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Otimismo na bolsa

Ibovespa ignora tensões sociais e sobe mais de 1%, amparado na agenda econômica

O Ibovespa abriu o mês no campo positivo e foi às máximas desde 10 de março, sustentado pelos indicadores econômicos mais fortes na China e nos EUA. O dólar, por outro lado, teve um dia mais pressionado, colocando na conta as manifestações nos EUA e no Brasil

Selo Mercados FECHAMENTO Ibovespa dólar
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

A forte tensão que se viu nas ruas no fim de semana, tanto aqui no Brasil como nos Estados Unidos, foi sentida na abertura do pregão desta segunda-feira (1): o Ibovespa e as bolsas globais começaram a semana em baixa, refletindo alguma cautela com as manifestações do fim de semana. Esse tom mais prudente, no entanto, durou apenas alguns minutos.

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Depois de cair nos primeiros minutos da sessão, o Ibovespa virou ao campo positivo — e não deixou mais o lado azul: ao fim do dia, marcava 88.620,10 pontos, em alta de 1,39%. É o maior nível de fechamento desde 10 de março, quando o índice ainda estava acima dos 90 mil pontos.

O otimismo visto por aqui apenas replicou o tom mais ameno visto no exterior. Na Europa, as principais praças fecharam em alta de mais de 1%; nos EUA, o Dow Jones (+0,36%), o S&P 500 (+0,38%) e o Nasdaq (+0,66%) também terminaram o dia com ganhos, após abrirem em queda.

A exceção foi o mercado de câmbio: por lá, o dólar à vista até chegou a visitar o campo negativo, tocando os R$ 5,3118 na mínima (-0,51%). Mas, ainda antes do almoço, passou a exibir um comportamento mais pressionado, terminando em alta de 0,93%, a R$ 5,3884.

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Essa dissonância entre os ativos domésticos — Ibovespa em alta e dólar pressionado — costuma caracterizar uma estratégia clássica dos investidores em tempos de incerteza: por um lado, há um aumento na exposição ao risco na bolsa; por outro, há uma busca por proteção no câmbio, com demanda crescente pela moeda americana.

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Motivos para cautela não restam: o clima é bastante tenso nas ruas no Brasil, nos EUA e em outros países. O lado ameno vem da agenda de dados econômicos, com indicadores mais animadores no exterior — uma combinação que permitiu a adoção dessa estratégia.

Tensão social e geopolítica

Durante o fim de semana, os Estados Unidos passaram por uma série de protestos que varreram o país após o falecimento de George Floyd — um homem negro que, mesmo rendido, foi sufocado até a morte por um policial branco.

A tensão social adiciona um ingrediente à crise provocada pela pandemia do coronavírus, que levou à disparada no desemprego na maior economia do planeta.

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No front econômico, a disputa comercial entre EUA e China ganhou um novo capítulo com a decisão dos asiáticos de suspenderem as importações de produtos agrícolas dos EUA, incluindo soja e carne suína.

Aqui no Brasil, o fim de semana também foi marcado por protestos. A novidade foi a manifestação de pessoas contrárias ao governo Bolsonaro em São Paulo e algumas outras capitais.

[captacao]

Alívio econômico

No entanto, o mercado relativizou esse quadro de maiores turbulências sociais e geopolíticas, concentrando-se na agenda de dados econômicos. Nos EUA, os investimentos em construção caíram 2,9% de março para abril, um recuo inferior ao projetado pelos analistas. O índice ISM de atividade industrial subiu de 41,5 para 43,1 em maio.

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Também tivemos noticias mais animadoras vindas da China: por lá, o PMI industrial subiu de 39,4 para 50,7 de abril para maio — leituras acima de 50 sugerem otimismo e expansão setorial no mês.

Assim, os investidores mostraram-se animados com as perspectivas de recuperação econômica após o pico da pandemia de coronavírus, assumindo uma postura otimista nas bolsas que se sobrepôs à cautela deixada pelas manifestações dos últimos dias.

No mercado de juros, o tom foi de estabilidade nesta segunda-feira. Os investidores optam por aguardar os desdobramentos da semana, com destaque para a decisão de política monetária do BCE e o relatório de trabalho nos EUA:

  • Janeiro/2021: de 2,30% para 2,29%;
  • Janeiro/2022: estável em 3,14%;
  • Janeiro/2023: de 4,23% para 4,22%;
  • Janeiro/2025: estável em 5,97%.

Embraer em foco

Entre as empresas listadas na B3, o principal destaque é a Embraer, que divulgou o resultado do primeiro trimestre. A fabricante de aeronaves registrou prejuízo de R$ 1,276 bilhão nos primeiros três meses deste ano — suas ações ON (EMBR3), contudo, subiram 3,64%, na esteira de potenciais novas parcerias e de um possível pacote de ajuda do BNDES.

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Veja abaixo as cinco maiores altas do Ibovespa no momento:

CÓDIGONOMEPREÇO (R$)VARIAÇÃO
GOLL4Gol PN13,06+8,56%
VVAR3Via Varejo ON13,43+8,31%
MULT3Multiplan ON22,28+7,68%
CVCB3CVC ON15,50+7,64%
IGTA3Iguatemi ON35,05+7,55%

Confira também as cinco maiores baixas do índice:

CÓDIGONOMEPREÇO (R$)VARIAÇÃO
BEEF3Minerva ON13,08-2,32%
RENT3Localiza ON37,61-2,26%
EGIE3Engie ON41,59-1,93%
CPFE3CPFL Energia ON31,72-1,64%
ENGI11Energisa units46,80-1,47%
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