Cenário positivo abre caminho para valorização de 51% da Petrobras, diz BofA
Banco eleva recomendação para ações preferenciais a compra, citando que empresa é beneficiada por recuperação econômica e reestruturação

Tudo conspira em favor da Petrobras (PETR4), de acordo com o Bank of America (BofA) – o preço do petróleo deve se valorizar nos próximos 12 meses, a demanda por refinados aumentará por conta da recuperação da economia brasileira, a produção está em tendência de alta e a companhia começará a sentir os efeitos dos desinvestimentos no ano que vem.
Por tudo isso, o analista Frank McGann decidiu elevar a recomendação para as ações da Petrobras de neutro para compra e o preço-alvo de R$ 28,00 para R$ 38,00, o que representa um potencial de alta 51,4% em relação ao valor em que os papéis fecharam o pregão de segunda-feira (23), de R$ 25,10.
A decisão, junto com o aumento do preço do petróleo, impulsionou as ações da estatal nesta terça. Os papéis preferenciais (PETR4) fecharam em alta de 4,46%, a R$ 26,22, enquanto os ordinários (PETR3) avançaram 5,34%, para R$ 26,84.
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Recuperação das economias
Para o analista do BofA, o cenário para as ações da Petrobras decolarem está aberto. Um dos pontos é o preço do barril de petróleo no mercado internacional. A expectativa é de que ele tenha uma cotação média de US$ 50,00 em 2021, acima dos US$ 43,70 que ele ronda este ano.
A redução dos riscos econômicos associados à covid-19 pelo mundo será o principal fator para a alta, de acordo com o analista.
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“Nós também esperamos uma oferta restrita por parte da Opep + [grupo que reúne os maiores produtores de petróleo do mundo, mais alguns países que não são associados, como a Rússia] até que uma tendência de crescimento da demanda permita um aumento gradual da produção do grupo”, diz trecho do relatório.
A recuperação do Brasil também consta na tese de investimento do BofA para a Petrobras. A perspectiva de crescimento de 3% do PIB em 2021, ante a queda de 4% esperada para este ano, deve impulsionar o consumo de produtos refinados.
Crescimento da produção
O analista do BofA também vê fatores internos como catalisadores para a alta das ações da Petrobras. Um deles é a tendência de crescimento da produção de petróleo e gás nos próximos anos, vindo principalmente das áreas do pré-sal, principal aposta da companhia por serem altamente rentáveis.
Ele estima que a produção total alcançará 2,9 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d) em 2021, chegando a 3,4 milhões boe/d em 2025. “Nós esperamos que o aumento na produção impulsione as exportações brasileiras de petróleo e a produção de refinados ao longo dos próximos anos”, diz trecho do relatório.
Venda de ativos
Outro fator interno citado pelo analista é a questão da reestruturação sendo conduzida pela administração, em especial a venda de ativos.
Para ele, a Petrobras deve completar uma etapa importante do plano de desinvestimento em 2021, incluindo a venda de até 46% de sua rede de refinarias e de importantes áreas de exploração em águas profundas, como 50% de sua participação no Polo de Marlim, na Bacia de Campos, terceira maior área do Brasil.
Dívida e dividendos
A combinação de bons preços do petróleo, aumento da produção e venda de ativos deve ajudar a reduzir substancialmente o endividamento, segundo o analista, que não divulgou uma estimativa.
O processo de desinvestimento é considerado crucial para a empresa ter uma dívida em linha com seus principais pares internacionais. A dívida bruta recuou 13% entre o segundo e o terceiro trimestre, para US$ 79,6 bilhões, resultando em uma relação entre ela e o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado de 2,80 vezes.
O nível de endividamento define quanto a Petrobras poderá pagar de dividendos. Em casos excepcionais, a empresa poderá propor o pagamento de dividendos extraordinários, superando o dividendo mínimo legal obrigatório – estabelecido pela lei que rege as companhias de capital aberto, a Lei das S/As, em 25% do lucro líquido – ou o valor de 60% do fluxo de caixa operacional descontados os investimentos, quando o endividamento estiver abaixo de US$ 60 bilhões.
Para o analista do BofA, considerando as medidas sendo tomadas pela empresa, esta possibilidade de pagamentos deve ocorrer entre 2023 e 2025.
No caso de o endividamento bruto estar acima de US$ 60 bilhões, a diretoria pode propor o repasse de proventos, desde que entenda que o pagamento não prejudica a posição financeira da empresa.
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