Cade rejeita segundo recurso do Itaú contra decisão que suspendeu promoção da Rede
Órgão entendeu que uma promoção da Rede - controlada pelo Itaú - se trata de uma espécie de "venda casada"

Em mais um capítulo da disputa entre as maquininhas, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) rejeitou novo recurso apresentado pelo Itaú e pela Rede contra decisão do órgão que suspendeu promoção da empresa, do mesmo grupo do banco.
Hoje, as ações PN do Itaú Unibanco (ITUB4) fecharam em alta de 0,60%, a R$ 33,36. Os papéis da instituição têm desvalorização de 10% no ano.
Esse foi o segundo recurso do Itaú/Rede rejeitado pelo conselho neste caso. As empresas alegaram que a decisão do Cade foi tomada considerando dados do Banco Central que mostram que o banco tem 30% de participação no mercado de depósitos à vista.
De acordo com a instituição, esse dado considera números referentes a suas atividades no exterior. "A participação do Itaú no mercado de depósitos à vista em junho de 2019 era inferior a 12%", afirma o embargo.
O conselho, no entanto, decidiu por unanimidade que o recurso não deveria ser acolhido. "Não há erro nos relatórios do Banco Central que utiliza informações das próprias empresas. A alegação de erro material não se sustenta", afirmou o conselheiro relator do caso, Maurício Bandeira Maia.
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Disputa entre maquininhas
Em uma ofensiva na chamada "guerra das maquininhas", a Rede lançou, no início do ano passado, uma campanha na qual antecipava para dois dias, sem taxas, a liquidação de créditos apenas para lojistas com conta no Itaú. O prazo continuou em 30 dias para quem não tinha conta no banco.
Como a Rede é controlada pelo Itaú, o Cade entendeu que a promoção se trata de uma espécie de "venda casada" e tomou uma medida preventiva determinando que a promoção fosse suspensa.
Em novembro do ano passado, o conselho julgou um primeiro recurso apresentado pelas empresas contra a medida preventiva.
Na época, em decisão apertada, desempatada pelo voto de minerva do presidente, a maioria do conselho entendeu que a prática é danosa à concorrência e determinou que fosse suspensa.
O Itaú chegou a recorrer à Justiça e conseguiu uma liminar, no início de novembro, suspendendo a decisão do Cade. Em dezembro, porém, a Rede anunciou que estenderia para clientes de qualquer banco a campanha de antecipação sem taxas da liquidação de créditos em dois dias.
A decisão foi vista no Cade como um "aceno", uma tentativa de mostrar "boa-fé", segundo o Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) apurou.
Isso porque, para além da medida cautelar, discutida na sessão desta quarta, o temor da Rede e do Itaú é a condenação que poderá vir do processo administrativo aberto pelo Cade, que ainda está em fase de apuração e não tem previsão para ser concluído.
*Com Estadão Conteúdo
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