Inquilino do fundo RBVA11, Santander tenta baixar aluguéis na Justiça; caso traz insegurança para o mercado de FII
Contratos de locação entre o fundo Rio Bravo Renda Varejo e o banco são atípicos e, portanto, não preveem revisional; eventual sucesso do Santander na empreitada pode trazer insegurança jurídica ao mercado de fundos imobiliários e prejudicar cotistas

O fundo imobiliário Rio Bravo Renda Varejo (RBVA11) recebeu uma notificação extrajudicial do Santander, inquilino de 28 agências bancárias pertencentes ao fundo, dando conta de que o banco ajuizou ações judiciais com o objetivo de alterar os valores dos aluguéis pagos por todos esses imóveis.
Segundo fato relevante publicado pela gestora do fundo na última segunda-feira (13), a razão alegada pelo Santander para a redução do aluguel é a pandemia de covid-19. A Rio Bravo, contudo, questiona esse motivo, uma vez que a atividade bancária é considerada essencial e, portanto, não houve paralisação do funcionamento das agências.
"Mesmo que houvesse restrição de funcionamento, é de notório conhecimento do mercado e especialmente da própria Locatária que o resultado comercial das instituições financeiras pouco depende das agências bancárias, sendo estas destinadas precipuamente a atenderem seus clientes e consumidores nas necessidades cotidianas", diz a gestora no fato relevante.
No entanto, é possível para o banco alegar que a redução no horário de funcionamento e no fluxo de pessoas pode ter impactado na capacidade da instituição de comercializar certos produtos financeiros.
O RBVA11 foi o fundo imobiliário que incorporou, em abril deste ano, o FII Santander Agências (SAAG11), que deixou de ser negociado na bolsa. O FII da Rio Bravo é hoje o proprietário das agências do Santander antes pertencentes ao SAAG11, além de outras agências bancárias locadas para a Caixa e participações em um shopping center e um supermercado.
Eu solicitei um posicionamento do Santander sobre os motivos da tentativa de redução dos aluguéis das agências, mas o banco disse que não vai comentar.
Leia Também
[captacao]
Já a Rio Bravo diz que "ainda não tomou ciência dos processos referidos na notificação da Locatária, e por ora não foi recebida qualquer citação do Fundo ou da Administradora para que possa exercer a sua defesa", mas que entende que a decisão da locatária é "descabida, incompatível e contradiz diretamente com os termos firmados nos contratos de locação".
"Portanto, a Rio Bravo segue firme com a posição de que os valores não devem ser revistos e tomará todas as medidas judiciais cabíveis para defender o interesse dos cotistas e do Fundo, bem como assegurar pela segurança jurídica do mercado imobiliário e mercado de capitais."
- Fato Relevante do RBVA11 de 13 de julho de 2020.
Por volta das 14h, as cotas do RBVA11 caíam 5,54% na bolsa, cotadas a R$ 127,77, uma das maiores baixas do dia, enquanto o IFIX - índice de fundos imobiliários da B3 - recuava apenas 0,31%.
Um precedente negativo para os cotistas de fundos imobiliários
A grande questão aqui é que não se trata de um problema apenas para os cotistas do RBVA11. Este caso pode abrir um precedente bastante negativo para o mercado de fundos imobiliários e os investidores desse tipo de ativo.
Conforme a própria Rio Bravo explica no fato relevante emitido ontem, os contratos de locação das agências do Santander têm natureza atípica, isto é, têm prazo longo e não preveem revisões nos aluguéis, apenas correções pela inflação. "(...) as partes renunciaram, de comum acordo, aos seus respectivos direitos de pleitear revisão judicial dos aluguéis", diz o texto.
Em contratos atípicos, mesmo se o inquilino decidir sair antes do término do contrato, ele ainda é obrigado a pagar os aluguéis restantes. É, geralmente, uma modalidade de locação adotada para imóveis de uso bastante específico, como aqueles que são construídos especialmente para o inquilino ("built to suit") ou que eram de propriedade do próprio inquilino, que os venderam para o fundo para se desimobilizar ("sale and leaseback"), como é o caso das agências do Santander.
Por suas características, contratos atípicos são considerados os mais seguros para os investidores, uma vez que garantem um valor de aluguel constante por um longo período de tempo - pelo menos dez anos.
