Dólar cai abaixo de R$ 5,10 pela 1ª vez em 3 pregões; real não consegue brilhar entre as moedas de emergentes
A moeda norte-americana encerrou a última sessão da semana em queda de 0,46%, cotado a R$ 5,0836; entenda o que determinou esse movimento

A sexta-feira (7) trouxe um alívio para a cotação do dólar frente ao real, mas o desfecho da primeira semana de agosto não permitiu que a moeda brasileira figurasse entre as campeãs de valorização no mercado emergente.
O dólar à vista encerrou o dia em queda firme de 0,46%, cotado a R$ 5,0836, marcando o retorno para baixo do patamar de R$ 5,10 pela primeira vez após três pregões.
Apesar da recuperação verificada nas últimas sessões, a moeda norte-americana encerrou os cinco primeiros pregões de agosto com uma leve valorização de 0,26%.
O resultado semanal ocorre após a queda de 1,79% registrada em julho, mantendo o dólar com perda acumulada de 7,39% no ano.
O balde de água fria no dólar
O grande vetor do câmbio no pregão veio diretamente de Washington com a divulgação do principal relatório de emprego nos Estados Unidos, o payroll. O indicador surpreendeu negativamente os analistas ao mostrar o fechamento líquido de 23 mil vagas de trabalho em julho.
As estimativas do mercado apontavam para um cenário oposto, prevendo a criação de 63 mil a 130 mil postos, com mediana de 80 mil. Por sua vez, a taxa de desemprego recuou de 4,2% para 4,1%, em função do encolhimento da taxa de participação no mercado de trabalho.
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O economista-chefe internacional do ING, James Knightley, diz que o payroll fraco reforça a previsão de uma pausa prolongada pelo Federal Reserve (Fed) no corte de juros, mas alerta que o cenário ainda está em aberto.
"Antes da reunião de setembro, temos mais um relatório de emprego e duas leituras de inflação, além do Simpósio de Jackson Hole", afirma Knightley, destacando que os próximos indicadores de preços tendem a exercer influência ainda maior sobre o veredito final do banco central norte-americano.
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O fechamento inesperado de vagas em julho esfriou o entusiasmo por novos apertos monetários nos EUA. No final de julho, os juros voltaram a ser mantidos na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano.
De acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group, a probabilidade de uma alta da taxa de juros pelo Federal Reserve (Fed) na reunião de setembro deixou de ser majoritária, caindo da faixa de 54% para cerca de 46%. Ainda assim, o mercado projeta mais de 50% de chances de uma elevação de juros em outubro.
Não à toa, a perda de força do dólar foi global. O índice DXY, que compara a moeda norte-americana a uma cesta de seis divisas fortes, recuava 0,37% por volta das 17 horas, aos 99.563 pontos, após bater a mínima de 99.402 pontos.
No acumulado do início de agosto, o Dollar Index cai cerca de 0,25%, favorecido também pelo fortalecimento do iene após uma intervenção conjunta entre os EUA e o Japão. O Seu Dinheiro contou essa história e você pode conferir aqui.
Por que o real não brilhou na semana?
Mesmo com o ambiente global de busca por risco abrindo espaço para a valorização de divisas emergentes, o real não teve forças para figurar no topo dos ganhos. O tropeço do real no acumulado semanal é explicado por três fatores.
O primeiro deles é o comportamento do petróleo. Embora a commodity tenha subido cerca de 1% na sexta-feira (7), os contratos fecharam a semana com queda, pressionados por expectativas de um acordo para a reabertura do Estreito de Ormuz.
O segundo é a tensão diplomática entre o Brasil e os Estados Unidos, que alimentou a cautela dos investidores.
E, por fim, a prudência ligada ao Comitê de Política Monetária (Copom). O mercado manteve postura defensiva antes da decisão do Banco Central, que confirmou na quarta-feira (5) o corte de 0,25 ponto porcentual na Selic, levando a taxa básica para 14% ao ano.
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