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Acionistas da Linx receberiam diretamente 40% do valor das sinergias da fusão com Totvs, diz banco
A eventual fusão entre Totvs e Linx — que hoje é a "azarona" para acontecer, uma vez que o negócio entre a empresa de software para varejo com a Stone continua sendo o favorito no páreo — criaria sinergias no valor de R$ 3,8 bilhões, de acordo com as contas do Bank of America (BofA).
A sinergia seria resultante de cross-selling (venda cruzada, estratégia em que são sugeridos produtos complementares nas vendas aos clientes), OPEX (gastos operacionais e com manutenção) e amortização de ágio.
A Linx poderia muito bem se aproveitar da situação. Isto porque, caso aceite a oferta da Totvs, 40% dos valores de sinergia seriam pagos diretamente para os seus acionistas — os outros 60% seriam divididos entre os sócios das duas empresas, escreveu o analista Rodrigo Villanueva em relatório.
Os números sugerem que a oferta da Totvs é, hoje, 8% superior ao que está implicado, considerando a combinação de ações (82%) e dinheiro (18%) prevista na proposta.
Enquanto isso, a Stone busca obter o registro de BDRs (recibos de ações negociadas fora do Brasil na B3) para potencialmente pagar a oferta em uma proporção maior de ações.
Hoje, os termos da oferta da Stone incluem a parcela de R$ 31,56 em dinheiro mais 0,0126774 ação da Stone por ação da Linx.
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Isso permitiria aos acionistas da Linx se beneficiarem ainda mais da potencial sinergia com a Stone, diz o BofA.
"Ainda assim, dado o tamanho da capitalização de mercado combinada entre Stone e Linx de cerca de R$ 97 bilhões, estimamos que cresceria em apenas de 2% a 3% do valor potencial das sinergias restantes", ressalva a análise.
O negócio entre as companhias parece distante desde que a Linx recusou assinar protocolo de oferta da Totvs. No entanto, a empresa resultante de ambas foi imaginada pelo BofA com bons olhos.
A fusão entre as empresas, segundo a análise da instituição, teria ganhos de eficiência significativos, com uma sinergia de OPEX de R$ 1,2 bilhão.
"A maior parte da economia de OPEX pode vir despesas gerais e administrativas", diz o BofA. Tais despesas representam menos de 8% da receita líquida da Totvs, enquanto são 20% das da Linx, devido à sua menor escala.
A projeção assume como recorrente a redução percentual dos gastos gerais administrativos em relação à receita da Linx de 20% para 8%, o que traria uma economia equivalente a 4% do OPEX total.
Enquanto isso, a estimativa é que o cross-selling, com sinergia de R$ 1,5 bilhão ao todo, poderia adicionar de 5% a 10% à receita combinada das companhias.
A previsão do BofA é de uma receita de R$ 4 bilhões para o fim de 2021, que poderia obter outros R$ 323 milhões (8% do total) por vendas cruzadas, para fluxo de caixa extra descontados de imposto de R$ 57 milhões.
O BofA também estima que a oferta da TOTVS pela Linx no valor de cerca de R$ 6,4 bilhões ao preço atual deve gerar ágio de cerca de R$ 4,8 bilhões.
"Prevemos que este ágio poderia ser amortizado nos próximos 5-10 anos, gerando benefícios fiscais materiais com um valor estimado de R$ 1,1 bilhão", diz o banco.
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