Se o Santander tiver sucesso na tentativa de baixar o aluguel na Justiça, isso abre um precedente para que outros contratos atípicos sejam também questionados pelos locatários, ameaçando o caráter defensivo desse tipo de locação. Uma baita insegurança jurídica para o mercado imobiliário e seus investidores.
O PÓDIO MUDOU
A Vale ficou para trás: BTG Pactual (BPAC11) toma o lugar de VALE3 no pódio das empresas mais valiosas da bolsa
14 de outubro de 2026 - 15:56DE OLHO NO AGRO
FII do agronegócio fecha venda milionária de fazenda e estima impacto positivo de R$ 5,78 por cota
14 de outubro de 2026 - 11:58É HORA DE COMPRAR?
Próxima parada do Ibovespa: 220 mil pontos. A visão dos gestores sobre a bolsa depois do 2º turno das eleições
13 de outubro de 2026 - 18:00O PESO DA INADIMPLÊNCIA
Crise das Casas Bahia (BHIA3) pesa sobre o HSLG11: FII pede despejo após calote, e cotas caem mais de 4%
13 de outubro de 2026 - 13:02SEM FOLGA EM NOVA YORK
Nasdaq leva uma queda e puxa S&P 500 para o vermelho; confira o que movimentou os mercados lá fora
12 de outubro de 2026 - 17:10HORA DE COMPRAR?
Flávio Bolsonaro eleito? Expectativa após 1° turno derruba dólar abaixo dos R$ 5 e coloca estas 4 ações no radar dos bancões
12 de outubro de 2026 - 13:01AÇÕES
5 ações para buscar ganhos na bolsa e superar o Ibovespa nesta semana, segundo Terra Investimentos
11 de outubro de 2026 - 11:00AÇÕES SE DESTACARAM
Ibovespa bate recorde após eleições e sobe 8,82% na semana; veja quem ganhou e quem perdeu
10 de outubro de 2026 - 11:25VISÃO DO GESTOR
Fundo Verde, de Stuhlberger, vê espaço para novo rali da bolsa com o ‘trade Flávio’ — mas faz alerta para risco lá fora
9 de outubro de 2026 - 17:15OPORTUNIDADE NO RADAR
A janela dos fundos imobiliários está fechando, e o BTG Pactual revela os FIIs para surfar a onda enquanto há tempo
9 de outubro de 2026 - 16:35UM OLHO NA URNA E OUTRO NA BOLSA
Ibovespa renova máxima no dia e dólar cai abaixo de R$ 5, mas IPCA lembra: a conta dos juros ainda não fechou
9 de outubro de 2026 - 12:43RADAR DE FIIS
BTLG11 quer levantar até R$ 1,2 bilhão com nova emissão de cotas; veja quem pode participar
8 de outubro de 2026 - 10:47MERCADOS
A explosão da renda fixa nos EUA: Treasury de dez anos bate máxima em 24 anos, ações caem e Ibovespa acompanha
7 de outubro de 2026 - 17:57MUDANÇAS NA CARTEIRA
Os juros vão cair? Estes são os FIIs que os analistas indicam para aproveitar a virada da Selic
7 de outubro de 2026 - 6:03EM REFORMULAÇÃO
TRBL11 quer deixar Braskem e Correios para trás? FII abre terreno para uma nova estratégia; entenda o que está em jogo
6 de outubro de 2026 - 18:01ONDE INVESTIR APÓS O RALI
Nem todas surfaram o ‘trade Flávio’: Rede D’Or (RDOR3) e outras 5 ações são as favoritas para juros menores
6 de outubro de 2026 - 13:08TRADE ELEITORAL
Flávio Bolsonaro pode levar o Ibovespa aos 250 mil pontos? Morgan Stanley indica quais ações investir em cada cenário de 2º turno
5 de outubro de 2026 - 19:20DO NEUTRO À COMPRA
O efeito Flávio Bolsonaro na bolsa: JP Morgan vira a mão com Brasil após 1º turno das eleições — e vê alta de até 20%
5 de outubro de 2026 - 15:21ELEIÇÕES 2026
Flávio Bolsonaro à frente de Lula deve gerar alta de até 45% no Ibovespa e beneficiar estas ações, segundo BTG e Citi
5 de outubro de 2026 - 14:39MERCADOS