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O banco diz o que ainda não tem sido precificado pelo mercado nas ações da Axia e enxerga potencial para um bom pagamento de dividendos

Os investidores têm fugido das ações da Axia (AXIA3) — ex-Eletrobras. Nos últimos seis meses, a elétrica acumula uma queda de 12,23% na bolsa, ainda que, desde o início de 2026, o papel ainda esteja no campo positivo.
Mas, se de um lado esse recuo pode assustar parte do mercado, o Itaú BBA vai na contramão. Os analistas do banco defendem que a desvalorização recente do papel é, na verdade, um exagero.
E os preços atuais inclusive são uma boa oportunidade de entrada na ação AXIA3.
Devido às perspectivas positivas para a companhia do setor de energia, o banco reforçou a recomendação de compra, mas foi além.
Até então, o preço-alvo estabelecido pelos analistas era de R$ 50,30 por ação. Com a revisão divulgada nesta segunda-feira (10), a nova projeção da equipe é de que a ação pode chegar a R$ 75,20 até o final de 2026 — um aumento de 49% nas expectativas.
Na prática, o que o Itaú BBA espera é que quem se posicionar agora na elétrica pode capturar uma valorização de 45,11% ainda este ano, com base na cotação do último fechamento (10).
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Segundo o Itaú BBA, o mercado tem avaliado a Axia com uma lógica focada principalmente no volume de energia gerado e nos preços futuros do mercado.
Porém, os analistas defendem que a dinâmica do sistema elétrico brasileiro está mudando e a Axia pode se beneficiar.
Em determinados horários do dia, há sobra de eletricidade, enquanto em outros o sistema precisa de fontes capazes de aumentar rapidamente a produção para atender ao consumo.
Nesse cenário, a equipe de análise afirma que um diferencial no setor se tornou a flexibilidade de conseguir entregar essa energia quando é mais necessária.
Não é à toa que o Itaú BBA defende que “o importante é a hora, não o megawatt-hora (MWh)”.
Segundo o banco, as hidrelétricas da Axia têm justamente essa vantagem. Como possuem reservatórios, elas conseguem direcionar a geração para os momentos mais valorizados do dia, o que leva a companhia a capturar preços melhores do que nas curvas tradicionais do mercado de energia.
Como essa flexibilidade está presente em boa parte do portfólio da Axia, os analistas acreditam que o mercado continua subestimando a companhia ao olhar somente para os preços futuros de energia.
Além de ainda subestimar o potencial da companhia, o mercado também exagerou nas quedas recentes do papel, segundo o Itaú BBA.
Parte do recuo de AXIA3 está relacionada à piora do cenário para os preços de energia.
Porém, os analistas fizeram os cálculos de quanto esse fator de fato prejudicaria a companhia. No cenário mais pessimista possível para os preços de energia no segundo semestre de 2026, o impacto sobre o valor presente da empresa seria de cerca de R$ 1,7 bilhão.
O problema é que, entre abril e julho, a Axia perdeu aproximadamente R$ 42 bilhões em valor de mercado.
Na prática, o Itaú BBA afirma que a reação do mercado foi 24,5 vezes pior do que o possível impacto econômico para a empresa.
Além disso, a equipe de análise defende que os investidores também estão ignorando um ponto positivo que pode impulsionar a companhia nos próximos anos.
Segundo os cálculos dos analistas, o portfólio hidrelétrico da Axia tem potencial para capturar R$ 6,2 bilhões de valor presente no mercado de energia.
Outro ponto que reforça a recomendação de compra é o pagamento de dividendos.
A projeção do banco é de que a Axia pode distribuir até R$ 20 bilhões por ano entre 2027 e 2030, o que equivale a um dividend yield médio de cerca de 13%.
Quando somado o potencial de dividendos com a expectativa de valorização das ações, os analistas calculam uma taxa interna de retorno de 12,7% acima da inflação.
“É um ponto de entrada único para uma tese com fundamentos tão fortes”, defendem.
A Axia apresentou os resultados do segundo trimestre de 2026 na última quinta-feira (6) e encerrou o período com lucro líquido ajustado de R$ 1,61 bilhão, alta de 9,5% em relação ano passado.
Segundo a companhia, o desempenho foi impulsionado pela otimização operacional dos negócios de geração e transmissão, pelo melhor resultado das participações societárias e pela redução das provisões.
Já o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês) ajustado somou R$ 6,31 bilhões entre abril e junho, avanço de 22,5% na comparação anual.
O principal destaque operacional foi a comercialização de energia. A margem de contribuição da geração subiu para R$ 3,6 bilhões, beneficiada pelo maior volume de energia disponível após a descotização das usinas e pela alta dos preços de curto prazo em parte dos submercados brasileiros.
Os investimentos alcançaram R$ 3,12 bilhões no trimestre, crescimento de 53% na comparação anual.
Atualmente, a empresa possui 288 empreendimentos em implantação, que poderão adicionar R$ 2 bilhões em Receita Anual Permitida (RAP) entre 2026 e 2030, com investimentos estimados em R$ 15,5 bilhões.
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