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NÃO PERDE ESPAÇO NO ROTEIRO

O retorno do protagonista: como o ouro voltou a dominar a trama das finanças globais

O metal precioso fez aquele retorno triunfal na sexta-feira (6), roubando a cena com a maior valorização semanal desde janeiro, acumulando um avanço de 8,6% em cinco dias

Uma barra de ouro flutua sobre uma mão aberta. O fundo da foto é escuro e a barra é iluminada por luzes douradas
Imagem: iStock/FOTOKITA

Sabe aquele personagem marcante de novela que perde espaço no roteiro, passa vários capítulos sumido do núcleo principal e faz todo mundo achar que perdeu a relevância na história? Por algum tempo, o ouro parecia assim: desconectado da clássica função de porto seguro, enquanto as tensões geopolíticas escalavam sem que ele reagisse como no passado. 

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Na última semana, o metal precioso fez aquele retorno triunfal no horário nobre, roubando a cena com a maior valorização semanal desde janeiro e reescrevendo o rumo da trama financeira internacional. 

No encerramento de sexta-feira (7), o contrato mais líquido do ouro para dezembro fechou em alta de 2,33%, cotado a US$ 4.399,7 por onça-troy na Comex, a divisão de metais da Nymex, acumulando um avanço de 8,6% na semana.  

A prata seguiu pelo mesmo caminho e subiu 3,07%, a US$ 63,499. 

O retorno triunfal do ouro 

O retorno do ouro ao topo da audiência dos investidores foi impulsionado por dois gatilhos imediatos: o enfraquecimento do mercado de trabalho norte-americano e a escalada geopolítica.  

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A divulgação do payroll, o principal relatório de emprego dos EUA, mostrou desaceleração ao fechar, de maneira inesperada, 23 mil vagas em julho.  

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O desempenho consolidou a visão de que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) deve manter os juros entre 3,50% e 3,75% ao ano na próxima reunião, em setembro, aumentando a atratividade de ativos que não geram rendimentos periódicos. 

Além disso, as incertezas e perspectivas em torno do conflito no Oriente Médio voltaram a acionar os alarmes de proteção no mercado. 

A cena da escalada do ouro 

O retorno do ouro ao centro do folhetim econômico envolve uma camada muito mais profunda nos bastidores geopolíticos e institucionais. 

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A Capital Economics pontua que, na esteira da recente intervenção no iene, a possibilidade de o governo dos EUA pressionar autoridades estrangeiras para que evitem vender ativos denominados em dólares acabou aumentando a atratividade de manter ativos alternativos fora do alcance do dólar

"Sustentamos há muito tempo a visão de que a demanda dos bancos centrais constituiria uma fonte significativa e constante de procura, mantendo os preços do ouro acima de sua tendência de longo prazo", diz a consultoria britânica.  

"Isso não decorre necessariamente de um movimento de desdolarização, mas sim da atratividade do ouro em cenários de riscos fiscais, inflacionários e geopolíticos elevados", acrescenta.  

A Capital Economics destaca ainda que, embora as compras de ouro por bancos centrais tenham desacelerado no início deste ano devido à forte alta especulativa dos preços, o quadro atual reabre espaço para esse movimento. 

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"A capacidade de os bancos centrais realizarem operações cambiais sem suscitar preocupações por parte do governo dos EUA quanto ao impacto nos mercados de títulos norte-americanos poderia dar novo impulso à demanda dessas instituições pelo ouro. Isso sustentaria os preços no médio e longo prazo", acrescenta a Capital Economics. 

O movimento de bastidores do PBoC 

Reforçando essa mudança de dinâmica, o Banco do Povo da China (PBoC) tem atuado como um dos diretores dessa virada de enredo do ouro.  

Segundo dados da Bloomberg, o PBoC está acumulando mais reservas do metal em Hong Kong, acelerando uma tendência de longo prazo de retirar suas reservas de ouro mantidas em Londres para trazê-las de volta para casa. 

Combinando a fraqueza dos dados econômicos norte-americanos à busca estrutural de bancos centrais por proteção contra riscos globais, o ouro provou que apenas aguardava o momento certo do roteiro para tomar a cena.

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