguiram repercutindo o aumento dos juros e o cenário nada favorável ao consumo. Confira também as maiores quedas do dia:

CÓDIGONOME VALOR (R$)VARIAÇÃO
EZTC3EZTEC ON         30,25-3,04%
SANB11Santander Brasil units         39,74-2,93%
SULA11SulAmérica units         35,33-2,81%
CYRE3Cyrela ON         23,07-2,58%
AZUL4Azul PN         36,48-2,38%

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