Bets, fim da taxa das blusinhas e Copa do Mundo: CEO da Lojas Renner (LREN3) explica o que derrubou as vendas, o guidance e as ações
Depois de um segundo trimestre abaixo do esperado, a varejista reduziu seu guidance para 2026 e apontou uma combinação de fatores macroeconômicos e competitivos para explicar o desempenho

Para o Brasil, a Copa do Mundo de 2026 durou apenas 23 dias. Mas esse período foi suficiente para abalar não só milhões de brasileiros que sonhavam com o hexa, como também o balanço da Lojas Renner (LREN3).
Em teleconferência de resultados nesta sexta-feira (7), o CEO Fabio Faccio afirmou que o torneio teve um impacto muito maior do que o esperado sobre o fluxo de clientes nas lojas físicas, o que ajudou a frustrar os resultados do trimestre e levou a companhia a revisar seu guidance para 2026.
Com isso, as ações encerraram o pregão desta sexta-feira (7) com queda de 7,94%, cotadas a R$ 12,47. Ao longo do dia, porém, chegaram a recuar mais de 14%.
"A Copa do Mundo foi o fator que mais impactou as nossas projeções, porque a queda de fluxo nas lojas físicas foi muito mais intensa do que a gente havia previsto", disse Faccio.
Segundo o executivo, a edição deste ano provocou o maior impacto já registrado pela companhia durante um mundial.
Diferentemente do observado nos torneios anteriores, a redução do fluxo não ficou restrita aos dias dos jogos da seleção brasileira, mas se estendeu desde meados de junho até por volta de 19 de julho.
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Na estimativa da companhia, a Copa do Mundo retirou entre três e quatro pontos percentuais do desempenho do trimestre. Você pode conferir detalhes do balanço e a visão de mercado nesta reportagem do Seu Dinheiro.
Bets, Selic e juros altos também pesaram
Segundo a diretoria da empresa, outro elemento que pesou negativamente foi o avanço das plataformas internacionais de cross border, com o fim da "taxa das blusinhas".
Na visão do BTG Pactual, o aumento da concorrência dessas plataformas, combinado ao consumo mais fraco e ao impacto da Copa do Mundo, prejudicou o crescimento das vendas da Renner e será um dos principais pontos de atenção para a companhia ao longo dos próximos meses.
Para Faccio, esse movimento se soma a um cenário macroeconômico mais desafiador. Além do impacto muito superior ao esperado da Copa do Mundo, a Renner passou a trabalhar com uma perspectiva de queda de juros mais lenta do que previa e de maior endividamento das famílias.
Outro ponto que a diretoria estima que possa ter mexido com o resultado foi o maior engajamento dos consumidores com plataformas de aposta online, dada a dimensão do torneio de futebol.
"O interesse das pessoas foi maior. Com tudo isso somado, sentimos uma redução ainda mais intensa do tráfego nas lojas físicas", afirmou o CEO.
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